Bioinsumos em soja: qual a sua função?

Confira no artigo da Campo & Negócios Hortifrúti para a edição de janeiro tudo sobre a função dos bioinsumos na soja.
Acompanhe tudo sobre Adubação, Bioinsumos, Soja e muito mais!
Foto: Luize Hess

Marina Barros Zacharias
Bacharela em Agroecologia (UFSCar) e doutoranda em Fitotecnia – ESALQ/USP
marinazacharias@terra.com.br  
Alasse Oliveira da Silva
Mestrando em Fitotecnia – ESALQ/USP
alasse.oliveira77@usp.br  
Abimael dos Santos Carmo Filho
Engenheiro agrônomo e doutorando em Fitotecnia – ESALQ/USP
abmaelfilho@hotmail.com  

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII), na publicação Outlook GlobalFert® (2021), os produtores brasileiros têm verificado incremento de mais de 10% em produtividade em lavouras de soja devido à expansão da técnica de coinoculação (aplicação de Bradyrhizobium + Azospirillum), técnica esta que, na safra 2019/20, ganhou espaço em mais de nove milhões de hectares no Brasil.

No campo

Um dos exemplos mais conhecidos de sucesso no uso de insumos biológicos é a utilização de bactérias fixadoras de nitrogênio na cultura da soja, que assimilam N2 atmosférico. Elas disponibilizam nitrogênio às plantas em uma forma assimilável, promovendo incremento no rendimento de sementes e grãos e tornando desnecessário o uso de fertilizantes comerciais nitrogenados, que poderiam ser facilmente perdidos por lixiviação e apresentam custo significativo na produção.

Potencial

Há potencial para uso de bioestimulantes no cultivo de soja, como verificado em pesquisas utilizando extrato da alga marinha Ascophyllum nodosum, em que o produto auxilia na resistência da planta a condições climáticas adversas e os compostos presentes agem no metabolismo, reduzindo também a fitotoxicidade a herbicidas como o glifosato.

De acordo com a Embrapa, cerca de 33 milhões de hectares de áreas cultivadas com soja no Brasil utilizam bactérias do gênero Bradyrhizobium para promover a fixação biológica de nitrogênio, resultando em economia de US$ 8 bilhões por ano, devido à não utilização dos fertilizantes nitrogenados convencionais.

O que se vê

Dentre os diversos benefícios dessa tecnologia, mais carbono é incorporado ao solo e as perdas de nitrogênio para o ambiente são minimizadas. É nítido o custo-benefício da adoção de bioinsumos nas lavouras, como manutenção da resiliência e maior sustentabilidade na produção agrícola.

No caso do uso de organismos que favorecem a fixação biológica de nitrogênio, verifica-se que o aporte de nitrogênio não se torna excessivo, como ocorre com os fertilizantes nitrogenados sintéticos, em que as perdas podem superar 50% do que foi aplicado no agroecossistema, levando à contaminação de cursos d’água, aumento de gases de efeito estufa e implicando em alto custo de produção.

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