Minas Gerais deu um passo concreto rumo ao mercado europeu: 360 sacas de 60 kg de café especial da Fazenda da Serra embarcaram para a Itália neste mês com a chancela do Selo Verde MG — plataforma gratuita do Governo de Minas que atesta a conformidade ambiental e socioeconômica das propriedades rurais. A exportação, realizada pela Associação de Produtores do Café da Região Vulcânica de Poços de Caldas, é a primeira do Sul de Minas a utilizar o selo e chega em momento estratégico: o Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) entra em vigor de forma escalonada em julho de 2026, e o Acordo Mercosul-União Europeia começa a vigorar provisoriamente em maio.
Por que o Selo Verde MG foi decisivo para a exportação
A conformidade ambiental da Fazenda da Serra passou por critérios rigorosos antes do embarque. “Foi determinante na exportação desse primeiro lote a adoção de boas práticas como a preservação correta das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e da reserva legal, além do cumprimento das questões trabalhistas dos funcionários”, explica o engenheiro agrônomo Leonardo Davi Sanches Cipriani, responsável técnico da propriedade.
Para o diretor executivo da Associação, Ulisses Ferreira de Oliveira, a chancela oficial abre uma janela comercial relevante. “O acesso ao Selo Verde MG é um procedimento sem custo para o produtor, exportador e importador. Esse reconhecimento nos ajuda a comprovar o quanto nossa região já pratica uma cafeicultura sustentável e esperamos ter uma abertura maior para nossa produção no mercado europeu.”


O que é o Selo Verde MG?
Lançada em 2023 e vencedora do Prêmio de Sustentabilidade da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), a plataforma Selo Verde MG é uma ferramenta pública que emite relatórios e certidões gratuitas de conformidade ambiental com base em dados oficiais.
A iniciativa foi desenvolvida pelo Governo de Minas por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e do Instituto Estadual de Florestas (IEF), em parceria com a UFMG e com apoio do programa AL-INVEST Verde da União Europeia.
Atualmente, a plataforma integra mais de 1,1 milhão de propriedades rurais em Minas Gerais e analisa indicadores como desmatamento irregular, uso do solo, vegetação nativa preservada e dados sociais. As cadeias produtivas contempladas incluem café, soja, pecuária bovina, cana-de-açúcar e florestas plantadas.
“A Secretaria de Agricultura teve papel decisivo no alinhamento metodológico do Selo Verde às exigências internacionais relacionadas à rastreabilidade, à conformidade ambiental e ao uso de dados oficiais, antecipando demandas que passaram a ganhar centralidade no comércio internacional”, afirma Pedro D’Angelo Ribeiro, assessor de Gabinete da Seapa.
EUDR e Acordo Mercosul-UE: o novo cenário para exportadores
Dois marcos regulatórios tornam o Selo Verde MG ainda mais estratégico para os próximos meses:
Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) — Em vigor de forma escalonada a partir de julho de 2026, o regulamento proíbe a entrada de produtos associados ao desmatamento ocorrido após 31 de dezembro de 2020 no bloco europeu. O alcance é amplo: café, soja, cacau, carne bovina, madeira e outras cadeias relevantes para o Brasil estão incluídas. Exportadores precisarão comprovar rastreabilidade e origem sustentável.
Acordo Mercosul-União Europeia — Em vigor de forma provisória a partir de maio de 2026, o acordo prevê o uso de dados públicos e plataformas oficiais para o comércio bilateral — um encaixe direto com a proposta do Selo Verde MG.
“Entregamos aos produtores mineiros uma plataforma gratuita, confiável e capaz de atender à comprovação de sustentabilidade exigida pelo bloco europeu”, conclui Pedro D’Angelo.
Fonte: Governo de Minas / Seapa / Associação de Produtores do Café da Região Vulcânica de Poços de Caldas