Ciro Alexandro Maronezzi de Paula
Edcarlos Rodrigues Fernandes
Danyanne Mariano Dias
Engenheiros agrônomos – Biofertil Brasil
Fábio Henrique de Paula Maronezzi
Biólogo, mestrando em Produção Vegetal e diretor técnico – Biofertil Brasil
Victor Augusto Pezoti Silverio
Engenheiro agrônomo, mestrando em Produção Vegetal e coordenador de pesquisa • Biofertil Brasil
Resumo
Nesse contexto, fertilizantes organominerais líquidos complexados na cadeia orgânica (linha Max Humic) destacam-se por aliar nutrição mais eficiente ao condicionamento e à melhoria da microbiologia do solo.
Estudos de campo conduzidos no Cerrado Mineiro (EPAMIG, ACA Araguari, Centro de Pesquisa Mario Jordão, GecaFe, Fronterra e C3 Consultoria) demonstraram que a complexação molecular e a presença de ácidos húmicos e fúlvicos aumentam a eficiência de uso dos nutrientes, permitindo produtividade equivalente ou superior com doses reduzidas de N e K₂O.
Esse manejo reduz a condutividade elétrica do solo, preserva a microbiota benéfica (Trichoderma spp.), auxilia no controle de fitonematoides e, ao diminuir a aplicação de nitrogênio, contribui para a redução da emissão de gás carbônico atmosférico, conciliando alta performance agronômica com sustentabilidade ambiental.
INTRODUÇÃO
A maioria dos solos do Cerrado, presentes em vasta extensão territorial do Brasil Central, apresenta particularidades edafoclimáticas estratégicas para a agricultura tecnificada. Contudo, são solos altamente intemperizados, tipicamente ácidos e com baixos teores naturais de nutrientes disponíveis, notadamente o fósforo (P), o que impõe desafios severos para a consolidação de sistemas produtivos de alta performance sustentável (Sousa & Lobato, 2004). Caracterizam-se ainda por expressiva saturação por alumínio e ferro trocáveis, em associação a frações de argila de baixa capacidade de troca catiônica (CTC), favorecendo reações de fixação e retenção de ânions que limitam a biodisponibilidade para as plantas. Adicionalmente, períodos prolongados de déficit hídrico estacional impõem estresses fisiológicos complementares, comprometendo o fluxo transpiratório e a dinâmica de absorção radicular (Santos et al., 2018).
Dentre os macronutrientes primários, o nitrogênio (N) atua de maneira decisiva na expansão da área foliar fotossinteticamente ativa, no crescimento vegetativo de ramos plagiotrópicos e na iniciação de botões florais, sendo constituinte estrutural de aminoácidos, proteínas e moléculas de clorofila localizadas nos cloroplastos. O potássio (K), por sua vez, assume demanda crescente a partir da fase reprodutiva, sobretudo no estádio de expansão e enchimento dos frutos, atuando na regulação osmótica, na ativação enzimática e na translocação de carboidratos solúveis a partir das folhas-fonte em direção aos drenos reprodutivos. As demandas nutricionais do cafeeiro adulto e a distribuição quantitativa de nutrientes relacionam-se diretamente com a idade fenológica da lavoura, o vigor vegetativo anual e a carga pendente de frutos (Matiello et al., 2005).
Historicamente, lavouras cafeeiras alocadas em diferentes pólos produtivos experimentam oscilações de rendimento ocasionadas por interações edáficas, climáticas e gerenciais, dentre as quais o manejo nutricional inadequado figura como um dos fatores determinantes para a obtenção de médias inferiores ao potencial genético dos cultivares modernos (Guimarães & Reis, 2010). Uma vez ajustadas as características químicas e biológicas do perfil explorado pelas raízes, a cultura manifesta ampla capacidade produtiva (Matiello et al., 2010). Desta forma, a eficiência técnica na aplicação e assimilação dos nutrientes acarreta reflexos substanciais na produtividade final por hectare e nos custos operacionais da saca produzida (Amaral et al., 2011).
O monitoramento contínuo da disponibilidade de elementos no solo e do estado nutricional dos tecidos constitui ferramenta diagnóstica indispensável para corrigir níveis críticos de deficiência oculta, toxidez ou desbalanços iônicos (Meldal-Johnsen & Sumner, 1980). A ocorrência de desequilíbrios induz respostas adaptativas que demandam expressivo gasto energético pela planta, reduzindo o crescimento dos tecidos e impactando negativamente a produtividade das safras (Martinez & Neves, 2015). Nesse cenário, a análise química foliar atua de maneira complementar, subsidiando a calibração de modelos de recomendação racionais e econômicos (Prezotti et al., 2007).
O diagnóstico do tecido vegetal fundamenta-se na existência de correlações funcionais diretas entre o suprimento do elemento, seu acúmulo interno e a expressão biomássica correspondente (Evenhuis & Waar, 1980; Jones, 1981). Na cultura do café, os frutos estabelecem sítios preferenciais de drenagem metabólica; cargas produtivas mais expressivas ampliam proporcionalmente a partição e o carreamento de nutrientes (Garcia et al., 2009).
Entretanto, a dependência histórica de fertilizantes minerais sintéticos de baixo custo unitário tem levado à utilização de fontes caracterizadas por elevado índice salino e alto potencial de acidificação da rizosfera, notadamente o cloreto de potássio e a ureia agrícola, o que intensifica processos de salinização localizada do bulbo molhado e perda de integridade radicular (Shaviv, 2005). Torna-se indispensável, portanto, desenvolver e validar alternativas nutricionais fluidas de alta performance que associem alta disponibilidade de macro e micronutrientes a atributos de condicionamento do solo, estabilidade biológica e mitigação de impactos ambientais.

METODOLOGIA
REVISÃO BIBLIOGRAFICA E RESULTADOS
3.1 Fontes de nutrientes e matéria orgânica do solo
A MOS constitui um complexo heterogêneo de tecidos em variados estádios de humificação e decomposição microbiana, regulando ciclos biogeoquímicos e servindo como reservatório de cargas negativas essenciais à capacidade de troca de cátions (Magdoff, 1992; Silva et al., 1999). Embora aportes sólidos de resíduos vegetais e animais exerçam contribuições relevantes a longo prazo, pesquisas recentes indicam que a fração organomineral solúvel — representada principalmente por ácidos fúlvicos e ácidos húmicos de menor massa molecular — é aquela capaz de desencadear reações imediatas na solução do solo e na interface rizosférica. Essas substâncias complexam íons metálicos polivalentes, reduzem a fixação adsortiva do fósforo e formam pontes de troca que facilitam a absorção radicular de cátions e ânions.
Tabela 1 – Tratamentos avaliados, variáveis de produção, rendimento de colheita, distribuição granulométrica e Índice de Qualidade do Solo Biológico (IQS Biológico) no biênio 2024/2026. EPAMIG, Patrocínio/MG..
| Tratamento | Modo de aplicação | Especificação do tratamento | Dose de N/K₂O (kg ha⁻¹) |
| T1 | Solo (drench) | Organomineral Líquido Max Humic | 250 N / 200 K2O |
| T2 | Solo (em superfície) | Organomineral Sólido | 350 N / 280 K2O |
| T3* | Solo (em superfície) | Fertilizante mineral convencional | 500 N / 400 K2O |
| Biênio 2024/2026 | ||||||
| T1 | T2 | T3 | CV% | Média | p-valor | |
| N aplicado (kg sc⁻¹) | 6,90 c | 9,37 b | 12,51 a | 9,76 | 9,59 | <0,001 |
| K₂O aplicado (kg sc⁻¹) | 5,52 c | 7,49 b | 10,00 a | 9,76 | 7,67 | <0,001 |
| Rendimento (L sc⁻¹) | 591,27 b | 634,65 a | 649,27 a | 3,90 | 625,06 | 0,03 |
| Peneira 17 e acima (%) | 25,62 a | 21,94 a | 25,54 a | 11,45 | 24,37 | 0,18 |
| Peneira 16 (%) | 24,88 a | 21,39 b | 21,21 b | 5,18 | 22,49 | <0,001 |
| IQS Biológico | 0,52 a | 0,49 a | 0,37 a | 24,64 | 0,46 | 0,22 |
Conforme clássicos ensaios de Catani & Moraes (1958) sintetizados na Figura 1 (Distribuição de nutrientes ao longo de 10 anos de estudo), plantas de café arábica concentram nas lâminas foliares teores minerais significativamente mais expressivos do que aqueles acumulados nos demais órgãos lignificados. Esse acúmulo relativo alcança proporções compreendidas entre 36% do nitrogênio total e até 51% do enxofre assimilado presente na biomassa aérea, conforme demonstrado conceitualmente na Figura 2 (Relação entre a quantidade de macronutrientes presentes nas folhas e o total vegetal acumulado).
Figura 1 – Distribuição de nutrientes ao longo de 10 anos de estudo. (Catani&Morais 1958).

Figura 2 – Relação entre a quantidade de macro nutrientes presentes nas folhas e o total deles em plantas de café. Fonte: ADAPTADO CATANI & MORAES 1958.

O referencial de equilíbrio nutricional foliar no terço médio produtivo para a cafeicultura brasileira — parametrizado a partir dos padrões estabelecidos por Malavolta (2006) e sintetizados na Figura 3 (Faixas adequadas de teores foliares para Coffea arabica) — exige monitoramento analítico constante. A sincronização entre demanda fisiológica e aporte nutricional no momento de diferenciação floral e início de granação previne perdas de frutificação efetiva. A validação das características de partição e desenvolvimento de reservas na área esqueletada sob ensaio da EPAMIG (2026) encontra-se compilada na Tabela 2.
Tabela 2 – Produtividade, rendimento e classificação física dos grãos na colheita de 2026, Açúcares solúveis totais (AST) e amido em abril de 2026 e teores foliares de nitrogênio e potássio em junho de 2026.
| T1 | T2 | T3 | CV% | Média | p-valor | |
| Produtividade (sc ha⁻¹) | 45,56 a | 35,34 b | 32,41 b | 21,59 | 37,75 | 0,04 |
| Rendimento (L sc⁻¹) | 450,56 a | 479,35 a | 491,74 a | 5,31 | 473,88 | 0,13 |
| Peneira 17 e acima (%) | 8,49 a | 5,71 a | 7,31 a | 39,13 | 7,17 | 0,42 |
| Peneira 16 (%) | 31,34 a | 22,35 b | 25,22 b | 10,71 | 26,30 | 0,01 |
| AST | 165,83 b | 311,59 a | 206,44 b | 31,86 | 227,95 | 0,06 |
| Amido | 87,48 a | 73,20 a | 90,62 a | 32,19 | 83,80 | 0,64 |
| N foliar (g kg⁻¹) | 27,45 a | 28,37 a | 30,27 a | 5,81 | 28,70 | 0,12 |
| K foliar (g kg⁻¹) | 19,65 a | 19,70 a | 20,82 a | 4,44 | 20,05 | 0,18 |
Sob a métrica de demanda específica por unidade produzida, o T1 exigiu apenas 6,90 kg de N por saca colhida, contra 9,37 kg no T2 e 12,51 kg no T3, traduzindo uma eficiência 44,8% superior na conversão do nitrogênio em relação à fonte mineral granulada. A estabilidade dos teores de amido em ramos associada à retenção de folhas aponta sustentação vegetativa adequada para o ciclo sequencial, operando como atenuador fisiológico do fenômeno de bienalidade da cafeicultura arábica.
Figura 3 – Teores de nutrientes adequados na folha do cafeeiro. Adaptado de Malavolta, 1966.

3.2 Fornecimento de Nutrientes e Eficiência Nutricional.
Formulações fluidas complexadas por frações orgânicas estruturadas apresentam os elementos estabilizados na solução do solo, reduzindo a incidência de reações coloidais de insolubilização, retrogradação e perdas por lixiviação descendente e desnitrificação. Em paralelo, a adoção de fontes líquidas de alta taxa de conversão mitiga a pegada ambiental da lavoura: ao reduzir o aporte total de nitrogênio aplicado por hectare, contrai-se o índice de emissões indiretas e diretas de dióxido de carbono equivalente decorrentes da síntese industrial Haber-Bosch, do transporte logístico e dos processos de volatilização e volatilização/nitrificação nos campos.
Figura 4 – Produtividade do quadriênio em função dos níveis de adubação via gotejo em Guarda-Mor.

Figura 5 – Produtividade ao longo do triênio em função da curva de dosagem. Araguari/MG

A consolidação da relação entre adubação racional e extração específica foi complementada pelos registros analíticos do Centro de Pesquisa Mario Jordão (2026), sumarizados na Tabela 3 (Eficiência de fornecimento de nutrientes em função do manejo adotado e taxa de consumo por saca colhida), onde as fontes fluidas reduziram a demanda de macronutrientes por volume útil de produto beneficiado.
A compatibilidade osmótica é outro diferencial competitivo da tecnologia fluida organomineral. Fertilizantes minerais convencionais de elevado índice salino elevam a condutividade elétrica (CE) da água do solo; conforme verificado por Figueirêdo et al. (2006), patamares de condutividade elétrica a partir de 1,2 dS m⁻¹ induzem plasmolise radicular, restrições à divisão celular apical e até a senescência de plântulas. O emprego de compostos com baixa salinidade intrínseca preserva a turgescência tecidual e evita a degradação de raízes absorventes nos horizontes superficiais
Tabela 3 – Eficiência de fornecimento de nutrientes em função do manejo adotado. Centro de Pesquisa Mario Jordão, 2026.

A proteção da integridade radicular reflete diretamente na supressão biológica de organismos fitopatogênicos. Fitonematoides do gênero Meloidogyne e fungos oportunistas do complexo Fusarium spp. causam colapso vascular e desorganização histológica nas raízes do cafeeiro, reduzindo sua longevidade produtiva.
No experimento conduzido pela C3 Consultoria Agropecuária em Varjão de Minas/MG — cujos delineamentos constam na Figura 6 (Tratamentos utilizados no experimento plurianual de 2023/24 a 2025/26) —, a inclusão de fertilizantes Max Humic (Tratamentos 3 e 4) alcançou 53% de eficiência na supressão de formas móveis (J2) e ovos de Meloidogyne no sistema radicular (De Paula et al., 2024), associada à redução sensível de colônias de Fusarium spp., conforme indicado na Figura 7 (Eficiência relativa de controle populacional de fitonematoides).
Figura 6 – Tratamento utilizados pela C3 consultoria no experimento em Varjão de Minas de 2023/24 a 2025/26.

Figura 7 – Eficiência de controle de nematoides.

A sanidade biológica e física das raízes determinou incrementos produtivos expressivos ao longo do triênio experimental em Varjão de Minas, com expressiva superioridade de rendimento para os tratamentos T3 e T4 na safra 2025/2026, retratados na Figura 8 (Produtividade, renda e rendimento de grãos ao longo do triênio experimental). Tais respostas fundamentam-se no estímulo exercido pelo carbono orgânico lábil sobre a microbiota antagonista nativa e na manutenção de uma zona radicular não submetida a estresse salino.
Figura 8 – Produtividade, renda e rendimento no triênio do experimento realizado em Varjão de Minas/MG.

Carvalho et al. (2024), em ensaio conduzido no Centro de Pesquisa Mario Jordão em Monte Carmelo/MG com fertirrigação totalizada (100%), registraram que o tratamento organomineral T1 alcançou produtividade de 72 sacas por hectare, superando o manejo padrão em +8,4% (6 sacas adicionais ha⁻¹), além de elevar os atributos sensoriais da bebida, conforme a Figura 9 (Produtividade e qualidade de bebida em cafeeiro fertirrigado).
Paralelamente, constatou-se incremento relevante no balanço biológico do solo, expressado pelo acréscimo de unidades formadoras de colônias de Trichoderma spp. ao final do ciclo plurianual, indicado na Figura 10 (População de Trichoderma spp. ao final do triênio em Monte Carmelo/MG).
Esse quadro reitera a premissa de Tomaz & Amaral (2008), segundo a qual a eficiência do uso biológico de nutrientes maximiza a síntese de matéria seca total com mínimo impacto negativo sobre o substrato edáfico.
Figura 9 – Produtividade e qualidade de bebida do experimento no Centro de Pesquisa Mario Jordão em Monte Carmelo/MG.

Figura 10 – População de Trichoderma spp. ao final do triênio. Centro de Pesquisa Mario Jordão, 2026.

3.3 Manejo do cálcio, equilíbrio nutricional e sanidade.
A maior fração dos solos sob cafeicultura de Cerrado apresenta originalmente baixos teores de cálcio e magnésio trocáveis (Tomaz et al., 2003). Laviola et al. (2007) observaram que a demanda e a taxa relativa de acúmulo de cálcio tornam-se críticas durante a transição fenológica entre a chumbinho, a expansão rápida e a fase de granação dos frutos.
Contudo, a dinâmica do cálcio na planta é restringida por sua quase nula mobilidade via floema, sendo transportado exclusivamente no fluxo xilemático acionado pela transpiração.
Corretivos tradicionais de solo, a exemplo do calcário moído, possuem baixa taxa de solubilização em água e dependem de contato mecânico prolongado e acidez ativa para hidrólise, o que atrasa a disponibilização do elemento nos estádios de maior pressão celular.
O emprego de formulações solúveis contendo cálcio complexado aplicado na fase de início de expansão dos frutos constitui alternativa agronômica relevante para suprir a demanda fisiológica sem gerar interferências competitivas com potássio e magnésio.
Os dados de produtividade gerados pelo GecaFe em Rio Paranaíba/MG (biênio 2024/2026) sob a aplicação de Max Humic NKálcio acham-se dispostos na Figura 11 (Produtividade em (sacas/ha) do cafeeiro submetido a diferentes tratamentos durante o biênio 2024/2026).
Figura 11 – Produtividade em (sacas/ha) do cafeeiro submetido a diferentes tratamentos durante o biênio 2024/2026. GecaFe, Rio Paranaíba-MG, 2026.

As parcelas submetidas à aplicação de formulações solúveis de cálcio associadas a carbono complexante manifestaram redução na severidade e incidência foliar de cercosporiose (Cercospora coffeicola), conforme verificado pelo GecaFe (2026) e apresentado na Figura 12 (Avaliação da incidência de Cercosporiose foliar do cafeeiro submetido a diferentes tratamentos durante a safra 2025/2026 em Rio Paranaíba/MG).
Figura 12 – Avaliação da incidência de Cercosporiose foliar do cafeeiro submetido a diferentes tratamentos durante a safra 2025/2026. GecaFe, Rio Paranaíba-MG, 2026.

A absorção nutricional obedece a gradientes fisiológicos de preferência, correspondendo em escala decrescente geral a: N > K > Ca > Mg > S > P > B > Zn > Cu (Martinez & Neves, 2015). A adubação química descalibrada acarreta acúmulos residuais de potássio e fósforo no solo, provocando desequilíbrio na mineralização da matéria orgânica e antagonismos de absorção iônica (Mondragón, 1998).
A dinâmica de extração modifica-se ao longo da ontogenia da planta: reduzida nos meses frios de repouso vegetativo, retoma curvas exponenciais no início das chuvas, deslocando a primazia metabólica de nitrogênio para o potássio à medida que a granação atinge o pico (Malavolta, 1980).
O fósforo, embora demandado em menor quantidade molar do que N e K, é indispensável na fase de implantação e emissão de radicelas para formação de compostos energéticos nucleotídicos (ATP).
Os micronutrientes, embora requisitados em frações micromolares, participam de centros catalíticos vitais: o ferro (Fe) e o cobre (Cu) nos transportadores da cadeia respiratória e na biossíntese de clorofila; o manganês (Mn) na fotólise da água no fotossistema II; o boro (B) na emissão do tubo polínico e no transporte transmembrana de sacarose; e o zinco (Zn) na rota de síntese do ácido indol acético (AIA) a partir do triptofano (Malavolta et al., 1997; Dechen & Nachtigall, 2007). A reposição de micronutrientes ocorre tanto via solo quanto prioritariamente por pulverizações foliares nos surtos de brotação e pegamento floral.
Figura 13 – Produtividade biênio 2024/2026 em (sacas/ha-1) do cafeeiro submetido a diferentes tratamentos. GecaFe, Rio Paranaíba-MG, 2026. (S) = solo (F) = Folha

Figura 14 – Porcentagem da incidência de Cercosporiose (PC) foliar do cafeeiro submetido a diferentes tratamentos durante a safra 2025/2026. GecaFe, Rio Paranaíba-MG, 2026.

O sinergismo entre nutrição foliar equilibrada e programas de defesa fitossanitária convencional foi avaliado pela Fronterra (2026) em Patrocínio/MG, sob delineamento experimental descrito na Figura 15 (Tratamentos utilizados no experimento de manejo nutricional).
As avaliações sanitárias da lavoura — Figura 16 (Incidência de patógenos em cafeeiros sob diferentes manejos) — e os componentes de colheita — Figura 17 (Atributos produtivos de cafeeiros submetidos a diferentes fertilizações) — apontam que o tratamento T5 (Recomendação Biofertil) destacou-se como a intervenção mais estável, maximizando a produtividade de café e viabilizando redução na severidade de enfermidades bióticas
Figura 15 – Tratamentos utilizados no experimento. Fronterra, 2026. Patrocinio/MG.

Figura 16 – Incidência de doenças em cafeeiros submetidos a diferentes fertilizações. Fronterra, 2026. Patrocinio/MG.

Figura 17 – Atributos produtivos de cafeeiros submetidos à diferentes fertilizações. Fronterra, 2026. Patrocinio/MG.

Este trabalho como demonstrado acima, demonstra que além de melhores produtividades nas áreas onde foi utilizado os fertilizantes da linha Max Humic, há também uma melhoria no controle de patógenos. Isso reforça a ideia de um sinergismo benéfico para a interação intrínseca ao utilizar um fertilizante organomineral líquido dentro de um manejo de controle fitossanitário.
3.4 Análise foliar e reserva de carboidratos.
A capacidade fotossintética líquida varia ao longo da idade foliar: folhas em expansão apresentam aparato de fotossíntese incompleto, ao passo que folhas senescentes exportam nutrientes móveis antes da abscisão; as maiores taxas de assimilação de carbono concentram-se nas lâminas medianas bem supridas em minerais (Martins et al., 2014).
Para integrar as relações binárias de nutrientes, o modelo DRIS proposto por Beaufils (1973) e sistematizado por Cantarutti et al. (2007) permite quantificar desvios da normalidade independentemente de variações no acúmulo estático de biomassa.
No que tange aos micronutrientes — Figura 19 (Acúmulo foliar de micronutrientes amostrados em março de 2026) —, as parcelas tratadas com complexos húmico-fúlvicos demonstraram tendências favoráveis de absorção de ferro, boro e zinco, reflexo da ação complexante exercida pela matriz orgânica na solução do solo.
Figura 18 – Acúmulo de macronutrientes em folhas de cafeeiros conduzidos sob diferentes estratégias de fertilizantes. Coleta das folhas: ABRIL/26. Fronterra, Patrocínio-MG, 2026.

Figura 19 – Acúmulo de micronutrientes em folhas de cafeeiros conduzidos sob diferentes estratégias de fertilizantes. Coleta das folhas: MARÇO/26. Fronterra, Patrocínio-MG, 2026.

Figura 20 – Teores Foliares (jan./26) dos diferentes tratamentos durante a safra 2025/2026. GecaFe, Rio Paranaíba-MG, 2026.

Figura 21 – Análise do tecido vegetal de março/2026 em função do uso de diferentes fontes e posicionamento de fertilizantes. Centro de Pesquisa Mario Jordão, Monte Carmelo/MG.

Ensaios conduzidos pela Fronterra (2025) com o produto Max Humic Florada indicaram aumento significativo no percentual de pegamento e vingamento de flores, conforme registrado na Figura 22 (Tratamentos e taxa de pegamento floral na safra 2024/2025).
Figura 22 – Tratamentos e pegamento floral em cafeeiros submetidos à diferentes fertilizações e manejo nutricionais foliares. Patrocínio – MG 2025.

Figura 23 -Tratamentos e Teor de amido (mg/g de matéria seca) de ramos de cafeeiros conduzidos sob diferentes estratégias de adubação. Coletas dos ramos: abril/2024. Patrocínio-MG, 2024.

Considerações Finais
- A cultura do cafeeiro responde de forma consistente ao equilíbrio nutricional tanto em anos de alta quanto de baixa carga pendente, indicando que o aporte balanceado de elementos é pré-requisito indispensável para a manutenção do vigor e a atenuação da bienalidade produtiva.
- Os fertilizantes organominerais líquidos complexados proporcionam maior eficiência de uso de nutrientes em relação às fontes minerais puras convencionais, viabilizando a obtenção de produtividades equivalentes ou superiores com a aplicação de até 50% menos unidades fertilizantes de N e K₂O por hectare.
- O uso das fontes fluidas complexadas reduz a condutividade elétrica da solução do solo e o risco de estresse salino no bulbo úmido, preservando a integridade das raízes absorventes e favorecendo a atividade biológica de microrganismos benéficos, tais como Trichoderma spp.
- A adoção da tecnologia organomineral líquida associada a boas práticas edáficas manifestou ação indireta expressiva na sanidade das lavouras, proporcionando até 53% de eficiência no controle biológico de fitonematoides (Meloidogyne spp.), supressão de Fusarium spp. e menor incidência foliar de cercosporiose (Cercospora coffeicola) pelo equilíbrio de tecidos e aporte solúvel de cálcio.
- A redução das doses totais de nitrogênio aplicadas por saca produzida diminui as perdas por desnitrificação e lixiviação, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa associadas ao ciclo de vida dos fertilizantes sintéticos e consolidando o manejo organomineral como uma prática alinhada às metas de descarbonização e sustentabilidade da cafeicultura moderna.
DECLARAÇÃO DE CONFLITO DE INTERESSES
Os autores declaram vínculo institucional e de trabalho com a empresa Biofertil Brasil, detentora da linha comercial Max Humic citada no estudo. Os delineamentos experimentais, as coletas amostrais a campo, as análises de laboratório e o processamento estatístico dos dados foram integralmente executados de forma independente pelas instituições credenciadas e centros de pesquisa parceiros: EPAMIG, Associação dos Cafeicultores de Araguari (ACA), Centro de Pesquisa Mario Jordão, Grupo de Estudos em Cafeicultura da UFV-CRP (GecaFe), Fronterra Engenharia e Consultoria Agronômica e C3 Consultoria Agropecuária.
Referências
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