Cebolas superprecoces são tendência de mercado

Publicado em 2 de fevereiro de 2018 às 07h40

Última atualização em 2 de fevereiro de 2018 às 07h40

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Valter Rodrigues Oliveira

Pesquisador da Embrapa Hortaliças

Crédito Embrapa Hortaliças
Crédito Embrapa Hortaliças

A cultivar, sozinha, não é garantia de sucesso de uma lavoura de cebola, mas a escolha equivocada certamente comprometerá a produção, podendo até inviabilizar a lavoura.

As cultivares de cebola variam substancialmente quanto à região de adaptação, época de plantio, exigências nutricionais, potencial produtivo, resistência/tolerância a pragas, padronização comercial, qualidade pós-colheita e ciclo de cultivo.

Há grande variação de ciclo entre as cultivares, de modo que para uma dada região e época de plantio é habitual separar as cultivares recomendadas em superprecoces, precoces, de ciclo normal e, em alguns casos, tardias.

Precocidade, portanto, se refere à habilidade da cultivar completar seu ciclo de vida mais cedo do que outras plantadas em condições similares. No caso da cebola, a precocidade pode estar associada à capacidade da planta de iniciar a bulbificação mais cedo e/ou de encurtar a fase de formação e maturação dos bulbos.

O ciclo é inerente a cultivar, mas sofre influência muito forte das condições de cultivo. Fatores que atuam mais intensamente no crescimento da planta, tais como: comprimento de dia, temperatura, luminosidade, nutrição, adubação, água, modificam o crescimento e, consequentemente, o ciclo de vida da planta, e dificultam estabelecer com precisão o ciclo de uma cultivar.

Interação de fatores

Apesar de o comprimento de dia ser o principal componente ambiental envolvido na bulbificação, a interação entre fotoperíodo e temperatura é tal que o fotoperíodo mínimo para uma cultivar nunca pode ser definido sem considerar a temperatura correspondente.

Precocidade tem sido uma característica buscada no melhoramento da cebola para todas as regiões de cultivo. O encurtamento do ciclo da cebola traz aspectos positivos para o agricultor, como: maior eficiência no uso da terra, pois o ciclo curto proporciona maior flexibilidade de rotação de culturas; possibilidade de escape a estresses bióticos (pragas) e abióticos (por exemplo, a excesso/falta de chuvas e/ou a altas/baixas temperaturas); chance de redução no número de entradas na área para manejo de pragas, com consequente redução no uso de agrotóxicos e no custo de produção; possibilidade de redução no uso da irrigação e até no consumo de água e nutrientes; oportunidade de ajustar a lavoura para colheita em períodos de melhores preços (antecipação).

Desafios

Apesar de serem inúmeros os aspectos positivos proporcionados pela precocidade, desenvolver cultivares de cebola que associem precocidade, alto potencial produtivo e boa conservação pós-colheita é um desafio.

Precocidade e longevidade pós-colheita, em geral, seguem direções opostas, ou seja, cultivares precoces tendem a ter longevidade pós-colheita menor. Isso porque quanto menor o ciclo da cebola, menor é o acúmulo de matéria seca e de compostos orgânicos que, além de conferir sabor e odor característicos da cebola, conferem proteção à cebola contra a ação de microrganismos causadores de apodrecimento pós-colheita.

É importante lembrar que, assim como o ciclo de uma cultivar pode ser sensivelmente alterado pela ação de fatores do ambiente, a qualidade pós-colheita depende das condições da lavoura nos aspectos de sanidade, nutrição, adubação, manejo da água e, principalmente, cuidados na colheita e cura. Se essas etapas forem observadas com rigor, cebolas precoces de excelente qualidade poderão ser produzidas, sem ter que lançar mão de cultivares de ciclo mais longo.

Essa matéria você encontra na edição de fevereiro 2018  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua.

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