Serralha e uso como planta medicinal e panc

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Autoria: Karine Silva Amorim, Alessandra Cristina Tomé, Marco Antônio Pereira da Silva

Serralha, de nome científico Sonchus oleraceus L. (Asteraceae), é conhecida também como alface, chicória ou falso dente de leão. Considerada erva daninha, é amplamente utilizada como planta medicinal e na alimentação. Tem aplicação no tratamento de diabetes tipo 2, problemas gastrointestinais, hepatite, feridas, inflamações e infecções. Os estudos sobre a planta têm se concentrado na planta inteira, folhas e partes aéreas (Sánchez-Aguirre et al., 2024).

Os ácidos fenólicos presentes na serralha propiciam benefícios à saúde, reduzem complicações do diabetes tipo 2 e de condições metabólicas, tanto no uso crônico quanto agudo. Os metabólitos dos polifenóis interagem com o tecido adiposo, pâncreas, músculos e fígado, além de atuar sobre a digestibilidade do amido e as propriedades antioxidantes. Alguns dos compostos associados a esses benefícios são ácido cafeico, catequinas, procianidinas, ácido clorogênico, ácido p-cumárico, berberina, ácido gálico, quercetina, ácido o-cumárico, ácido ferúlico e ácido protocatecuico (Sánchez-Aguirre et al., 2024).

O potencial anti-hiperglicêmico de Sonchus oleraceus foi avaliado em ratos albinos Wistar com diabetes mellitus tipo 2 induzida por aloxano, substância química usada experimentalmente para destruir as células beta do pâncreas, simulando o quadro diabético. O extrato etanólico das folhas, obtido por maceração em etanol, foi testado nas doses de 100, 200 e 300 mg/kg durante 56 dias, com comparação direta à glibenclamida (10 mg/kg), medicamento convencional de referência para controle glicêmico. As doses de 200 e 300 mg/kg reduziram significativamente a glicose sanguínea, com melhora concomitante do perfil lipídico e das funções hepática e renal, além de aumento do HDL. A análise histológica do pâncreas dos animais tratados com 300 mg/kg evidenciou recuperação tecidual, o que reforça o potencial antidiabético da espécie. O extrato etanólico total apresentou o maior rendimento de extração (33,4%), teor de fenóis totais de 127,66 ± 0,56 mg GAE/g e flavonoides totais de 74,80 ± 0,55 mg QE/g, identificados por HPLC — cinco compostos fenólicos e seis flavonoides. A atividade de sequestro do radical DPPH foi de 43,46% (Salim et al., 2023). Resultado do perfil fenólico e ensaio in vivo do uso da serralha (tabela 1).

Tabela 1. Resultados do perfil fenólico e ensaio in vivo de Sonchus oleraceus L. (serralha)

Parâmetro / ResultadoDado / Valor
Fenóis totais (TPC)127,66 ± 0,56 mg GAE/g
Flavonoides totais (TFC)74,80 ± 0,55 mg QE/g
Atividade antioxidante (DPPH)43,46% de sequestro
Rendimento do extrato etanólico33,4%
Compostos por HPLC5 fenólicos + 6 flavonoides
Dose eficaz (glicose)200 e 300 mg/kg — redução significativa
Comparação com glibenclamida10 mg/kg (referência farmacológica)
Perfil lipídico e HDLMelhora + aumento do HDL
Funções hepática e renalMelhora concomitante
Histologia pancreática (300 mg/kg)Recuperação tecidual evidenciada
Compostos bioativos principaisQuercetina, ác. cafeico, clorogênico, ferúlico, catequinas, berberina

Fontes: SALIM, N. S. et al., 2023 e SÁNCHEZ-AGUIRRE, O. A. et al.,2024

Considerações Finais

A serralha é uma planta subestimada. Cresce em quintais, roças e beiras de estrada, é arrancada como mato indesejado e carrega um perfil fitoquímico que rivaliza com extratos de plantas amplamente estudadas. Os dados mostram que o extrato etanólico das folhas reduziu a glicose sanguínea de forma significativa, melhorou o perfil lipídico, preservou as funções hepática e renal e ainda promoveu recuperação tecidual do pâncreas. Tudo isso em comparação direta com um medicamento convencional.

Não se trata de substituir tratamento médico. O estudo foi conduzido em modelo animal e os resultados, embora promissores, ainda precisam de investigação clínica em humanos. Mas apontam para algo relevante plantas alimentícias não convencionais como a serralha têm compostos biologicamente ativos que merecem atenção científica e valorização prática.

Para o produtor rural, isso representa uma oportunidade. A serralha não exige insumos, adapta-se bem ao clima brasileiro e pode ser aproveitada tanto na alimentação quanto como matéria-prima para estudos de fitoterapia. O conhecimento popular que a identifica como planta medicinal tem respaldo na ciência e isso é um ponto de partida importante para quem pensa em diversificação de cultivo ou em agregação de valor no campo.

Referências

SALIM, N. S.; ABDEL-ALIM, M.; SAID, H. E. M.; FODA, M. F. Phenolic profiles, antihyperglycemic, anti-diabetic, and antioxidant properties of Egyptian Sonchus oleraceus leaves extract: an in vivo study. Molecules, v. 28, n. 17, p. 6389, 1 set. 2023. Disponível em: https://doi.org/10.3390/molecules28176389

SÁNCHEZ-AGUIRRE, O. A.; SÁNCHEZ-MEDINA, A.; JUÁREZ-AGUILAR, E.; BARREDA-CASTILLO, J. M.; CANO-ASSELEIH, L. M. Sonchus oleraceus L.: ethnomedical, phytochemical and pharmacological aspects. Naunyn-Schmiedeberg’s Archives of Pharmacology, v. 397, n. 7, p. 4555-4578, jul. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s00210-024-02966-3

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