Uma pesquisa da Embrapa Meio Ambiente identificou que ajustes simples no cultivo do fungo Clonostachys rosea aumentam sua eficiência no controle biológico da podridão cinzenta, uma das doenças mais importantes da agricultura mundial. Os resultados podem contribuir para o desenvolvimento de biopesticidas mais sustentáveis, ampliando as alternativas ao uso de fungicidas químicos.
O estudo demonstrou que a combinação entre maior circulação de ar e o equilíbrio adequado entre carbono e nitrogênio favorece a produção de estruturas reprodutivas e de resistência do fungo, essenciais para sua utilização em produtos destinados ao controle de doenças agrícolas.
Os experimentos, realizados com tomate-cereja, mostraram redução da incidência da doença causada pelo fungo Botrytis cinerea, responsável por prejuízos em mais de 200 culturas agrícolas.
Pesquisa melhora a produção de fungo para controle biológico
Os pesquisadores verificaram que o aumento da disponibilidade de oxigênio durante o cultivo elevou significativamente a formação de conídios e, principalmente, de microscleródios, estruturas que garantem maior resistência e sobrevivência do fungo em condições adversas.
Além disso, a proporção entre carbono e nitrogênio influenciou diretamente a produção dessas estruturas. A combinação adequada desses fatores permite direcionar o cultivo para obter o tipo de propágulo mais eficiente para aplicações agrícolas.
A pesquisa também identificou compostos naturais conhecidos como sorbicilinoides, metabólitos produzidos pelo fungo com ação antifúngica, que podem explicar parte da proteção observada contra a podridão cinzenta.
Controle biológico pode reduzir uso de fungicidas
Os materiais produzidos durante o cultivo foram transformados em formulações granuladas que podem ser diluídas em água e aplicadas de forma semelhante aos produtos agrícolas convencionais.
Todos os tratamentos avaliados reduziram a incidência da podridão cinzenta em tomate-cereja, indicando potencial para aplicações futuras em culturas como morango, uva, cereja e tomate.
Segundo os pesquisadores, o controle da aeração e da composição nutricional durante a fermentação pode facilitar a produção em escala industrial, melhorar a qualidade dos biopesticidas e reduzir custos de fabricação.
Próximos estudos buscam validação em campo
Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda precisa passar por novas etapas de desenvolvimento antes da adoção comercial.
Os próximos estudos incluem o escalonamento industrial da produção, testes em estufas e lavouras comerciais, avaliações em diferentes condições de temperatura e umidade, estudos sobre armazenamento e validade dos produtos, análises de segurança para alimentos e comparações de desempenho com fungicidas já disponíveis no mercado.
Publicado na revista científica MicrobiologyOpen, o trabalho reforça o potencial do controle biológico da podridão cinzenta como estratégia para tornar a agricultura mais sustentável, reduzindo a dependência de defensivos químicos e ampliando o uso de microrganismos benéficos na proteção das culturas.



