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Nanofertilizante de caroço de açaí aumenta crescimento de milho e sorgo

Tecnologia criada pela Embrapa e UFC utiliza nanopartículas obtidas do caroço de açaí para estimular o desenvolvimento das plantas e ampliar a eficiência dos fertilizantes.
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O nanofertilizante de caroço de açaí desenvolvido por pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) apresentou resultados promissores ao estimular o crescimento de plantas de milho e sorgo em testes laboratoriais. Produzido a partir de um resíduo agroindustrial abundante na Amazônia, o produto utiliza nanotecnologia para aumentar a absorção de nutrientes e melhorar a eficiência da fotossíntese.

Nos experimentos, a aplicação de baixas doses do nanofertilizante promoveu aumento de 24% no crescimento do milho e de 164% no sorgo, além de ampliar significativamente o desenvolvimento das raízes.

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Nanofertilizante de caroço de açaí transforma resíduo em insumo agrícola

A matéria-prima utilizada na tecnologia é o caroço do açaí, um coproduto gerado durante o processamento da fruta.

Para cada tonelada de frutos utilizada na produção da polpa, são gerados aproximadamente 700 quilos de caroços, que normalmente são descartados ou utilizados como combustível em caldeiras.

Os pesquisadores desenvolveram um processo capaz de transformar esse resíduo em um fertilizante de alto valor agregado, contribuindo para o aproveitamento sustentável da biomassa.

Nanopartículas aumentam absorção de nutrientes

O nanofertilizante de caroço de açaí é produzido por meio da chamada síntese hidrotermal, que transforma o pó da semente em nanopartículas fluorescentes conhecidas como pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots).

Com aproximadamente quatro nanômetros de diâmetro, essas partículas conseguem penetrar facilmente nos tecidos das folhas.

Além de transportar nutrientes minerais diretamente para as células, elas captam radiação ultravioleta e a convertem em luz azul, estimulando o sistema fotoquímico das plantas e aumentando a eficiência da fotossíntese.

Segundo o pesquisador Cláudio Carvalho, da Embrapa Agroindústria Tropical, essa tecnologia proporciona maior eficiência em comparação aos fertilizantes foliares convencionais.

Tecnologia reduz perdas e impactos ambientais

De acordo com os pesquisadores, os nanofertilizantes apresentam potencial para gerar melhores resultados utilizando doses menores.

Essa característica reduz custos de aplicação e diminui riscos de contaminação do solo e dos corpos d’água por escoamento superficial.

Além disso, as nanopartículas participam de processos de transferência de energia dentro das células vegetais e fornecem compostos bioativos capazes de estimular enzimas relacionadas à resposta das plantas ao estresse.

Crescimento das raízes favorece adaptação das plantas

Nos experimentos foram utilizadas as cultivares BRS-Gorutuba, de milho, e Sorgo 2502, ambas recomendadas para cultivo no semiárido brasileiro.

Além do aumento no crescimento da parte aérea, os pesquisadores observaram expansão significativa do sistema radicular:

  • 23% de aumento no volume das raízes do milho;
  • 59% no sistema radicular do sorgo.

Segundo os cientistas, raízes mais desenvolvidas permitem maior exploração do solo, favorecendo a absorção de água e nutrientes, especialmente em condições de estresse hídrico.

Próximos estudos incluem novas culturas

Os pesquisadores pretendem ampliar os testes do nanofertilizante de caroço de açaí para outras espécies agrícolas, entre elas:

  • feijão;
  • batata-doce;
  • abóbora;
  • hortaliças;
  • mudas de açaizeiro.

O objetivo é avaliar o potencial da tecnologia em diferentes sistemas produtivos.

Escalonamento industrial é o próximo desafio

Apesar dos resultados positivos, a tecnologia ainda precisa superar etapas antes de chegar ao mercado.

Os pesquisadores trabalham agora no escalonamento da produção para a indústria, buscando reduzir custos relacionados ao consumo de energia, purificação do material e logística de coleta da biomassa.

Também serão necessários estudos regulatórios e avaliações de segurança para viabilizar o uso agrícola em larga escala.

Nanotecnologia amplia possibilidades para a agricultura

Os pontos quânticos de carbono vêm despertando interesse em diversas áreas da ciência devido à baixa toxicidade e à possibilidade de serem produzidos a partir de resíduos orgânicos.

Além da agricultura, essas nanopartículas já são estudadas para aplicações em sensores químicos, bioimagem, células solares, LEDs e tratamento de água.

No caso do nanofertilizante de caroço de açaí, a pesquisa demonstra como resíduos agroindustriais podem ser transformados em tecnologias capazes de aumentar a eficiência da produção agrícola, reduzir impactos ambientais e agregar valor às cadeias produtivas da Amazônia.

Os resultados do estudo foram publicados na revista científica internacional Dyes and Pigments, reforçando o potencial da nanotecnologia como ferramenta para uma agricultura mais eficiente e sustentável.

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