O magnésio e as altas produtividades do cafeeiro

Crédito Cristiano Soares de Oliveira

Publicado em 10 de junho de 2015 às 07h00

Última atualização em 10 de junho de 2015 às 07h00

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André Guarçoni Martins

Doutor em Solos e Nutrição de Plantas e pesquisador do Incaper

guarconi@incaper.es.gov.br

 

Crédito Cristiano Soares de Oliveira
Crédito Cristiano Soares de Oliveira

Em geral, o magnésio (Mg) é o 8º mineral em abundância na crosta terrestre, mas é o 2º nutriente mais abundante no complexo de troca do solo (CTC), vindo depois do cálcio (Ca2+) e antes do potássio (K+), uma vez que está presente no solo e é absorvido pelas plantas na forma de cátion bivalente (Mg2+).

Essa ordem se dá devido ao fato dos materiais de origem do solo apresentarem maior quantidade de Ca, e também ao intemperismo, especialmente ao processo de lixiviação (arraste do elemento com a água que percola no perfil do solo).

O Mg é retido no solo com menor energia do que o Ca, apesar de apresentar a mesma valência (2+) (quanto maior a valência, maior a energia de adsorção/retenção no solo).

Outra característica que interfere na energia de adsorção dos elementos químicos no solo é o raio iônico hidratado, de forma que, quanto menor o raio iônico hidratado, maior a energia de retenção, e o Ca apresenta menor raio iônico que o Mg.

Quando o solo é saturado com água, via chuva ou irrigação, esta desce no perfil do solo, arrastando os elementos químicos retidos com menor energia, o que ocorre com o Mg em relação ao Ca.

Essas características definem a participação do Mg no complexo de troca do solo (CTC). Nos solos em geral, o magnésio trocável (Mg2+) normalmente constitui de 5 a 20% da CTC, enquanto o Ca2+ representa em torno de 35 a 45% e o K+ cerca de 5% da CTC, mas em solos de regiões tropicais, muito intemperizados, esta participação pode ser ainda menor.

As pulverizações de magnésio devem considerar o estado do solo - Crédito Daniel Vieira
As pulverizações de magnésio devem considerar o estado do solo – Crédito Daniel Vieira

Competição

Há, no solo, uma verdadeira competição pelos sítios de ligação, o que pode causar deficiência de nutrientes que serão perdidos por lixiviação em relação a outros, que irão ocupar o complexo de troca do solo, caso sejam aplicados em grande quantidade.

Isso se dá, pois, quanto maior a concentração de um elemento na solução do solo, maior sua preferencialidade de troca. Dessa forma, independentemente da valência e do raio iônico hidratado, se forem aplicados Ca ou K em demasia, certamente haverá deficiência de Mg, devido às perdas por lixiviação.

Isso pode ocorrer quando forem aplicados insumos, em altas doses, que não contenham Mg, mas sim Ca ou K, como é o caso do gesso e do KCl, respectivamente.

Além do processo de lixiviação, pode também ocorrer competição quanto à absorção de Mg pelas raízes, causada por outros cátions, como os próprios Ca2+ e K+, e NH4+, Mn2+ e H+. Esses processos podem induzir à deficiência de Mg, mesmo que os teores iniciais sejam adequados no solo.

A deficiência de magnésio impede que a planta complete seu ciclo vital - Crédito Cristiano Soares de Oliveira
A deficiência de magnésio impede que a planta complete seu ciclo vital – Crédito Cristiano Soares de Oliveira

O solo

Solos intemperizados, ácidos, como a maioria dos solos brasileiros, especialmente os mais arenosos, geralmente apresentam baixa concentração de Mg. Essa característica pode ser agravada por períodos de veranico, pois o Mg deve ser transportado até a raiz das plantas para ser absorvido.

Seu transporte no solo se dá, prioritariamente, por fluxo em massa, o que requer adequado volume de água transpirado pelas plantas, gerando um potencial hídrico negativo de água para próximo das raízes, sendo o Mg transportado junto com esse fluxo. Portanto, o conteúdo de água no solo é essencial para a absorção de Mg.

O magnésio não pode ser substituído por outro com propriedades similares - Crédito Epamig
O magnésio não pode ser substituído por outro com propriedades similares – Crédito Epamig

Magnésio como nutriente de plantas

O magnésio é um nutriente de plantas, pois cumpre os critérios de essencialidade, estabelecidos já em 1939 por Arnon e Stout:

1) Sua deficiência impede que a planta complete seu ciclo vital;

2) O elemento não pode ser substituído por outro com propriedades similares;

3) O elemento deve participar diretamente do metabolismo das plantas.

Os critérios de essencialidade podem ser traduzidos numa linguagem mais prática – com deficiência de Mg, a planta não completa seu ciclo de vida (no campo, uma deficiência que leve à morte das plantas dificilmente é observada, mas a redução na produtividade é uma consequência em caso de deficiência).

Nesse caso, não adianta aplicar outro nutriente ou elemento. Se faltar Mg, apenas sua aplicação pode suprir a necessidade das plantas. Por participar do metabolismo das plantas de forma específica, sua deficiência leva a sintomas visuais também específicos, que estão diretamente ligados às suas funções.

Funções do magnésio no cafeeiro

As funções do Mg no metabolismo do cafeeirose iniciam por seu papel estrutural como átomo central da molécula de clorofila.O Mg corresponde a 2,7% do peso molecular da clorofila, ou seja, é essencial para o processo de fotossíntese das plantas, que é basicamente a formação açúcares a partir de CO2 e água, sob efeito da energia cedida pela luz solar.

É, também, ativador enzimático ” o Mg ativa mais enzimas do que qualquer outro elemento. Participa da ativação de enzimas envolvidas na respiração, na fotossíntese e, especialmente, aquelas responsáveis pela transferência de grupos fosfatos (ATPases e fosfatases).

 

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