Cultivo protegido é estratégia para maior produtividade

Publicado em 26 de dezembro de 2014 às 07h00

Última atualização em 26 de dezembro de 2014 às 07h00

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Silvio Calazans

Engenheiro agrônomo e consultor em alface americana

silviocalazans@bol.com.br

 

Entre as vantagens do cultivo protegido destaca-se o aumento de produtividade e qualidade (sanidade e aspecto) das hortaliças, quando comparadas ao cultivo a céu aberto.

Cultura

Campo aberto

(kg/1000 pés)

Estufa

(kg/1.000 pés)

Tomate

4000

9000

Pepino

2000

8000

Pimentão

2000

6000

Alface americana

280

540

Fonte: Cultivo em Ambiente Protegido (Cati, 1997

 

Além disso, podem-se programar as colheitas, principalmente na entressafra ou durante os meses de condições climáticas desfavoráveis ao plantio convencional (como no inverno na região sul, onde as baixas temperaturas são limitantes, e em verões chuvosos no sudeste).

Há, também, possibilidade de se conseguir melhores preços na hora da colheita, já que essas adversidades climáticas inviabilizam o cultivo econômico de hortaliças a céu aberto; precocidade na colheita devido à possibilidade de se ter um melhor controle do microclima, ou seja, mais safras no ano; economia de fertilizantes (menor lixiviação); controle fitossanitário (doenças e pragas) mais eficiente; possibilidade de fazer rotação de culturas com hortaliças de outras famílias, beneficiando-se da adubação remanescente.

Opções em estufas

Pelo fato de ocorrerem condições climáticas diferentes em termos de luminosidade, temperatura, chuvas e umidade, é importante que o produtor saiba escolher o modelo mais adaptado a sua região, porque o manejo dessas variáveis também é diferente em função do clima local.

As estufas são mais utilizadas para o cultivo de plantas de porte alto, como o tomate, pimentão, vagem e pepino. Essas construções possuem custo de instalação mais oneroso (R$ 45,00 a R$ 70,00 o metro quadrado), entretanto, possibilitam um melhor controle do microclima (temperatura e umidade) em seu interior.

Devido a esse custo inicial mais elevado e a problemas que surgem devido a plantios consecutivos na mesma área, como salinidade do solo, certas doenças (também do solo), como nematoides e fusário, surge como alternativa a estufa para a produção de folhosas (alface, rúcula, chicória, agrião, cebolinha, salsinha ), o cultivo em túneis, cujo preço de instalação é bem menor que o da estufa tradicional, tendo como finalidade básica a função de guarda-chuva, ou seja, proteção contra o excesso de chuvas que danifica as hortaliças.

O retorno do investimento acontece, em média, dentro de 24 meses para as estufas e 12 meses para o túnel alto.

Critérios

Dentre os fatores a serem considerados na escolha do local para a instalação da estufa estão: topografia do terreno, incidência de luz, ventos, disponibilidade de água (qualidade e quantidade), análise de solo (nematoides, fusarium e fertilidade) e altitude do local.

Em relação à estufa propriamente dita, deve-se estudar o tipo de material (madeira tratada ou estruturas de metal) e o seu tamanho planejado de acordo com o mercado a ser atendido, ou seja, o produtor precisa definir o que plantar, para quem vender e o quanto plantar.

Montagem das estruturas

Uma das grandes vantagens dos túneis, além do custo de montagem mais baixo em comparação às estufas, é a possibilidade de mudança de área todos os anos, o que contribui muito para o controle de doenças de solo como fusário e nematoides. Para essa mudança, basta enrolar o plástico e retirar os arcos e montá-los em outro lugar, sendo que, no caso das estufas, é impossível esse manejo.

O sistema de túneis utiliza-se, basicamente, de arcos de aço galvanizado de uma polegada, colocados sobre os canteiros (geralmente o túnel é formado por dois canteiros) espaçados a cada três metros, sendo que a distância entre os pés do arco fica em torno de 3,20 m.

A altura final do túnel fica em torno de 1,8 m e o comprimento geralmente em 50 metros. Depois de colocados os arcos é a vez do filme plástico (longa vida de 75 micras e com quatro metros de largura), que é esticado sobre os mesmos e fixados nas extremidades dos túneis a palanques de madeira enterradas no solo.

Também são colocados sobre o filme plástico, nos intervalos dos arcos, cintas de filme plástico de 200 micra de espessura por 20 cm de largura para fixação do túnel. Essas cintas são enterradas no solo. Um túnel com essas dimensões (3,20 m x 50 m) comporta cerca de 1.200 pés de alface, sendo que em um hectare no sistema de túneis cabem cerca de 57.600 plantas.

 
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