8ª Abertura da Colheita da Noz-Pecã reúne produtores no RS e coloca irrigação no centro do debate

IBPecan realiza 8ª Abertura da Colheita da Noz-Pecã em Nova Pádua (RS) no dia 8 de maio. Produtor relata como irrigação salvou a safra em ano de estiagem.
Propriedade Maróstica - Crédito Divulgação
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“Se eu não tivesse tido irrigação este ano, eu tinha perdido a colheita.” A frase é do produtor Arlindo Marostica, anfitrião da 8ª Abertura Oficial da Colheita da Noz-Pecã, que acontece no dia 8 de maio em Nova Pádua (RS), e resume um dos debates mais relevantes da pecanicultura gaúcha: o papel da irrigação na segurança produtiva dos pomares. O evento, organizado pelo Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), reúne produtores, pesquisadores e técnicos para discutir manejo, custos e produtividade na cultura.

Irrigação: de diferencial a necessidade

A nogueira-pecã depende de insolação para se desenvolver, mas a falta de chuvas na fase de enchimento dos frutos compromete diretamente a produtividade e causa estresse hídrico nas árvores. Foi exatamente esse cenário que motivou Marostica a instalar um sistema de irrigação no seu pomar — com subsídio de 20% do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

O resultado foi imediato e visível na qualidade da colheita. “Em anos anteriores, ao fazermos a colheita, caíam mais folhas do que frutos. Tínhamos que colher sete caixas de folhas e nozes para dar uma de nozes. Agora, a cada duas caixas praticamente colhidas, dá uma caixa de nozes já limpas”, compara o produtor.

Além do rendimento operacional, Marostica destaca o impacto da irrigação nas safras futuras. “A safra do ano que vem e, quem sabe até dos dois anos futuros, está desenhada agora. Se tiver o pé fortalecido, bem nutrido e com muitos ramilhos, eu tenho garantia das safras futuras.”

Painel temático: irrigação, manejo e custos em debate

O tema será aprofundado no Painel Temático do evento, intitulado “Entre o pomar e a colheita: Experiências, desafios e decisões que constroem a safra”. Participam do painel:

  • Arlindo e Vânia Marostica — produtores, relato de experiência com irrigação
  • Jaceguáy Barros — diretor técnico do IBPecan
  • Eduardo Basso — ex-presidente do IBPecan
  • Ezequiel Saretta — professor da UFSM

O produtor que nasceu agricultor

Marostica tem uma trajetória que mistura determinação e paixão pela terra. Nascido em 1955, ajudou os pais no parreiral desde os cinco anos. Passou pelo seminário, foi concursado do Banco do Brasil e fixou residência em Pernambuco — mas o chamado da agricultura nunca desapareceu. O retorno ao campo aconteceu em 2010, quando implantou o pomar que está agora na 16ª brotação.

“Andar pela vida urbana foi o que me permitiu este retorno, pois do contrário, não conseguiria aguardar a produção de pecans, que levam de seis a oito anos, só injetando dinheiro e amor”, conta.

E o segredo para ter um dos pomares com maior produtividade do Brasil? “Tenho que falar com elas. Quando eu falo com elas, eu falo mesmo, eu abraço. É preciso ter uma interação, dar-se conta de como está a saúde da árvore”, revela Marostica.

Programação completa — 8 de maio, Nova Pádua (RS)

Local: Salão Comunitário da Capela Sagrado Coração de Jesus — Comunidade Travessão Bonito, Nova Pádua (RS)

HorárioAtividade
8h às 9h30Credenciamento e visita aos estandes
9h30 às 10hAbertura, boas-vindas e novidades da pecanicultura; lançamento do livro “Nogueira-pecã: cultivo, benefícios e perspectivas” e nova edição da Revista Brasil Pecan
10h às 11hPainel temático — irrigação, manejo e custos de produção
11h às 11h30Cerimônia oficial
11h30 às 12h30Deslocamento ao pomar e colheita simbólica
12h30 às 14hAlmoço com programação cultural
14h às 17hVisitação aos estandes e apresentações comerciais

Realização e apoio

A 8ª Abertura da Colheita da Noz-Pecã é uma realização do IBPecan, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do RS (Seapi) e do programa Pró-Pecan, com apoio da Emater e da Embrapa.

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