El Niño transforma gestão financeiraem arma contra prejuízos no agro

El Niño intensificado pode reduzir a produtividade de culturas estratégicas (soja, milho, café, cana, algodão), pressionando a receita de exportação e desacelerando o PIB agropecuário já a partir da safra 2026/27. Estimativas apontam que o setor, responsável por cerca de 25% das exportações totais do país, pode sofrer perdas bilionárias se houver quebra significativa de safra.
Acompanhe tudo sobre el niño e muito mais!

O avanço do El Niño sobre o Brasil já não preocupa apenas meteorologistas e produtores rurais. O fenômeno climático ganhou dimensão econômica e passou a representar um dos principais fatores de risco para o agronegócio brasileiro na safra 2026/27.

Secas prolongadas, ondas de calor e excesso de chuvas ameaçam reduzir a produtividade das principais culturas do País, elevar custos de produção e comprometer a competitividade internacional do setor.

Para o CEO da RZ3 e especialista em gestão estratégica e transformação organizacional, Junior Rozante, o cenário exige uma mudança de postura do produtor rural. “O El Niño deixou de ser apenas um fenômeno climático para se tornar um risco macroeconômico de primeira ordem. O produtor precisa entender que a gestão financeira e tributária será tão importante quanto o manejo agronômico nesta safra”, afirma.

Risco bilionário para exportações e PIB do agro

O agronegócio responde por aproximadamente um quarto das exportações brasileiras e sustenta parte importante do crescimento econômico do País. Segundo Rozante, uma quebra significativa de safra pode provocar impactos em cadeia sobre a economia nacional.

“O Brasil é líder mundial na exportação de soja e possui participação estratégica nos mercados de milho, café, cana-de-açúcar e algodão. Uma redução de produtividade nessas culturas afeta diretamente a receita de exportação e o desempenho do PIB agropecuário”, explica.

As ameaças variam conforme a região produtora. No centro-oeste e norte, secas e temperaturas elevadas colocam em risco soja e milho. No sul, o excesso de chuvas pode atrasar colheitas e elevar os custos logísticos. Já no sudeste, café e cana convivem com a alternância entre calor extremo e temporais, comprometendo produtividade e qualidade.

“O agro brasileiro enfrenta simultaneamente um choque climático e econômico. Além das perdas produtivas, existem custos elevados de fertilizantes, juros e logística, fatores que podem reduzir a competitividade internacional do setor”, destaca.

Segundo o especialista, o tamanho dos impactos dependerá tanto da intensidade dos eventos climáticos quanto da capacidade de resposta dos produtores e das políticas de mitigação.

Gestão tributária pode reduzir prejuízos

Se o clima está fora do controle do produtor, a administração dos custos fiscais pode ser uma importante ferramenta para reduzir perdas.

Para Junior Rozante, a gestão tributária deixou de ser apenas uma obrigação administrativa e passou a integrar a estratégia de gestão de riscos da propriedade rural. “O produtor não consegue controlar a chuva ou a temperatura, mas pode controlar o peso dos tributos na sua operação. Uma gestão eficiente ajuda a preservar caixa justamente em momentos de maior dificuldade.”

Segundo ele, a aquisição de sementes mais resistentes aos eventos climáticos pode ser planejada com o aproveitamento de créditos de PIS/Cofins e regimes especiais de ICMS, reduzindo o impacto financeiro dos investimentos em tecnologia.

O mesmo ocorre com fertilizantes e logística. “Em anos de baixa produtividade, cada quilo de fertilizante precisa gerar retorno. A correta classificação fiscal e os regimes de suspensão tributária ajudam a evitar custos adicionais. Na logística, incentivos fiscais e créditos sobre fretes podem compensar parte das despesas geradas pelas adversidades climáticas.”

Na avaliação do especialista, antecipar compras, aproveitar créditos tributários e avaliar fornecedores sob a ótica fiscal podem representar um diferencial competitivo. “Não se trata apenas de reduzir impostos. A estratégia tributária tornou-se uma ferramenta de mitigação de riscos.”

Renegociação de dívidas deve ser antecipada

A possível redução das margens de lucro também exige atenção à gestão financeira das propriedades. Segundo Junior Rozante, o maior erro do produtor é esperar a inadimplência para procurar instituições financeiras.

“O momento correto para buscar renegociação é logo após a identificação de perdas relevantes na produção. Antecipar essa conversa amplia o acesso às linhas emergenciais e evita restrições futuras de crédito.”

O especialista lembra que medidas públicas e programas específicos podem oferecer suspensão temporária de pagamentos e linhas especiais de financiamento. Além disso, benefícios fiscais muitas vezes passam despercebidos.

“Existem mecanismos importantes, como isenções de IOF em determinadas operações e possibilidades de dedução de prejuízos no Imposto de Renda. Esses instrumentos podem aliviar significativamente a pressão financeira.”

Rozante também chama atenção para as novas exigências ambientais que serão implementadas gradualmente. “O produtor precisa se adequar às novas regras ambientais, porque isso poderá influenciar diretamente o acesso ao crédito rural nos próximos anos.”

Seguro agrícola deixa de ser custo e vira investimento

Com a intensificação dos eventos extremos, o seguro agrícola ganha protagonismo na estratégia financeira das propriedades rurais. Para Junior Rozante, o produtor precisa abandonar a visão de que o seguro representa apenas uma despesa adicional.

“Hoje o seguro agrícola deve ser visto como um instrumento de proteção da renda e da continuidade da atividade. Em um cenário de El Niño, abrir mão dessa ferramenta significa aumentar a exposição ao risco.”

O especialista destaca que existem programas públicos que reduzem significativamente o custo das apólices. “O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural ajuda a reduzir o valor pago pelo produtor. Alguns estados e municípios ainda oferecem incentivos complementares.”

Além das subvenções, existem vantagens fiscais pouco conhecidas. “Muitos produtores desconhecem que o prêmio do seguro pode ser tratado como despesa dedutível no Imposto de Renda. Em algumas situações, também existem oportunidades relacionadas a créditos de PIS/Cofins.”

Segundo ele, ferramentas como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático ajudam o produtor a escolher coberturas mais adequadas para sua realidade regional.

Governança é a chave para enfrentar a instabilidade

Na avaliação da RZ3, vencer os desafios impostos pelo El Niño depende de uma visão empresarial da atividade agrícola. “O produtor que atravessar esse período com mais segurança será aquele que atuar como gestor de riscos e não apenas como produtor.”

A recomendação inclui manutenção de liquidez financeira, diversificação de culturas, utilização de contratos futuros para proteção de preços e fortalecimento dos controles internos da propriedade.

“Ganhar o jogo contra o El Niño não significa eliminar os riscos, mas construir capacidade para enfrentá-los e aproveitar as oportunidades que surgirem.”

Segundo Rozante, a governança agrícola deve integrar planejamento financeiro, gestão de crédito, estratégia tributária e monitoramento climático. “O campo moderno exige visão de negócios. Não basta produzir bem. É necessário gerir a propriedade como uma empresa, com planejamento, disciplina e capacidade de adaptação.”

Para o especialista, essa mudança de mentalidade será decisiva para a sustentabilidade econômica do agronegócio brasileiro diante das incertezas climáticas.

Gestão estratégica contra o El Niño

ÁreaPrincipais recomendações
Gestão tributáriaAproveitar créditos fiscais, planejar compras e otimizar custos com insumos e logística
Crédito ruralAntecipar renegociações e utilizar linhas emergenciais disponíveis
Seguro agrícolaContratar apólices adequadas e aproveitar subvenções e benefícios fiscais
Gestão financeiraManter liquidez e formar reservas para períodos de instabilidade
ComercializaçãoUtilizar contratos futuros e instrumentos de proteção de preços
ProduçãoDiversificar culturas e ajustar o planejamento às previsões climáticas
GovernançaIntegrar planejamento financeiro, tributário e operacional
MonitoramentoAcompanhar continuamente cenários climáticos e econômicos

Segundo Junior Rozante, a principal lição deixada pelo atual cenário climático é que a gestão do risco passou a ser parte inseparável da atividade agrícola. “O produtor não consegue mudar o comportamento do clima, mas pode preparar sua empresa para enfrentar os desafios e preservar sua competitividade. Essa será a grande vantagem do agro nos próximos anos.”

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Impactos do El Niño: Green Has aposta em bioestimulantes

2

Solo, genética e manejo: a tríade contra as perdas climáticas

3

Life Biological Control: a fábrica de baculovírus do Brasil

4

Planejamento: melhor estratégia contra os extremos climáticos

5

Biológicos fortalecem o cafeeiro contra os extremos climáticos

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

Golden,Sunset,Rays,Bathe,A,Vibrant,Soybean,Crop,,Showcasing,The

Impactos do El Niño: Green Has aposta em bioestimulantes

Soybean,Pods,On,The,Plantation,At,Sunset.,Agricultural,Photography.

Solo, genética e manejo: a tríade contra as perdas climáticas

Capa 06 - PG 70 a 71 (Pequeno)

Life Biological Control: a fábrica de baculovírus do Brasil

Capa 05 - Foto 01 (Pequeno)

Planejamento: melhor estratégia contra os extremos climáticos