Irrigação, ESG e o futuro do agro: por que produzir mais com menos deixou de ser opção

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O agronegócio brasileiro vive um paradoxo cada vez mais evidente. De um lado, a crescente demanda global por alimentos, fibras e energia. Do outro, a pressão — legítima — por redução de impactos ambientais, uso racional de recursos naturais e compromisso social ao longo de toda a cadeia produtiva. É nesse contexto que o ESG deixa de ser um discurso e passa a ser um critério concreto de competitividade, especialmente para um setor tão exposto às mudanças climáticas quanto o agro.

A pergunta que se impõe não é mais se o agro precisa evoluir em sustentabilidade, mas como fazer isso de forma técnica, escalável e economicamente viável. E a resposta, cada vez mais clara, passa pela gestão eficiente da água, um dos ativos mais estratégicos da agricultura nas próximas décadas.

A irrigação, especialmente a irrigação por gotejamento, ocupa um papel central nesse debate. Ao permitir que a água chegue diretamente à raiz da planta, na quantidade e no momento certos, essa tecnologia reduz perdas por evaporação, lixiviação e escorrimento, além de aumentar a produtividade agrícola com menor consumo hídrico. Em um cenário de eventos climáticos extremos, estiagens prolongadas e maior imprevisibilidade das chuvas, eficiência hídrica não é apenas uma vantagem operacional, é uma ferramenta de resiliência.

Do ponto de vista ambiental, o impacto é direto. Produzir mais na mesma área, com menos água, menos fertilizantes e menos defensivos, reduz a pressão sobre novos desmatamentos e contribui para uma agricultura mais alinhada aos compromissos climáticos globais. Esse conceito, produzir mais com menos, deixou de ser um slogan da Netafim e se tornou um imperativo técnico.

Mas ESG não se sustenta apenas no campo. Ele começa dentro das empresas, nos processos industriais, na forma como se consome energia, se gerenciam resíduos e se constrói relacionamento com as comunidades do entorno. Na Netafim, esse entendimento se traduz em ações práticas. Desde janeiro de 2024, toda a operação produtiva da companhia no Brasil passou a utilizar 100% de energia limpa certificada, reforçando o papel do agro não apenas como consumidor, mas também como protagonista da transição energética nacional. Em um setor que responde por cerca de 60% da oferta de fontes renováveis do País, decisões como essa ajudam a fortalecer a competitividade da produção brasileira no mercado internacional.

Outro pilar essencial do ESG é a governança ambiental. A recente conquista da certificação ISO 14001 pela Netafim Brasil consolida uma cultura que já vinha sendo praticada: gestão ambiental estruturada, metas claras e melhoria contínua. Mais do que um selo, trata-se de um sistema que envolve todas as áreas da empresa e reforça a responsabilidade compartilhada ao longo da cadeia.

O componente social do ESG também exige coerência entre discurso e prática. Projetos de impacto local, quando pensados no longo prazo, ampliam significativamente seus benefícios. Um exemplo é a iniciativa de plantio de mais de 1.200 árvores nativas em Ribeirão Preto, vinculada à expansão industrial da companhia, mas que vai além das exigências legais ao assumir o compromisso de cuidar das mudas por três anos. Em um país urbano e agrícola ao mesmo tempo, ações que contribuem para a recuperação ambiental, melhoria do microclima e bem-estar das comunidades precisam fazer parte da estratégia corporativa.

O futuro do agro será definido pela capacidade do setor de integrar tecnologia, ciência e responsabilidade. A irrigação por gotejamento é uma das expressões mais claras dessa integração: conecta eficiência produtiva, adaptação climática e sustentabilidade ambiental em uma única solução. À medida que os critérios ESG ganham peso em decisões de investimento, financiamento e acesso a mercados, tecnologias que entregam resultados mensuráveis deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos.

Produzir alimentos continuará sendo essencial. Produzi-los com inteligência, eficiência e responsabilidade será o que garantirá ao agro brasileiro seu protagonismo nos próximos anos.

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