O Programa Lã Certificada, desenvolvido pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), completa cinco anos com o desafio de ampliar a adesão de produtores, especialmente os de menor escala. O tema será destaque no 3º Dia da Lã, realizado em 30 de julho, na Associação e Sindicato Rural de Sant’Ana do Livramento (RS), reunindo produtores, técnicos, pesquisadores, representantes da indústria e especialistas do setor.
Criado durante a pandemia, em um dos momentos mais difíceis para o mercado internacional da lã, o programa consolidou a certificação como uma estratégia para agregar valor à fibra e melhorar a remuneração dos produtores.
Segundo o coordenador do Programa Lã Certificada da Arco, Sérgio Muñoz, a iniciativa nasceu com a convicção de que a certificação seria fundamental para fortalecer a competitividade da lã brasileira.
“Começamos o programa em um dos piores momentos do comércio de lãs da história. Mesmo assim, tínhamos certeza de que os melhores dias viriam e de que não existia outro caminho senão certificar as nossas lãs.”
Programa Lã Certificada agrega valor à produção
Inspirado em modelos já consolidados no Uruguai e na Argentina, o Programa Lã Certificada promove mudanças nas práticas de esquila, manipulação e acondicionamento da fibra para entregar à indústria uma matéria-prima com maior qualidade e padronização.
Segundo Muñoz, os resultados econômicos têm impulsionado a adesão dos produtores. Em alguns casos, principalmente nas lãs finas, a remuneração supera 100% em comparação com a fibra obtida por sistemas convencionais.
Além disso, o coordenador destaca que a valorização internacional da lã voltou aos níveis registrados antes da pandemia. De acordo com ele, os preços das diferentes finuras cresceram entre 60% e 70% em relação aos últimos dois anos, fortalecendo o cenário para a nova safra.
Dia da Lã debate desafios da cadeia produtiva
Apesar dos avanços, a ampliação do Programa Lã Certificada ainda enfrenta desafios relacionados à formação de mão de obra especializada, à maior participação da indústria nacional e aos custos logísticos que dificultam a adesão dos pequenos criadores.
Durante o 3º Dia da Lã, serão apresentados indicadores atualizados do programa, análises do mercado internacional e relatos de produtores que já obtêm remuneração diferenciada com a certificação.
O evento também contará com duas mesas-redondas reunindo representantes da indústria, esquiladores e produtores para discutir soluções para os principais gargalos da cadeia produtiva da lã.
Segundo Muñoz, ampliar a participação dos pequenos produtores é uma das prioridades da Arco.
“Queremos que o pequeno produtor participe cada vez mais. Muitos já investiram em genética e produzem lãs de excelente qualidade. Precisamos criar condições para que eles também agreguem valor ao seu produto por meio da certificação.”
Evento fortalece a cadeia da lã no Brasil
Além de apresentar os resultados alcançados nos cinco anos do programa, o 3º Dia da Lã pretende aproximar os diferentes elos da cadeia produtiva para discutir estratégias que fortaleçam o mercado brasileiro de lã.
A programação inclui palestras com especialistas brasileiros e uruguaios, debates sobre tendências do mercado internacional e iniciativas voltadas à qualificação da produção, reforçando o papel da certificação como ferramenta para aumentar a competitividade da ovinocultura nacional.