Micorrizas aumentam o aproveitamento do fósforo

Micorrizas aumentam o aproveitamento do fósforo - CréditoShutterstock

Publicado em 27 de janeiro de 2015 às 07h00

Última atualização em 27 de janeiro de 2015 às 07h00

Acompanhe tudo sobre Água, Biofertilizante, Biológico, Inoculação, Micorrizas, Nutrição e muito mais!

 

Paulo Ademar Avelar Ferreira

Pós-doutorando em Ciência do Solo, Universidade Federal de Santa Maria

Ricardo BemficaSteffen

Engenheiro Agrônomo, Doutor em Ciência do Solo, Organismos do solo e Insumos Biológicos para agricultura

bemfica_steffen@yahoo.com.br

 

 Micorrizas aumentam o aproveitamento do fósforo - CréditoShutterstock
Micorrizas aumentam o aproveitamento do fósforo – CréditoShutterstock

Os microrganismos presentes no solo desempenham funções importantes para a manutenção dos ecossistemas. Entre as inúmeras funções desempenhadas por eles, destacam-se as simbioses entre plantas e microrganismos heterotróficos, como as micorrizas, que são associações mutualísticas entre fungos e raízes.

Estudos em raízes fossilizadas evidenciam que as micorrizas surgiram há cerca de 400 milhões de anos, período que coincide com o aparecimento das plantas terrestres. Estima-se que aproximadamente 95% das espécies vegetais atuais estabelecem simbiose com os fungos micorrízicos.

A classificação simplificada das micorrizas em ectomicorrizas e endomicorrizas”Fungos MicorrízicosArbusculares(FMA) “permite distinguir a micorriza, em que o fungo não penetra nas células da planta hospedeira (ectomicorrizas), daquela em que o fungo entra nas células, formando estruturas fúngicas específicas (endomicorrizas).

Associação

Vários são os trabalhos que demonstram que espécies vegetais em associação com os fungos micorrízicos aumentam a absorção de nutrientes minerais pelas plantas, principalmente do fósforo (P).

Assim, a associação micorrízica está diretamente envolvida na nutrição mineral das plantas, favorecendo seu crescimento e desenvolvimento. Esse benefício ocorre porque os fungos colonizam o sistema radicular dos vegetais e expandem suas hifas no solo, absorvendo água e nutrientes pelas raízes micorrizadas.

Assim, uma planta micorrizada pode absorver mais nutrientes do que uma não micorrizada, devido ao maior volume de solo explorado.

Como as hifas dos fungos possuem uma afinidade maior pelo P do que as raízes das plantas, em solos pobres nesse elemento, como é o caso da maioria dos solos tropicais, essa associação se torna extremamente vantajosa para os vegetais. Além do efeito na nutrição mineral das plantas, os fungos micorrízicos conferem aos seus hospedeiros maior resistência a estresses bióticos (doenças e pragas) e abióticos (déficit hídrico).

Tais benefícios possibilitam aumentos de produtividade pelas culturas em simbiose com os fungos micorrízicos. Há anos tem sido comprovado que a inoculação de isolados selecionados de fungos micorrízicos pode proporcionar ganhos de produção consideráveis em condições controladas e de campo.

Biofertilizantes

Ao considerar o papel dos fungos micorrízicos na absorção de P e de outros nutrientes, há um enorme potencial para a utilização deles como biofertilizantes na forma de inoculante microbiano, contribuindo para o aumento da produtividade agrícola e da eficiência do uso de fertilizantes.

Com aproximadamente cinco mil espécies de fungos envolvidas em associações simbióticas com plantas superiores, as ectomicorrizas, além de proporcionarem benefícios ao desenvolvimento vegetal, atuam na estabilização de florestas naturais e cultivadas, servindo como fonte de alimento e participando da ciclagem de nutrientes nos mais diversos ecossistemas.

Os fungos ectomicorrízicos (fECM), embora se associem a um grupo restrito de plantas (aproximadamente 5% das espécies conhecidas), são encontrados formando simbiose com 90% das espécies arbóreas de clima temperado, principalmente com as pertencentes às famílias Pinaceae, Fagaceae, Betulaceae e Salicaceae, sendo fundamentais para o sucesso no estabelecimento e desenvolvimento das plantas após o transplante e para a manutenção da estabilidade de comunidades florestais.

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