Ácidos húmicos melhoram o enraizamento das hortaliças

Publicado em 15 de abril de 2015 às 07h00

Última atualização em 15 de abril de 2015 às 07h00

Acompanhe tudo sobre Ácido fúlvico, Ácido húmico, Água, Alface, Café, Cebola, Enraizamento, Feijão, Hortifrúti, Nutrição, Orgânicos, Resíduos, Rúcula, Tomate, Traça e muito mais!

Nilva Teresinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora do Curso de Engenharia Agronômica do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (UNIPINHAL)

nilva@unipinhal.edu.br

Ácidos húmicos são solução para salinização - Créditos Shutterstock
Ácidos húmicos são solução para salinização – Créditos Shutterstock

Já existem no mercado nacional inúmeros produtos que contêm ácidos húmicos e fúlvicos extraídos de depósitos minerais (leonardita, lignita, etc.), solos orgânicos (turfeiras) ou obtidos por humificação de resíduos vegetais.

 

Benefícios

Os ácidos húmicos e fúlvicos podem influenciar diretamente o metabolismo das plantas por meio de mecanismos ainda não muito claros. São efeitos positivos no transporte de íons, na absorção de nutrientes, na respiração e na velocidade das reações enzimáticas do ciclo de Krebs, resultando assim em maior produção de energia metabólica, com o que concordam.

Consideram, ainda, que tais substâncias promovem incremento no conteúdo de clorofila, de ácidos nucleicos e de proteínas. Acredita-se, ainda, que os ácidos húmicos absorvidos pela planta, em estágios avançados do seu desenvolvimento, são uma fonte de polifenóis, que funcionam como catalizadores da respiração.

O resultado é o aumento da atividade metabólica do vegetal; aceleração dos processos enzimáticos e da divisão celular, crescimento mais rápido da raiz e aumento de matéria seca.

Considera-se, ainda, que os ácidos húmicos interferem diretamente na qualidade física do solo, por promoverem uma aproximação das partículas e, consequentemente, sua união, gerando, dessa forma, uma maior agregação dos solos, o que influi, diretamente, em outras características do solo como, por exemplo, a densidade, porosidade, aeração, capacidade de retenção e infiltração de água no solo.

Crescimento e desenvolvimento vegetal

As substâncias húmicas, ao alterarem diretamente o metabolismo bioquímico das plantas, podem influenciar seu crescimento e desenvolvimento. Tal fato pode estar relacionado com o aumento da absorção de nutrientes pelas plantas devido à influência das substâncias húmicas na permeabilidade da membrana celular, dentre outras.

Os principais sítios de complexação são os grupamentos carboxílicos e fenólicos. As interações possíveis entre o complexante e os metais podem ter a forma de uma reação de adsorção catiônica via atração eletrostática (esfera externa, mantendo a camada de hidratação), como aquelas entre os grupamentos carboxílicos carregados negativamente (dissociados) e um cátion monovalente, ou interações mais complexas.

 Há inúmeros relatos na literatura pertinente de que os ácidos húmicos e fúlvicos exercem forte estímulo no crescimento radicular em plântulas de várias espécies vegetais (como milho, feijão, alface), aumentando o número de sítios de mitose e de raízes laterais emergidas e a área superficial. Especificamente com cebola, há relatos de que o uso de ácidos húmicos + fúlvicos promove acréscimos de até 58% no desenvolvimento de raízes.

Outra observação é de que aplicação de formulados com ácidos húmicos e fúlvicos pode proporcionar aumentos de até 17% na produção de cebola.

Outras observações disponíveis dão conta de que a adição de tais insumos promove ganho substancial de desenvolvimento e produção em culturas como rúcula, café, alface, feijão e tomate.

A salinização dos solos é um sério problema, que pode ser amenizado com o uso de ácidos húmicos - Créditos Shutterstock
A salinização dos solos é um sério problema, que pode ser amenizado com o uso de ácidos húmicos – Créditos Shutterstock

Problema: salinização

A salinização dos solos é um sério problema na agricultura: limita a absorção de água e de nutrientes, o desenvolvimento das raízes e da parte aérea das plantas, a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos. A salinidade traz sérios prejuízos para a produção agrícola, principalmente nas regiões áridas e semiáridas e, também, ao cultivo em ambientes protegidos ” nas estufas.

Considere-se, agora, o cultivo de cebola. Trata-se de espécie onde o uso de fertilizantes minerais é pesado, o que pode provocar aumento de condutividade elétrica da solução do solo, ou seja, a salinização do solo.

É corrente na literatura que o aumento da condutividade elétrica da solução do solo inibe o desenvolvimento radicular e vegetativo da cebola. Reduz o enfolhamento, o diâmetro do pseudocaule, a altura da planta e o peso e diâmetro dos bulbos, independente do nível de umidade do solo.

Solução

Como resolver o problema de salinidade? Uma das possibilidades é o uso de produtos contendo ácidos húmicos que, ao analisar a sua estrutura, percebe-se a existência dos mais variados grupos químicos ” como os fenólicos e ácidos ” que complexam com os íons no solo, diminuindo, assim, a sua presença e, consequentemente, a condutividade elétrica, melhorando o ambiente para as raízes.

Ao melhorar o ambiente radicular, as raízes podem se desenvolver, e, portanto, explorar novas camadas de solo, entrar em contato com nutrientes e água ali presentes, o que, certamente, aumenta a absorção de tais materiais e redunda em maior produtividade.

Essa matéria completa você encontra na edição de março da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira a sua para leitura completa.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Mercado ilegal de sementes ameaça produtividade e acende alerta; operação apreendeu 1.447 toneladas irregulares

2

Azeite da Mantiqueira é eleito o melhor do Brasil e alcança 11º lugar entre os cem melhores do mundo no Evooleum 2026

3

Bicudo-do-algodoeiro segue como principal desafio do algodão no Brasil

4

Traça-do-tomateiro: dose diagnóstica como ferramenta para evitar falhas de controle

5

Com 35% da produção voltada à exportação, carne bovina entra em ciclo de valorização

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

PG 15 a 17 - Foto 01 (Pequeno)

Beauveria bassiana: mosca-branca sob controle no tomateiro

PG 58 a 61 - Foto 01 (Pequeno)

Fatores que limitam a produtividade do abacateiro e como corrigi-los

Foto 01 (Pequeno)

Agrovivaz reforça aposta no morango de alta tecnologia

Foto 01 (Pequeno)

Green Has Brasil aposta em tecnologia inédita