Oídio em morango

O cultivo de pequenas frutas vem inovando o mercado e chamando a atenção de produtores ...
Folha de morango - Crédito: Hélcio Costa

Publicado em 11 de março de 2021 às 08h46

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h43

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Suzeth Carvalho SousaGraduanda em Agronomia – Unicerradosuzecarvalho10@gmail.com

Pauletti K. RochaEngenheira agrônoma, mestra em Agronomia e diretora do curso de Agronomia – Unicerrado paulettirocha@unicerrado.edu.br

Folha de morango – Crédito: Hélcio Costa

O cultivo de pequenas frutas vem inovando o mercado e chamando a atenção de produtores e consumidores, devido ao custo reduzido de implantação e boa adaptabilidade a diversos ambientes. Entre estas pequenas frutas está o morango (Fragaria x ananassa), uma espécie pertencente à família Rosaceae com características atrativas, como aparência, sabor, aroma e alto valor nutricional.

Na cultura do morango, ocorre a incidência de diversas doenças, podendo estas serem provocadas por fungos, bactérias, vírus, viroides, fitoplasmas e nematoides, que causam prejuízos e redução na produção.

Dentre elas, destaca-se o oídio, uma doença fúngica que inicialmente tem importância secundária na cultura, mas que vem adquirindo relevância devido à sua severidade, que pode variar de acordo com as regiões produtoras, formas de cultivo e tipos de cultivares.

O fungo causa danos às folhas, flores e frutos, afetando o rendimento e qualidade da produção. Quando há infecções severas nas folhas, ocorre a redução da área foliar e assim afeta a fotossíntese, a necrose e também a desfolha.

Sintomas

Os sintomas notados em folhas são manchas brancas com aspecto pulverulento, contendo micélios e esporos do fungo, os quais evoluem até recobrir toda a face inferior da folha, podendo ocorrer também a formação de manchas de coloração avermelhada em ambas as superfícies da folha.

Outras partes da planta, como pecíolos de folhas, pedúnculos das flores, flores e frutos também podem conter a pulverulência branca, indicando o crescimento do fungo. Os frutos, quando atacados no início de seu desenvolvimento, tornam-se endurecidos e secos. Os maduros mantêm-se firmes e carnudos, porém, recobertos com o micélio branco, assim como os imaturos.

Condições para a doença

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A doença apresenta severidade principalmente quando o cultivo é realizado em ambiente protegido (estufas), onde se tem altas temperaturas e curtos períodos de molhamento. O desenvolvimento do patógeno é favorecido pelas condições de clima seco, onde temperaturas entre 20 e 25°C e umidade relativa baixa aumentam a infestação da doença.

A disseminação ocorre principalmente através do vento, que transporta os conídios a longas distâncias, entretanto, as gotas de água e insetos também atuam na dispersão do fungo.

O controle da doença pode ser realizado de diversas formas com o auxílio de práticas culturais, sendo o controle químico, variedades resistentes e métodos alternativos. A destruição de restos culturais, como folhas, ramos, flores e frutos atacados evita novos focos de infecção.

Irrigações pelo método de aspersão também favorecem o controle da doença, em virtude da germinação dos conídios não ocorrer na presença de filme de água sobre a folha.

Manejo eficiente

Manter o espaçamento adequado entre plantas, para que as mesmas fiquem arejadas e recebam luz solar, é uma prática que contribui para o não surgimento do patógeno e redução das fontes de inóculo, sendo de grande importância em estufas, que são ambientes quentes e úmidos, onde esse tipo de doença se desenvolve e propaga rapidamente.

Realizar pulverizações com produtos à base de enxofre diminui a esporulação e estabiliza a infecção. Os tebuconazoles e tiofanatos metílicos são recomendados no início do surgimento dos primeiros sintomas, de acordo com a dosagem e intervalo de aplicação do fabricante, porém, eles não devem ser utilizados no início do desenvolvimento da cultura, pois podem inibir o crescimento das plantas.

Fungicidas à base de azoxistrobina, que atuam de forma sistêmica, também são ingredientes ativos eficazes, quando aplicados de maneira preventiva.

Alternativas viáveis

Devido ao alto custo do controle químico e resultados adversos à saúde e ao meio ambiente, outras opções de controle têm sido empregadas na contenção da doença, dentre elas o uso de variedades resistentes e alguns produtos alternativos, que reduzem os danos e os custos, quando comparados aos outros fungicidas comerciais.

Produtos como óleo de neem, extrato de própolis e bicarbonato de sódio, utilizados em pulverizações, demonstram eficiência na prevenção e ainda no controle do patógeno.

Portanto, prevenir o surgimento da doença é mais viável que o controle da mesma, tanto em aspectos econômicos quanto ambientais. O manejo adequado na condução da cultura, pela escolha de uma variedade resistente, nutrição adequada e uma correta irrigação, são técnicas que proporcionam o desenvolvimento de plantas vigorosas e saudáveis, o que dificulta o ataque do fungo e assim a produtividade e a qualidade da lavoura não serão prejudicadas.

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