Aquaponia impulsiona pesquisa para fazendas urbanas sustentáveis

Projeto do Instituto de Pesca investiga a aquaponia como alternativa para fortalecer fazendas urbanas, reduzir o consumo de água e integrar a produção de peixes e hortaliças.
Foto de sistema aquapônico acoplado, em funcionamento na unidade IP de Pirassununga

Publicado em 16 de agosto de 2026 às 07h57

Última atualização em 25 de agosto de 2026 às 13h17

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A aquaponia está no centro de uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que busca ampliar a viabilidade das chamadas fazendas urbanas. A tecnologia integra a criação de peixes e o cultivo de plantas em um sistema fechado de recirculação de água, permitindo reduzir em até 90% o consumo hídrico, diminuir a necessidade de fertilizantes químicos e aproximar a produção de alimentos dos grandes centros urbanos.

O projeto é conduzido no Serviço Regional de Pesquisa de Pirassununga pelo pesquisador Marcello Boock, dentro da iniciativa AQUACAPACITA, que integra o projeto AQUAINTEGRA, financiado pela FAPESP e coordenado pela pesquisadora Fabiana Garcia.

Aquaponia integra peixes, plantas e bactérias

A aquaponia combina a aquicultura, responsável pela criação de organismos aquáticos, com a hidroponia, sistema de cultivo de plantas sem solo. O funcionamento depende da interação entre três componentes principais.

Os peixes produzem resíduos ricos em amônia, que são transformados por bactérias nitrificantes em nitrato, nutriente absorvido pelas plantas. Após esse processo, a água retorna limpa aos tanques, formando um ciclo fechado que praticamente elimina o descarte de efluentes e reduz a necessidade de fertilizantes sintéticos.

Segundo Marcello Boock, a expansão das cidades representa uma oportunidade para repensar a produção agrícola.

“Como pesquisador dedicado ao estudo de sistemas integrados de produção, vejo a expansão das cidades não apenas como um desafio logístico para o abastecimento, mas como uma oportunidade para redesenhar nossa relação com a produção agrícola. A aquaponia surge aqui, não como um mero passatempo de fundo de quintal, mas como uma bioengenharia estratégica para a resiliência urbana.”

Aquaponia reduz consumo de água e emissões

Entre as principais vantagens da aquaponia está a elevada eficiência no uso da água. Como o líquido circula continuamente no sistema, as perdas ocorrem apenas por evaporação e transpiração, fazendo com que o consumo represente cerca de 10% do utilizado na agricultura convencional.

Outro benefício é a redução da chamada pegada de carbono, já que a produção próxima aos consumidores diminui o transporte de alimentos, reduzindo emissões e desperdícios logísticos.

Além disso, o sistema permite o cultivo vertical em telhados, galpões e outros espaços urbanos subutilizados, favorecendo a produção simultânea de hortaliças, como alface, rúcula e agrião, e de peixes como a tilápia.

Pesquisa busca superar desafios da produção comercial

Apesar do potencial da aquaponia, a expansão para escala comercial ainda enfrenta desafios técnicos e econômicos.

Entre eles estão o equilíbrio entre peixes, plantas e bactérias, que possuem diferentes exigências de temperatura, oxigênio e pH, além dos custos com energia elétrica, iluminação artificial e mão de obra especializada.

As pesquisas atuais concentram esforços na utilização de sensores conectados à Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e fontes renováveis de energia, como sistemas solares, eólicos e biomassa, para aumentar a eficiência operacional e reduzir os custos de produção.

Aquaponia pode fortalecer a agricultura urbana

Para o pesquisador Marcello Boock, a aquaponia representa uma das principais alternativas para ampliar a segurança alimentar nas cidades e fortalecer a agricultura urbana sustentável.

“A agricultura urbana está deixando de ser um hobby para se tornar uma necessidade de resiliência nas cidades. A aquaponia oferece uma resposta promissora para a produção local de alimentos de alto valor nutricional, unindo proteínas animais e vegetais em um único ciclo, livre de agrotóxicos e altamente produtivo.”

À medida que a urbanização avança e os recursos naturais se tornam mais limitados, a integração entre aquicultura e cultivo vegetal pode desempenhar um papel estratégico na produção sustentável de alimentos, contribuindo para sistemas agrícolas mais eficientes e resilientes.

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