O comércio entre Brasil e Estados Unidos segue em desaceleração em 2026. As exportações brasileiras para o mercado americano somaram US$ 10,9 bilhões entre janeiro e abril — queda de 16,7% em relação ao mesmo período de 2025 e o menor valor exportado para os EUA desde 2023. As importações de produtos americanos também recuaram 13% no quadrimestre. Os dados são do Monitor do Comércio Brasil-EUA da Amcham Brasil e revelam que, enquanto as exportações brasileiras para o mundo cresceram 9,2% no período, as vendas para os EUA foram na direção oposta.
Exportações: nono mês consecutivo de queda
Só em abril, as exportações brasileiras aos EUA caíram 11,5%, alcançando US$ 3,1 bilhões — o nono mês consecutivo de queda nas vendas para o mercado americano. Os principais fatores de pressão no mês foram:
- Petróleo bruto: -45,6%
- Café não torrado: -46,1%
No acumulado do quadrimestre, os EUA responderam por 9,4% do total exportado pelo Brasil ao mundo — participação que reflete a perda de relevância do destino americano na pauta exportadora brasileira.
Importações: máquinas, aeronaves e combustíveis puxam a queda
As compras brasileiras de produtos americanos recuaram 13% no acumulado do quadrimestre e 18,1% apenas em abril, influenciadas principalmente pela redução nas importações de:
- Motores e máquinas
- Aeronaves e partes
- Óleos combustíveis
Tarifas e sobretaxas: quem perdeu mais
O levantamento da Amcham detalha o desempenho por categoria tarifária em abril:
- Bens sem sobretaxas: queda de 25,2% — as maiores perdas do mês
- Produtos com sobretaxa de 10%: recuo de 7,6%
- Itens da Seção 232 (aço e alumínio): crescimento de 22,5%, puxado pelos embarques de aço e alumínio (+44,3%)
No acumulado do ano, os produtos sujeitos à sobretaxa de 10% registraram a maior queda entre os grupos analisados: -23,7%.
Déficit bilateral sobe 35% no quadrimestre
Com exportações caindo em ritmo mais intenso do que as importações no acumulado de janeiro a abril, o déficit brasileiro na balança comercial com os EUA aumentou 35% no período, chegando a US$ 1,3 bilhão.
A janela diplomática e o alerta da Amcham
“A contração das trocas bilaterais em abril, com queda simultânea das exportações e importações, reforça a importância de aproveitar a janela de diálogo acordada entre os dois presidentes na semana passada para avançar rapidamente em negociações que evitem novas tarifas e permitam retomar o crescimento do comércio bilateral”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
O relatório completo está disponível em: Monitor do Comércio Brasil-EUA – Abril 2026
Fonte: Amcham Brasil — Monitor do Comércio Brasil-EUA