O agronegócio atravessa um período marcado por mudanças simultâneas. Reforma tributária, cenário geopolítico e climático, crédito mais criterioso, pressão por eficiência, novas demandas dos clientes e o avanço acelerado da tecnologia estão transformando a forma como empresas e profissionais do setor precisam tomar decisões.
Foi diante desse cenário que a VIASOFT realizou, em 17 de setembro, no Nobile Suítes Uberlândia, em Uberlândia (MG), a terceira edição do Titans do Agro Experience.
O encontro reuniu 70 líderes de revendas e distribuidoras de insumos em uma imersão executiva fechada, com um dia dedicado a conteúdo, debates e networking. A programação foi estruturada em torno de quatro temas considerados estratégicos para o momento vivido pelo setor: reforma tributária, crédito e governança, vendas e inteligência artificial.
Mais do que uma sequência de palestras, a proposta foi aproximar especialistas e tomadores de decisão para discutir desafios reais das operações e transformar conhecimento em aplicações práticas.
O evento foi criado para proprietários de revendas, diretores comerciais, gestores de distribuição, líderes financeiros, gestores de vendas, empresários do setor de insumos e outros profissionais responsáveis por decisões estratégicas.
Um agro diante de múltiplas transformações
Na abertura do evento, Danilo Inácio, gerente comercial do Grupo VIASOFT, destacou que o momento exige uma visão ampla sobre os fatores que interferem diretamente na cadeia do agronegócio.
“Estamos diante de um dos maiores cenários desafiadores do agro dos últimos anos. Temos a reforma tributária, o cenário geopolítico e climático e escassez de recursos e, dentro de tudo isso, um cenário bem sensível em relação a crédito. Tudo isso influencia bastante na cadeia que nós atuamos”, afirmou.

Segundo ele, os efeitos dessas transformações alcançam diferentes elos do setor, desde o produtor rural até a distribuição, as agroindústrias e as cooperativas. Nesse contexto, a proposta do Titans do Agro é levar conhecimento e tecnologia para ajudar os profissionais a navegar pelas mudanças.
“Diante de um contexto tão desafiador, o que nós, como organização orientada à gestão e à tecnologia, poderíamos fazer para contribuir com esse setor em que estamos inseridos?”, questionou.
A resposta, segundo Danilo, foi a criação de um evento específico para o agronegócio, com conteúdo direcionado às necessidades de quem está diretamente envolvido com as decisões das empresas.
Conteúdo para quem toma decisões
O Titans do Agro foi concebido como uma experiência estratégica e restrita. A edição de Uberlândia foi a terceira do projeto, que anteriormente passou por Londrina (PR) e Erechim (RS). A proposta é percorrer diferentes polos do agronegócio brasileiro, levando a cada região uma agenda voltada aos desafios específicos da cadeia.
“Então, o Titans do Agro nasce com essa inquietude de podermos levar e alcançar esse público. E nós decidimos que não seria um evento isolado. Pelo contrário, olhamos para as regiões de maior potencial agrícola a nível Brasil”, explicou Danilo.
Para ele, a escolha de Uberlândia está relacionada à importância da cidade como polo do agronegócio. A intenção é oferecer aos participantes conteúdos que tenham densidade e possam ser aplicados no cotidiano das empresas. “A nossa intenção é que os nossos participantes saiam daqui com muita fibra muscular a nível de conhecimento desses painéis, desses temas”, afirmou.
A programação oficial da edição mineira incluiu a condução de Flávia de Sá, vice-presidente de Pessoas e Operações do Grupo VIASOFT; o painel sobre Reforma Tributária, com Jordana Vieira; o painel de Crédito e Governança no Agro, com Rodrigo Toler e Thais Andrade; o painel de Vendas, conduzido por Sérgio Barbosa; e o painel de Inteligência Artificial, com Matheus Ismael. A programação também contou com mesa-redonda com a VIASOFT e encerramento oficial de Fábio Scabeni, CEO do Grupo VIASOFT.
Reforma tributária exige atenção à gestão
Entre os assuntos que ganharam espaço no evento esteve a reforma tributária. A discussão foi direcionada não apenas aos aspectos fiscais, mas também aos impactos que as novas regras podem provocar nos processos internos, na gestão de riscos, no compliance, na governança e na proteção das margens das empresas.
Para Danilo Inácio, o tema merece atenção especial do produtor rural e de toda a cadeia. “Um dos mais impactados é o produtor rural”, destacou.
Crédito e governança no centro da estratégia
Outro ponto de atenção foi o crédito. Em um ambiente de maior seletividade na concessão de recursos, a estruturação financeira e a governança passam a ter papel importante na sustentabilidade das operações.
O painel “Crédito e Governança no Agro” contou com Rodrigo Toler, advogado, mestre em Direito pelo IDP e LL.M. em Direito do Agronegócio, e Thais Andrade, head de negócios da Tarken, com atuação na transformação do crédito e da gestão de risco por meio de tecnologia e dados.
A discussão abordou crédito, garantias e governança como instrumentos para sustentar o crescimento das operações com maior segurança.
Vendas e eficiência comercial
A pressão sobre as margens e a necessidade de aumentar a eficiência também levaram o processo comercial para o centro da programação.
O painel “Como construir um processo comercial de alta performance” foi conduzido por Sérgio Barbosa, engenheiro agrônomo e fundador da metodologia FAROL de vendas. A proposta foi discutir estruturação do processo comercial, gestão de pipeline, conversão, previsibilidade, formação de equipes e crescimento sustentável das vendas.
Inteligência artificial como extensão da capacidade humana
A tecnologia, especialmente a inteligência artificial, foi outro eixo central do encontro. Para Fábio Scabeni, CEO do Grupo VIASOFT, a discussão sobre IA precisa ir além do entusiasmo com uma nova tecnologia.
Scabeni conta que sua própria relação com a inteligência artificial nasceu de uma experiência pessoal que mudou sua maneira de enxergar a tecnologia. Depois de assumir a posição de CEO e atravessar um período particularmente difícil, ele passou a estudar IA de maneira intensa e criou o conceito de “Segundo Cérebro na IA”.

A ideia apresentada por Scabeni não é substituir o pensamento humano, mas ampliar suas possibilidades. Para ele, decisões que envolvem julgamento, responsabilidade moral e ética continuam dependendo das pessoas.
Tecnologia para ganhar tempo e qualidade
A discussão sobre produtividade também ganhou uma dimensão pessoal na fala de Fábio Scabeni. Segundo ele, o uso da tecnologia não deve ser pensado apenas como ferramenta para produzir mais, mas também como uma maneira de preservar energia e ampliar o tempo disponível para outras dimensões da vida.
Essa visão foi transportada para a realidade empresarial. Na avaliação do CEO, o desafio atual do empresário do agronegócio não está necessariamente na ausência de tecnologia, mas na compreensão sobre como utilizar as ferramentas que já estão disponíveis.
Para Scabeni, ampliar essa consciência pode permitir que gestores dediquem mais tempo à estratégia, à tomada de decisões e ao julgamento das situações que exigem responsabilidade humana. “Se esse empresário tiver essa noção e, principalmente, a ação de ‘quero fazer uso dessa solução’, a empresa prospera muito mais do que tentando fazer sozinho”, afirmou.
O painel de Inteligência Artificial da edição de Uberlândia foi conduzido por Matheus Ismael, líder de execução de inovação e prototipagem do Grupo VIASOFT, com foco em automação, produtividade, eficiência operacional, tomada de decisão baseada em dados e aplicações práticas da IA no agronegócio.
Gestão em meio ao excesso de informação
Além da inteligência artificial, Scabeni chamou atenção para um ambiente empresarial marcado por mudanças simultâneas. Reforma tributária, questões regulatórias e trabalhistas, transição geracional e transformação digital se somam a um cenário de excesso de informação.
“Estamos vivendo mudanças de reforma tributária, questões regulatórias trabalhistas, a própria inteligência artificial potencializando todas essas transformações, uma transição geracional, novas gerações chegando para serem lideradas, para liderar, e os algoritmos e as redes sociais causando uma infotoxicação, excesso de oferta”, avaliou.
Nesse cenário, a tecnologia aparece, em sua visão, como uma ferramenta para criar novas possibilidades de gestão, desde que utilizada com método. A experiência da VIASOFT, segundo Scabeni, está justamente relacionada à tradução de práticas de gestão em soluções aplicáveis.
“São 36 anos de mercado na VIASOFT fazendo isso, 36 anos atendendo milhares de empresas, sustentando a gestão de empresas que faturam dezenas de milhões a muitos bilhões por ano e fazendo o quê? Traduzindo as melhores práticas de gestão em funcionalidades de aplicabilidade imediata”, afirmou.
Um evento pensado para o agro
A opção por realizar um encontro específico para o agronegócio está ligada, segundo Danilo Inácio, à percepção de que o setor precisava de espaços mais direcionados para discutir seus desafios.
Antes do Titans do Agro, a VIASOFT realizou o Connect, evento de assinatura própria que chegou a reunir mais de 25 mil pessoas em Curitiba. Segundo Danilo, apesar da abrangência, a experiência mostrou que havia espaço para uma iniciativa mais nichada.
O formato adotado em Uberlândia reuniu um grupo de 70 convidados, com participação restrita a líderes de revendas e distribuidoras. A proposta oficial do evento é justamente privilegiar uma mesa estratégica, em vez de uma plateia numerosa, favorecendo debates, troca de experiências e networking entre profissionais que enfrentam desafios semelhantes.
Conhecimento que segue para outras regiões
O encontro realizado em Uberlândia faz parte de um projeto itinerante. Depois das edições de Londrina, Erechim e Uberlândia, a VIASOFT prevê levar o Titans do Agro para outras importantes regiões agrícolas do país.
Entre os destinos indicados estão Rio Verde (GO), Sinop (MT), Campo Grande (MS), Luís Eduardo Magalhães (BA) e Marabá (PA), ainda com datas a definir. Para Danilo, a expansão tem como objetivo aproximar conhecimento e tecnologia das regiões onde o agronegócio possui forte presença.
A proposta é que o evento continue acompanhando o calendário e os desafios do setor, criando uma agenda de relacionamento que vá além de uma única edição.