Ciro Maia de Brito
Supervisor de pesquisa – Fundação MT
cirobrito@fundacaomt.com.br
Patrícia Matias
Pesquisadora de olos – Fundação MT
Patriciamatias@fundacaomt.com.br
Mônica Muller
Pesquisadora de fitopatologia – Fundação MT
Monicamuller@fundacaomt.com.br
A combinação de déficit hídrico e altas temperaturas reduz a capacidade fotossintética das plantas, comprometendo a produção de energia necessária para o desenvolvimento das estruturas reprodutivas. Além disso, o estresse acelera a senescência das plantas, reduzindo o período efetivo de enchimento dos grãos.
Na soja, os principais prejuízos são o abortamento de flores e vagens, enquanto no milho o estresse compromete a polinização e reduz a fecundação, resultando em menor número de grãos por espiga.
Em ambos os cultivos, a consequência é a redução do enchimento dos grãos e perdas significativas de produtividade.
El Niño altera a dinâmica de pragas e doenças
As oscilações climáticas associadas ao El Niño também modificam a pressão de pragas e doenças nas principais regiões produtoras do Brasil.
Em anos com maior frequência de chuvas, aumenta a incidência de doenças foliares, tornando o manejo preventivo uma das principais ferramentas para minimizar perdas. A escolha de produtos eficientes e a definição de intervalos adequados de aplicação devem considerar a sensibilidade das cultivares e as características do sistema de produção.
Nos períodos mais secos, algumas pragas tendem a ganhar importância econômica, como mosca-branca, tripes, ácaros e pulgões. Dias consecutivos de temperaturas elevadas também podem acelerar o ciclo biológico dos insetos, favorecendo o aumento das populações no campo.
Nesse cenário, o monitoramento frequente das lavouras torna-se fundamental para identificar o momento correto das intervenções e aumentar a eficiência do manejo fitossanitário.
Solo saudável aumenta a resiliência das lavouras
Entre as estratégias mais eficientes para reduzir os impactos das variações climáticas está a construção de um solo quimicamente corrigido, fisicamente estruturado e biologicamente ativo.
Práticas como correção química, redução das camadas compactadas, rotação de culturas e elevada produção de palhada favorecem a cobertura do solo, aumentam a infiltração e o armazenamento de água e melhoram a drenagem em períodos de excesso de chuvas.
Essas práticas também estimulam o aprofundamento do sistema radicular, permitindo que as plantas explorem um maior volume de solo, aumentem a eficiência no aproveitamento de água e nutrientes e mantenham níveis mais estáveis de produtividade ao longo dos anos.
Bioestimulantes complementam o manejo
O uso de bioestimulantes vem ganhando espaço como ferramenta auxiliar para enfrentar os estresses climáticos. Produtos à base de aminoácidos e extratos de algas podem ajudar a manter o metabolismo das plantas ativo em situações adversas, favorecendo o desenvolvimento do sistema radicular e a recuperação fisiológica após períodos de estresse.
Essas tecnologias atuam como moduladores fisiológicos, estimulando mecanismos naturais de defesa das plantas. Entretanto, seus resultados dependem de fatores como intensidade do estresse, momento de aplicação e condições gerais da lavoura.
Por isso, os bioestimulantes devem ser considerados ferramentas complementares, integradas às boas práticas de manejo agronômico.

Diversificação é a melhor estratégia para o Cerrado
Diante da crescente instabilidade climática, a principal recomendação para os produtores do Cerrado é investir na diversificação dos sistemas produtivos.
A estratégia inclui o uso de sementes de alta qualidade, cultivares de diferentes ciclos, materiais com maior estabilidade produtiva e resistência às adversidades, além do escalonamento da semeadura dentro das janelas recomendadas.
Outro ponto fundamental é o investimento contínuo na qualidade e na saúde do solo, criando sistemas produtivos mais resilientes às oscilações climáticas.
A combinação entre diversificação genética, manejo adequado do solo e planejamento das operações agrícolas continua sendo uma das formas mais eficientes de proteger a produtividade diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Principais estratégias para reduzir os impactos climáticos
| Desafio | Impactos | Estratégias recomendadas |
| Seca e altas temperaturas | Redução da fotossíntese, falhas na polinização, abortamento de flores e vagens e menor enchimento dos grãos | Escolha adequada de cultivares, manejo do solo e escalonamento da semeadura |
| Chuvas frequentes | Maior incidência de doenças foliares e dificuldade no manejo fitossanitário | Manejo preventivo, monitoramento e aplicações eficientes |
| Períodos secos | Maior ocorrência de mosca-branca, tripes, ácaros e pulgões | Monitoramento constante e intervenções no momento adequado |
| Baixa capacidade do solo em armazenar água | Maior vulnerabilidade à seca e ao encharcamento | Correção do solo, rotação de culturas, redução da compactação e manutenção da palhada |
| Estresse fisiológico das plantas | Queda no metabolismo e na recuperação das culturas | Uso complementar de bioestimulantes e boas práticas de manejo |
| Instabilidade climática no Cerrado | Oscilações na produtividade | Diversificação de cultivares, escalonamento do plantio e investimento na saúde do solo |


