Gesso deve ser aplicado a lanço

Cultura com aplicação de 3 toneladas de gesso - Crédito Djalma Martinhão

Publicado em 20 de junho de 2014 às 11h58

Última atualização em 20 de junho de 2014 às 11h58

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Ao aplicar gesso em superfície, e devido à sua maior solubilidade, não há necessidade de incorporação do produto

 

Cultura com aplicação de 3 toneladas de gesso - Crédito Djalma Martinhão
Cultura com aplicação de 3 toneladas de gesso – Crédito Djalma Martinhão

 
Cultura sem aplicação de gesso - Crédito Djalma Martinhão
Cultura sem aplicação de gesso – Crédito Djalma Martinhão

O gesso apresenta

Gesso aplicado na superfície do solo SPD - Crédito Djalma Martinhão
Gesso aplicado na superfície do solo SPD – Crédito Djalma Martinhão

solubilidade em água 150 vezes maior que a do calcário. Devido a esse alto índice, não é necessária a sua incorporação ao solo. “Com uma chuva de 100 mm é possível dissolver duas toneladas de gesso“, esclarece Djalma Martinhão Gomes de Sousa, doutor em Química e Fertilidade de Solos e pesquisador da Embrapa Cerrados.

Importância da aplicação do gesso

O gesso, quando aplicado em solos com restrições químicas para o desenvolvimento radicular das plantas, promove o crescimento das raízes, além de ser fonte de dois importantes nutrientes: cálcio (Ca) e enxofre (S).

“Além de suprir as culturas com Ca e S, ele promove maior desenvolvimento radicular em profundidade, levando ao aumento da absorção de nutrientes e água. O elevado desenvolvimento das raízes em profundidade aumenta a tolerância das culturas a veranicos, muito comuns na região do cerrado“, detalha o especialista.

Culturas beneficiadas

Na região dos cerrados, as culturas anuais (soja, milho, feijão, trigo e algodão) apresentam respostas significativas e econômicas à aplicação do gesso. Outras culturas, como cana-de-açúcar, café, eucalipto, pastagens, manga, entre outras, também são beneficiadas com o uso desse produto.

Manejo

O gesso, quando necessário, deve ser aplicado a lanço, distribuído da forma mais homogênea possível, não sendo necessária a incorporação ao solo, o que, segundo Djalma Martinhão, gera economia ao produtor em relação ao custo da incorporação. “O gesso pode ser aplicado em qualquer época do ano, mas o ideal é antes do início da estação chuvosa, para que o produtor já tenha o benefício no ano de aplicação“, ensina.

Detalhes importantes

Para verificar se o terreno apresenta impedimento químico no que diz respeito ao desenvolvimento das raízes, é importante realizar a amostragem do solo em profundidade (até 60 cm) e encaminhá-la para a análise química. Quando a saturação de alumínio do solo for maior que 20% ou o teor de cálcio menor que 0,5 cmolc/dm3 nas camadas de solo abaixo dos 20 primeiros centímetros, o gesso deve ser aplicado.

A dose é quantificada em função do teor de argila das camadas inferiores do solo, por meio da fórmula:

Culturas anuais ” DG (kg/ha) = 50 x argila (%)

Culturas perenes e cana-de-açúcar ” DG (kg/ha) = 75 x argila (%)

DG = Dose de Gesso agrícola com 15% de S.

Custo

O preço do gesso é baixo, variando de R$ 40,00 a R$ 60,00 a tonelada. “O maior custo, dependendo da distância da propriedade ao local de compra do gesso, pode ser com o frete. Quanto ao retorno econômico, devido ao uso do gesso, ele é certo, podendo, na maioria das vezes, ser pago no ano de aplicação do produto. Como o efeito residual é grande, a tecnologia apresenta alta relação custo-benefício. Considerando um período de cinco anos, essa relação é de 15 a 25, o que significa dizer que, para cada R$ 1,00 aplicado em gesso, haverá um retorno de R$ 15,00 a R$ 25,00 em grãos, em razão do aumento da produtividade das culturas“, afirma Djalma Martinhão.

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