A horticultura brasileira vive um ponto de inflexão tecnológica em que os bioinsumos deixaram de ocupar uma posição periférica para se consolidarem como peça estratégica no manejo integrado de pragas e na sustentabilidade das lavouras.
Para a diretora de Bioinsumos da CropLife, Amália Borsari, o movimento já está consolidado no campo. “Os bioinsumos têm assumido um papel cada vez mais relevante na horticultura brasileira e já contribuem de forma significativa para a eficiência produtiva e sustentabilidade das hortaliças”, afirma.
Segundo ela, o crescimento não é apenas quantitativo, mas também estrutural, impulsionado por confiança do produtor, expansão do portfólio e evolução tecnológica dos produtos.
Dados do CropData, portal de dados da entidade, apontam que o mercado de bioinsumos ultrapassou R$ 6,2 bilhões em 2025, com crescimento de 15% em relação ao ano anterior, enquanto a área tratada chegou a 194 milhões de hectares.
Agro na linha de frente da inovação biológica
No segmento agrícola, a adoção de bioinsumos tem sido marcada por aplicações mais específicas, principalmente com microrganismos e bioestimulantes voltados à resistência ao estresse e eficiência nutricional.
Amália Borsari destaca que o avanço vai além do controle de pragas. “Produtos bioestimulantes e reguladores de crescimento beneficiam a produtividade. Além do aspecto agronômico, estes produtos incrementam a produtividade do produtor em momentos de preços mais elevados nos insumos importados”, explica.
O cenário, segundo ela, aponta para complementaridade entre tecnologias biológicas e sintéticas, reduzindo dependência de um único tipo de solução.
Biotecnologia e proteção de cultivos
A combinação entre clima tropical, alta pressão de pragas e ciclos curtos de produção exige soluções cada vez mais precisas.
Para a diretora de Germoplasma e Biotecnologia da CropLife, Catharina Pires, o Brasil se tornou um laboratório natural para inovação agrícola. “O ambiente para doenças dos plantios é propício. A ciência tropical aqui desenvolvida tem conseguido aplicar soluções no momento certo e na medida necessária, com o apoio de ferramentas digitais, bioinsumos e defensivos mais modernos”, afirma.
Ela ressalta que a integração entre tecnologias reduz desperdícios, minimiza impactos ambientais e sustenta ganhos de produtividade, especialmente em culturas sensíveis como as hortaliças.

diretora de Bioinsumos

em Assuntos Regulatórios de
Germoplasma

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Germoplasma
Melhoramento genético acelera a resposta às mudanças climáticas
O avanço da genética vegetal tem sido apontado como um dos pilares da transformação no campo. O foco atual dos programas de melhoramento está na resiliência climática, eficiência de insumos e estabilidade produtiva.
Catharina Pires e a especialista em Assuntos Regulatórios de Germoplasma, Caroline Barbosa, destacam que o melhoramento moderno não atua isoladamente, mas como parte de um ecossistema tecnológico.
“Elas incorporam ganhos genéticos que ampliam a adaptação a estresses como déficit hídrico, altas temperaturas e variações de fotoperíodo”, explicam.
Esse avanço, segundo as especialistas, permite produzir com mais previsibilidade em cenários climáticos instáveis e reduz a necessidade de expansão agrícola sobre áreas nativas.
Competitividade cresce com tecnologia integrada
A soma entre biotecnologia, germoplasma avançado e proteção de cultivos tem impacto direto na qualidade das hortaliças brasileiras.
Amália Borsari e Catharina Pires afirmam conjuntamente que o efeito é perceptível em toda a cadeia produtiva. “O desenvolvimento de tecnologias e o acesso à inovação impacta diretamente a qualidade das hortaliças brasileiras. Com tecnologias mais avançadas, o produtor consegue oferecer produtos mais uniformes, com melhor padrão sanitário e maior durabilidade”, destacam.
Isso, segundo elas, fortalece tanto o mercado interno quanto a competitividade no cenário internacional.
Regulação ainda é o principal ponto de tensão
Se a inovação avança rapidamente, o ambiente regulatório ainda precisa acompanhar o ritmo das tecnologias.
As executivas da CropLife apontam que o país já avançou com marcos importantes, como a Lei de Bioinsumos, mas ainda depende de regulamentações complementares. “Elas [leis] trouxeram avanços significativos ao reconhecer e estabelecer regras específicas de produção, registro e comercialização dos produtos”, explicam.
No setor de sementes, o desafio está na modernização da Lei de Proteção de Cultivares, considerada essencial para garantir segurança jurídica e estímulo à inovação.
Tabela comparativa das tecnologias no sistema produtivo
| Tecnologia | Função principal | Benefício no campo | Impacto na horticultura |
| Bioinsumos | Controle biológico e estímulo fisiológico | Redução de pressão de pragas e estresse abiótico | Maior sustentabilidade e eficiência produtiva |
| Biotecnologia | Proteção genética e precisão no manejo | Maior resistência e controle direcionado | Redução de perdas e maior qualidade final |
| Melhoramento genético | Desenvolvimento de cultivares resilientes | Adaptação a clima e estresses ambientais | Estabilidade produtiva e competitividade |
| Defensivos modernos | Controle químico de precisão | Ação mais seletiva e eficiente | Menor impacto ambiental e maior controle fitossanitário |
Um sistema integrado que redefine o campo
A leitura conjunta das especialistas da CropLife Brasil aponta para um futuro em que nenhuma tecnologia atua sozinha. Defensivos biológicos ou sintéticos, genética e biotecnologia passam a formar um sistema integrado de defesa e produtividade.
Nesse cenário, o desafio deixa de ser apenas produzir mais e passa a ser produzir melhor, com previsibilidade, eficiência e menor impacto ambiental, em um setor que avança cada vez mais orientado pela ciência e pela inovação contínua.