A cultivar de mandioca IAC 139 é a mais nova tecnologia desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC) para a cadeia da mandioca de indústria. O novo material apresenta produtividade média 25% superior às cultivares atualmente disponíveis, além de elevado teor de matéria seca, resistência à bacteriose e colheita precoce, características que aumentam a eficiência da produção de farinha, polvilho e fécula.
Batizada em homenagem aos 139 anos do IAC, comemorados em junho deste ano, a cultivar foi desenvolvida para atender às demandas da indústria por matéria-prima de maior rendimento e qualidade.
Cultivar de mandioca IAC 139 oferece maior rendimento industrial
O principal diferencial da cultivar de mandioca IAC 139 é o alto teor de matéria seca nas raízes, que chega a 41%, sendo composto por 80% a 85% de amido e apenas 1% a 2% de fibras.
Essas características proporcionam maior aproveitamento industrial, reduzindo perdas e aumentando a eficiência na produção de derivados da mandioca.
Além disso, a cultivar apresenta raízes com casca e polpa claras, atributo valorizado pelas indústrias processadoras.
Segundo o pesquisador José Carlos Feltran, do IAC, o desenvolvimento do material buscou reunir produtividade, qualidade industrial e resistência às principais doenças da cultura.
“Essa cultivar possui alto teor de matéria seca e raízes de casca e polpas claras, que são um grande atrativo para as indústrias. Para atender o setor, nossa pesquisa considerou essas características, além de rendimento e resistência à bacteriose.”
Nova cultivar alia produtividade e colheita precoce
Outro destaque da cultivar de mandioca IAC 139 é o ciclo produtivo reduzido.
A colheita pode ser realizada entre 10 e 13 meses após o plantio, permitindo maior flexibilidade para o produtor e antecipando o retorno econômico da lavoura.
A cultivar também apresenta resistência à bacteriose, considerada uma das principais doenças que afetam a mandioca no Brasil.
Material é adaptado às principais regiões produtoras
A cultivar de mandioca IAC 139 foi desenvolvida para atender principalmente as regiões produtoras dos estados de:
- São Paulo;
- Paraná;
- Mato Grosso do Sul.
Em São Paulo, onde predominam cultivares desenvolvidas pelo IAC, a mandioca destinada à indústria ocupa cerca de 70 mil hectares, concentrados principalmente na região do Médio Paranapanema, próxima à divisa com o Paraná.
Além desses estados, a produção nacional de mandioca industrial também se destaca no Pará, Bahia, Ceará e Mato Grosso do Sul.
Atualmente, o Brasil produz aproximadamente 20 milhões de toneladas de mandioca por ano, cultivadas em cerca de um milhão de hectares, sendo autossuficiente na produção de farinha e fécula.
Desenvolvimento da cultivar levou mais de uma década
O desenvolvimento da cultivar de mandioca IAC 139 teve início em 2012, dentro do programa de melhoramento genético do Instituto Agronômico.
O novo material foi obtido por meio do cruzamento entre as cultivares IAC 14 e Fécula Branca.
Após a geração de milhares de clones, os pesquisadores selecionaram o material IAC 19-12, que apresentou os melhores resultados em produtividade, qualidade industrial e resistência durante avaliações realizadas em diferentes regiões produtoras.
Posteriormente, o material foi registrado no Registro Nacional de Cultivares (RNC) do Ministério da Agricultura e Pecuária, recebendo oficialmente o nome IAC 139.
Com maior produtividade, elevado teor de amido, resistência às principais doenças e colheita precoce, a cultivar de mandioca IAC 139 amplia as opções para produtores e indústrias, fortalecendo a competitividade da cadeia da mandioca no Brasil.