Simonetti Citrus: diversificação, tecnologia e inteligência comercial

Com 2.500 hectares de produção em Minas Gerais e São Paulo, produz anualmente 1 milhão de caixas. A empresa trabalha com diferentes variedades de laranjas e tangerinas e investe em biológicos, rastreabilidade, aplicação eficiente e fertirrigação para ampliar a eficiência dos pomares.
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A produção da Simonetti Citrus está distribuída pelos municípios mineiros de Minduri, Cruzília, São Vicente e Aiuruoca, além de Aguaí, em São Paulo. Ao todo, são 2.500 hectares de produção, com cultivo de diferentes variedades de laranjas e tangerinas.

Entre as laranjas produzidas estão Folha Murcha, Natal, Charmute, Pera Rio, Bahia, Baianinha, Rubi, Westin, Lima e Valencia. No grupo das tangerinas estão Murcott, W Murcott, Murcott Olé, Ponkan e Dekopon.

A produtividade média é de 40 toneladas por hectare nos pomares adultos, enquanto os pomares jovens apresentam média de 20 toneladas por hectare. O volume anual produzido fica em torno de 1 milhão de caixas.

Variedades para diferentes mercados

Antônio Carlos Simoneti, diretor da Simonetti Citrus, atua diretamente na área comercial da empresa, e conta que a diversificação é uma das estratégias adotadas, especialmente na produção de variedades destinadas a nichos específicos.

A tangerina Olé é um exemplo dessa estratégia, ao lado de outras variedades que estão sendo avaliadas e desenvolvidas considerando diferentes períodos de oferta e perfis de consumidores.

“A escolha de uma variedade não pode ser baseada somente na produtividade por hectare. Precisamos analisar um conjunto de fatores: época de colheita, qualidade do fruto, sabor, facilidade de descascar, presença ou ausência de sementes, aparência, pós-colheita, aceitação do consumidor e, principalmente, qual mercado está disposto a pagar por aquele diferencial”, afirma Simoneti.

Segundo ele, existe uma oportunidade de diversificação no mercado de tangerinas, especialmente diante de consumidores mais atentos à experiência de consumo. “Hoje, o consumidor está mais atento à experiência de consumo, e características como sabor, facilidade de descascar, qualidade e praticidade podem fazer com que determinadas variedades tenham maior valor percebido”, explica.

Na Simonetti Citrus, essa estratégia também está relacionada à própria história da empresa. A partir da década de 2000, a produção passou a ser direcionada cada vez mais para o mercado de fruta fresca. Posteriormente, a empresa buscou novas áreas em Minas Gerais também pelas condições favoráveis à produção de tangerinas.

Nichos e janelas de comercialização

A aposta em variedades diferenciadas não tem como objetivo necessariamente substituir as variedades tradicionais, mas complementar o portfólio e encontrar oportunidades de mercado que permitam uma melhor remuneração.

“Uma variedade diferenciada pode ter uma janela comercial específica e atender um consumidor ou comprador que procura justamente aquela característica”, destaca.

Outro aspecto considerado é a distribuição da produção ao longo do ano. A combinação de variedades com diferentes épocas de maturação permite ampliar a janela de comercialização, atender melhor os clientes e utilizar de maneira mais eficiente a estrutura de produção e logística.

Simoneti ressalta, porém, que uma variedade diferenciada não significa automaticamente maior rentabilidade. “Antes de realizar um plantio comercial, precisamos avaliar produtividade, custo de implantação e manejo, comportamento da planta na nossa região, qualidade da fruta, aceitação do mercado e preço obtido. É um investimento de médio e longo prazo, por isso a decisão precisa ser muito bem estudada”, afirma.

Para o diretor, o futuro da atividade passa por uma produção cada vez mais conectada às demandas do mercado. “Eu acredito que o futuro do citrus de mesa passa justamente por isso: produzir aquilo que o mercado quer consumir e não simplesmente aquilo que sempre produzimos.”

Tecnologia dentro do pomar

Entre as principais tecnologias e manejos adotados pela Simonetti Citrus estão a BioFábrica, voltada à produção de biológicos para uso nos pomares; o Protector, que amplia a rastreabilidade das aplicações e inspeções; tecnologias de aplicação com definição do volume por aplicação; e a fertirrigação nas áreas irrigadas.

A adoção dessas ferramentas tem proporcionado ganhos principalmente em eficiência operacional, precisão no manejo, sustentabilidade e capacidade de tomada de decisão no campo.

Na BioFábrica, a produção própria de agentes biológicos permite ampliar o uso do controle biológico dentro do manejo integrado dos pomares, buscando reduzir a dependência de produtos químicos e trabalhar de maneira mais preventiva e equilibrada.

“Além do benefício ambiental, a produção interna possibilita maior autonomia e planejamento das aplicações, de acordo com a necessidade de cada área”, explica Simoneti.

Rastreabilidade e precisão nas operações

Com o Protector, a empresa passou a contar com maior rastreabilidade das operações. A ferramenta permite acompanhar com maior precisão aplicações e inspeções realizadas nas propriedades, registrando informações sobre o que foi feito, onde e quando.

Segundo Simoneti, esse controle melhora a operação e facilita a tomada de decisões técnicas, especialmente diante da necessidade de acompanhamento detalhado das áreas.

Nas tecnologias de aplicação, o foco está na utilização mais técnica do volume de calda, considerando o tamanho e a estrutura das plantas e a necessidade de cada operação. “Com isso, buscamos melhorar a qualidade da cobertura e, ao mesmo tempo, reduzir desperdícios de água e insumos”, afirma.

Fertirrigação amplia a precisão nutricional

Nas áreas irrigadas, a fertirrigação trouxe maior precisão para o fornecimento de nutrientes. O parcelamento da adubação permite acompanhar a demanda das plantas ao longo do ciclo, fornecendo os nutrientes de maneira mais uniforme e no momento adequado.

“Na prática, isso proporciona maior eficiência no aproveitamento dos fertilizantes e permite ajustes mais rápidos de acordo com o desenvolvimento da cultura e as condições do solo”, explica.

Greening e os desafios da citricultura

Entre os principais desafios enfrentados atualmente pela citricultura, Simoneti destaca o greening (HLB), a variabilidade climática, o aumento dos custos de produção e a necessidade de maior eficiência operacional.

“O greening (HLB) é, sem dúvida, um dos principais desafios da cultura. É uma doença que exige monitoramento constante, controle rigoroso do psilídeo, inspeções frequentes e uma atuação cada vez mais integrada entre produtores”, afirma.

Para ele, o greening também está mudando a forma de pensar onde e como produzir citros. A busca por novas regiões, com condições climáticas favoráveis e menor pressão da doença, passou a fazer parte da estratégia de muitos produtores.

“Nós mesmos enxergamos Minas Gerais como uma região com grande potencial para a citricultura, justamente pela possibilidade de trabalhar em um ambiente diferente daquele enfrentado tradicionalmente em algumas regiões do cinturão citrícola”, comenta.

A mudança de região, porém, exige planejamento. É necessário considerar clima, solo, disponibilidade hídrica e pressão de pragas e doenças, além da escolha da área, implantação do pomar, porta-enxertos, variedades, irrigação, nutrição e manejo fitossanitário.

Clima e custos exigem eficiência

A variabilidade climática também ganhou peso no planejamento dos pomares. Altas temperaturas, falta ou excesso de chuvas e eventos extremos podem interferir no florescimento, pegamento, desenvolvimento e qualidade dos frutos.

Nesse cenário, irrigação, fertirrigação, monitoramento climático e manejo de precisão passam a ser importantes instrumentos de segurança da produção.

Outro desafio está relacionado aos custos crescentes com fertilizantes, defensivos, energia, combustível, máquinas, logística e mão de obra. Ao mesmo tempo, os investimentos em sanidade e tecnologia precisam ser mantidos.

“A mão de obra e a necessidade de maior eficiência operacional também são pontos importantes. A mecanização, a automação e a digitalização dos processos tendem a ganhar cada vez mais espaço”, observa.

Para Simoneti, o futuro da citricultura combina sanidade, tecnologia e adaptação regional.

“Não existe mais espaço para uma citricultura baseada apenas em experiência e tradição. Precisamos unir conhecimento técnico, dados, inovação e observação de campo para produzir de maneira mais eficiente e sustentável.”

Comercialização como estratégia de valor

Na visão do diretor, a comercialização é um dos pontos que mais precisam avançar na citricultura. O produtor precisa compreender o mercado, conhecer o perfil do consumidor e buscar canais que valorizem a qualidade da fruta.

“Acredito que uma das principais estratégias para agregar valor é justamente produzir qualidade e conseguir comprovar essa qualidade”, afirma.

Rastreabilidade, controle dos processos, segurança do alimento, padronização dos frutos e regularidade de fornecimento são apontados como características capazes de diferenciar o produto e aumentar a confiança do comprador.

Na Simonetti Citrus, a busca é aproximar cada vez mais produção e comercialização, levando para dentro do pomar informações sobre aquilo que o mercado procura, como variedade, calibre, coloração, qualidade interna e época de oferta.

A diversificação dos canais de venda também faz parte da estratégia. A empresa trabalha com indústria, mercado de fruta fresca, hortifrutis, supermercados e outros compradores, buscando direcionar cada tipo de fruta ao mercado em que possui maior valor e reduzir riscos comerciais.

Fruta com identidade e procedência

Outro caminho apontado para agregar valor é a construção de uma marca e de uma identidade para a fruta produzida.

“Quando conseguimos contar a história da produção, mostrar a origem, as boas práticas utilizadas, o cuidado com o meio ambiente e a qualidade do produto, deixamos de comercializar apenas uma commodity e passamos a oferecer um produto com identidade e procedência”, destaca.

Para Simoneti, o caminho está em deixar de enxergar a fruta apenas como commodity e passar a considerá-la um produto com qualidade, origem, história e características próprias.

Citrus de Mesa como ponto de encontro

Como vice-presidente da ABCM, Simoneti considera o Citrus de Mesa mais do que um evento técnico. Para ele, trata-se de um ponto de encontro de toda a cadeia do citrus de mesa, reunindo produtores, pesquisadores, técnicos, empresas, comerciantes e outros profissionais.

“É uma oportunidade para produtores, pesquisadores, técnicos, empresas, comerciantes e demais profissionais do setor se encontrarem, compartilharem experiências e discutirem os caminhos para o futuro da atividade”, afirma.

O evento também funciona como uma ferramenta para levar conhecimento ao produtor e, ao mesmo tempo, trazer para dentro da Associação as necessidades de quem está no campo.

A programação técnica, com especialistas e temas relacionados à realidade da produção, é apontada como um dos diferenciais do encontro. Também há espaço para lançamentos de produtos, tecnologias e soluções voltadas à produção e à comercialização de citros de mesa.

Outro destaque são os projetos de pesquisa exclusivos da ABCM, desenvolvidos com o apoio de empresas parceiras. “Nosso objetivo é que o conhecimento gerado não fique apenas dentro dos centros de pesquisa, mas chegue ao produtor e ajude a solucionar problemas reais da citricultura”, explica.

Pesquisa, tecnologia e networking

O evento também proporciona um ambiente de networking entre produtores, pesquisadores, técnicos e empresas. Para Simoneti, essa troca permite conhecer diferentes realidades, compartilhar soluções e criar novas parcerias.

Além disso, o Citrus de Mesa contribui para a valorização da atividade, colocando em discussão produtividade, qualidade, padrão, segurança alimentar, rastreabilidade, pós-colheita e comercialização.

“Como ABCM, acreditamos que o fortalecimento da citricultura de mesa passa justamente por essa união entre produtor, pesquisa, tecnologia e mercado. E o Citrus de Mesa é um dos principais momentos do ano para promover essa conexão.”

Público qualificado e participação da cadeia

A expectativa para a edição é positiva, com interesse crescente de produtores, técnicos, pesquisadores, empresas e profissionais ligados à cadeia.

Mais do que buscar apenas um grande número de participantes, a expectativa é reunir um público qualificado e representativo da citricultura de mesa brasileira, interessado em conhecimento, tecnologia, inovação e oportunidades.

A organização também espera uma participação expressiva de empresas que apresentam novos produtos, tecnologias e soluções para produção, pós-colheita e comercialização.

A presença de produtores de diferentes regiões do Brasil também é considerada importante para aproximar e integrar diferentes realidades produtivas.

“Mais do que números, queremos que cada participante saia do evento levando conhecimento, novas ideias, contatos e soluções que possam ser aplicadas na sua propriedade ou no seu negócio”, afirma Simoneti.

Para ele, o verdadeiro indicador de sucesso do Citrus de Mesa está nas conexões criadas e no conhecimento transformado em resultado para a citricultura.

Novidades voltadas ao campo

A 16ª edição do Citrus de Mesa acontece em um momento de importantes desafios para a cadeia produtiva. A programação contará com palestras técnicas, especialistas e discussões sobre temas atuais que impactam diretamente produção e comercialização.

Também haverá espaço para novos produtos, tecnologias e soluções voltados ao setor, permitindo que o produtor conheça ferramentas destinadas a aumentar a eficiência, melhorar a qualidade da fruta, reduzir custos e tornar a atividade mais competitiva.

Entre os destaques estão os projetos de pesquisa exclusivos da ABCM, desenvolvidos com o apoio de empresas parceiras. “Queremos aproximar cada vez mais a pesquisa das necessidades reais do produtor. A pesquisa precisa gerar conhecimento que possa ser transformado em tecnologia e resultado no campo”, afirma.

Para Simoneti, o evento representa também uma nova forma de fazer citricultura, baseada em conhecimento, dados, inovação e integração entre os diferentes elos da cadeia.

“O setor está mudando rapidamente. Temos desafios como greening, mudanças climáticas, custos de produção e exigências cada vez maiores do mercado. Ao mesmo tempo, temos novas tecnologias, novos materiais genéticos, novas ferramentas de gestão e novas oportunidades de comercialização.”

A expectativa é que os participantes encontrem no evento não apenas novidades, mas também novas ideias, contatos e soluções para colocar em prática em suas propriedades e empresas.

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