Duas novas espécies de minhocas foram descobertas na Fazenda Canchim, da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). A descoberta foi publicada no artigo científico “Glossoscolex (Glossoscolex) canchim sp. nov. and Fimoscolex bernardii sp. nov., two new earthworm species (Oligochaeta: Glossoscolecidae) from São Paulo State, Brazil”, divulgado na revista internacional Zootaxa.
As novas espécies — Fimoscolex bernardii sp. nov. Bartz e Glossoscolex (Glossoscolex) canchim sp. nov. Bartz — foram encontradas em áreas manejadas sob sistemas integrados de produção agrícola e pecuária, além de pastagens e lavouras em plantio direto.
O estudo foi assinado pelos pesquisadores Marie Luise Carolina Bartz, da Universidade Federal de Santa Catarina, George Brown, e Lilianne Maia Bruz, da Universidade Federal do Paraná.
Sistemas integrados ajudam a conservar a biodiversidade do solo
Segundo os pesquisadores, a descoberta reforça que práticas agrícolas sustentáveis podem contribuir para a conservação da biodiversidade nativa do solo. As espécies foram coletadas em áreas sob integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), integração lavoura-pecuária (ILP), integração pecuária-floresta (IPF), pastagens manejadas e cultivo de milho irrigado sob plantio direto.
As minhocas são consideradas organismos fundamentais para a saúde do solo por atuarem como bioindicadoras ambientais e engenheiras do ecossistema. Elas ajudam na abertura de canais no solo, fragmentação de resíduos vegetais, transporte de microrganismos e incorporação de matéria orgânica.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Florestas, George Brown, espécies nativas normalmente estão associadas a ambientes menos degradados. “O registro da diversidade de minhocas em sistemas integrados de produção é essencial para relacionar as respostas biológicas do solo à intensidade do manejo e à sustentabilidade a longo prazo”, explica.
Plantio direto e ILPF favorecem organismos do solo
Para a pesquisadora Marie Bartz, encontrar novas espécies em áreas produtivas demonstra que é possível unir produção agropecuária e conservação ambiental.
“As minhocas são organismos-chave e sua presença indica que esses sistemas estão funcionando biologicamente. Isso reforça que práticas como o plantio direto e os sistemas integrados não apenas produzem alimentos, mas também mantêm a biodiversidade nativa brasileira”, destaca.
Os pesquisadores afirmam que sistemas conservacionistas aumentam o aporte de carbono no solo, estimulam a diversidade biológica e melhoram propriedades físicas, químicas e biológicas, favorecendo a fertilidade e a produtividade agrícola no longo prazo.
Descoberta amplia conhecimento sobre minhocas brasileiras
O Brasil possui uma das maiores diversidades de minhocas do mundo, com cerca de 336 espécies descritas. No entanto, estimativas apontam que mais de 1.400 espécies podem existir no País.
A região de São Carlos, localizada na transição entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado, apresenta grande diversidade ambiental, o que favorece a ocorrência de espécies nativas ainda pouco documentadas.
Os exemplares encontrados foram depositados na Coleção Fritz Müller de Oligoquetas, da Embrapa Florestas, em Colombo (PR), com parátipos enviados ao Museu de Zoologia de São Paulo.
A descoberta também reforça a necessidade de ampliar estudos sobre organismos do solo e compreender melhor os impactos das práticas agrícolas na conservação das comunidades nativas de minhocas.