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Safra de laranja 2026/27 é estimada em 255 milhões de caixas com queda de 12,9%, aponta Fundecitrus

Fundecitrus estima safra de laranja 2026/27 em 255,20 mi de caixas, queda de 12,9%. Greening, clima irregular e bienalidade pressionam a produção no cinturão citrícola.
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A safra de laranja 2026/27 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro — principal região produtora de laranja para suco do mundo — foi estimada em 255,20 milhões de caixas de 40,8 kg, segundo o Fundecitrus. O volume representa queda de 12,9% em relação à safra anterior (292,94 milhões de caixas) e recuo de 14,7% frente à média da última década. Clima irregular, avanço do greening e bienalidade são os principais fatores da retração.

Por que a produção vai cair

A projeção menor resulta da combinação de quatro fatores:

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  • Bienalidade — oscilação produtiva natural dos pomares entre um ano e outro
  • Menor número de frutos por árvore
  • Aumento da taxa de queda prematura, projetada em 23,7%
  • Taxa de perda de frutos de 31,3%

Esses efeitos superam os pontos positivos da safra, como o maior peso médio dos frutos — projetados em 160 gramas no ponto de colheita, acima da safra anterior — e a ampliação do número de árvores produtivas no parque citrícola.

O papel do clima na formação da safra

As condições climáticas tiveram papel determinante no perfil das floradas. A estiagem de maio de 2025 causou estresse hídrico nas plantas. Nas regiões com maior irrigação, a primeira florada foi estimulada, mas o pegamento dos frutos foi prejudicado pelas temperaturas acima da média em setembro.

Nas áreas menos irrigadas, a primeira florada foi mais limitada. A partir de outubro, chuvas mais intensas favoreceram a segunda florada, que predominou na safra. Embora as altas temperaturas de dezembro tenham prejudicado esses frutos, as chuvas abundantes de dezembro a março ajudaram a sustentar o desenvolvimento.

“Esse cenário não apenas afetou o potencial produtivo, como também impactou a uniformidade e a qualidade da safra, exigindo maior atenção no manejo”, afirma Guilherme Rodriguez, gestor da Pesquisa de Estimativa de Safra (PES).

Greening avança e pressiona o setor

O último levantamento do Fundecitrus, realizado em setembro de 2025, apontou que o greening (HLB) atingiu 47,6% das laranjeiras do parque citrícola — um dos fatores de maior pressão fitossanitária sobre a safra.

“Esta é uma safra impactada pela variabilidade climática e pela maior pressão do greening, com efeitos no pegamento, na carga e na queda de frutos. Apesar de avanços no peso médio e no nível tecnológico dos pomares, o cenário exige rigor no manejo e monitoramento contínuo”, afirma Juliano Ayres, diretor-executivo do Fundecitrus.

Além do greening, os principais fatores de pressão fitossanitária incluem a incidência de leprose, a previsão de um evento de El Niño no segundo semestre de 2026 e a tendência de colheita mais tardia.

Produtividade recua 13,8%

A produtividade média estimada é de 697 caixas por hectare, retração de 13,8% em relação à safra passada. Todas as variedades analisadas registraram queda de rendimento.

Metodologia

A estimativa é baseada em método objetivo, com medições de campo, contagem e pesagem de frutos em 2.560 árvores, distribuídas por diferentes regiões, variedades e idades do cinturão citrícola. A PES é realizada pelo Fundecitrus em parceria com o professor José Carlos Barbosa (FCAV/Unesp).

“A produção segue sendo monitorada pelo Fundecitrus, e a estimativa poderá ser ajustada ao longo da safra, especialmente em função da queda de frutos e do tamanho final das laranjas”, reforça Rodriguez.

Acesse o relatório completo: https://www.fundecitrus.com.br/wp-content/uploads/2026/05/2026_05_08_Sumario_executivo_estimativa_da_safra_2026-2027.pdf

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