Pesquisas conduzidas pela Embrapa Meio Ambiente, Universidade Estadual Paulista e QueenNut Macadâmia identificaram bactérias nativas da macadâmia com potencial para o desenvolvimento de bioinsumos destinados ao controle de importantes doenças da cultura.
Os estudos apontam que bactérias dos gêneros Bacillus e Serratia apresentaram alta eficiência contra dois dos principais problemas sanitários da macadâmia no Brasil: a queima dos racemos e a podridão do tronco.
Controle biológico avança na macadamicultura
As bactérias Serratia ureilytica e Bacillus subtilis foram identificadas como promissoras no controle da queima dos racemos, doença causada pelo fungo Cladosporium xanthochromaticum, responsável por comprometer flores e reduzir a formação dos frutos.
Segundo os pesquisadores, os microrganismos atuam por diferentes mecanismos simultâneos, como produção de compostos antifúngicos e competição por nutrientes, reduzindo o desenvolvimento e a disseminação do fungo nos pomares.
O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Bernardo Halfeld-Vieira, destaca que o controle de doenças da parte aérea é um dos principais desafios da cultura.
“Os resultados mostram que microrganismos naturalmente associados à cultura são capazes de reduzir os danos causados por doenças importantes e contribuir para um sistema de produção mais resiliente e sustentável”, afirma.
Bactérias nativas aumentam chances de sucesso no campo
Os pesquisadores ressaltam que o uso de bactérias naturalmente presentes na própria cultura pode aumentar a eficiência do controle biológico em condições reais de campo.
“Trata-se de uma abordagem bastante promissora porque utiliza microrganismos naturalmente presentes na planta como ferramenta de proteção da própria cultura”, destaca Marcos Giovane Pedroza de Abreu, responsável pela tese de doutorado desenvolvida na Unesp.
Os testes também mostraram compatibilidade da maioria das bactérias com defensivos agrícolas utilizados na cultura, favorecendo sua integração em programas de manejo integrado de doenças.
Bacillus também reduz podridão do tronco
Outro estudo avaliou o potencial de bactérias do gênero Bacillus no controle da podridão do tronco, causada pelo fungo Lasiodiplodia pseudotheobromae, uma das doenças mais severas da macadâmia.
Os experimentos demonstraram que espécies como Bacillus velezensis e Bacillus subtilis reduziram significativamente a severidade das lesões causadas pelo fungo em mudas enxertadas.
Segundo os pesquisadores, o sucesso do controle biológico também depende da combinação entre copa e porta-enxerto utilizados nos pomares, indicando a importância da integração entre genética, manejo agronômico e biocontrole.
Estudos fortalecem manejo sustentável da macadâmia
Os resultados representam um avanço nas pesquisas iniciadas em 2018 para mapear as principais doenças da macadâmia em plantios comerciais brasileiros.
Para os cientistas, os estudos reforçam o potencial dos bioinsumos no desenvolvimento de sistemas produtivos mais sustentáveis, reduzindo a dependência de agroquímicos e aumentando a competitividade da cadeia da macadâmia no Brasil.
Os pesquisadores destacam que as próximas etapas envolvem o desenvolvimento de formulações comerciais e análises de viabilidade econômica para futura adoção em larga escala.