Produtor não deve utilizar água sanitária para dessecar a soja

Prática, apesar de antiga, ainda é realizada erroneamente e não é recomendada, alerta especialista
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Divulgação

A água sanitária, solução à base de hipoclorito de sódio, por sua ação clareadora e ao mesmo tempo bactericida, é amplamente utilizada no Brasil para diferentes fins. Mas, uma prática antiga tem colocado essa substância em pauta quanto ao seu uso na agricultura. Compartilhada como uma “receita milagrosa”, voltou à tona recentemente no campo a sua utilização em caldas para dessecação de plantas daninhas na soja, em substituição ou em combinação com herbicidas comerciais.

No entanto, esse uso está baseado em mitos e crenças, e a eficácia é controversa. “Essa utilização vem de um sujeito oculto, que não sabe de onde vem e quando veio, mas que infelizmente, está sendo replicado”, relata, Marcelo Hilário, Químico Responsável por PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) da Sell Agro. O Químico diz que nesses casos, as folhas da soja podem queimar, simulando até que a dessecação deu certo. No entanto, os grãos são atacados pela água sanitária, levando a sérios problemas durante o armazenamento dos mesmos e ocasionando perda na produção.

Quando adicionada à calda de agroquímicos, a água sanitária aumenta significativamente o pH. “Os herbicidas utilizados na dessecação têm maior eficácia em um ambiente com pH ácido, geralmente na faixa entre pH=3 e pH=5. No entanto, a adição do hipoclorito de sódio à calda eleva o pH para níveis alcalinos (em torno de 13), o que pode resultar na inativação desses produtos”, esclarece Hilário.

O que de fato se deve fazer

Para melhorar a performance dos herbicidas, recomenda-se o uso de adjuvantes químicos de qualidade, ao invés de confiar em métodos tradicionais não comprovados.

A aplicação adequada dos agroquímicos é essencial para garantir sua eficácia e tecnologias como as dos adjuvantes também ajudam a melhorar a penetração dos herbicidas nas plantas. “É importante confiar na ciência e evitar mitos infundados.Seguir práticas baseadas em evidências é benéfico tanto para a colheita quanto para o bolso do agricultor”, reitera o especialista da Sell Agro.

Mesmo considerando que alguns produtores rurais operam sem pleno conhecimento, ainda assim, existe um potencial significativo e uma produtividade considerável no Brasil. “No entanto, se todos eles atingissem um nível técnico mais elevado, em situações como essa, por exemplo, do uso da água sanitária, poderíamos aumentar nossa produção em até 20%”, finaliza Hilário.

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