O Brasil pode liderar a nova revolução global dos pulses e assumir papel estratégico na segurança alimentar mundial. A avaliação foi apresentada por Marcelo Eduardo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses, durante participação no plenário da Global Pulse Confederation, principal fórum internacional do setor, realizado em Orlando.
Segundo Lüders, a presença brasileira no principal encontro global dos pulses reforça o avanço do país na produção de feijão, lentilhas, ervilhas e proteínas vegetais, além de consolidar o Brasil como protagonista no debate sobre segurança alimentar, sustentabilidade agrícola e estabilidade de mercado.
Brasil amplia protagonismo global no setor de pulses
De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses, o desafio atual vai além do aumento da produção agrícola. Para ele, o setor global de pulses ainda enfrenta forte volatilidade, alternando períodos de preços baixos para produtores e momentos de escassez e alta nos custos para compradores.
“O mundo começa a perceber que produzir mais, sozinho, não resolve o problema. Precisamos de coordenação de mercado, estabilidade e fortalecimento do consumo de comida de verdade”, destaca.
Durante o evento da Global Pulse Confederation, lideranças globais discutiram caminhos para ampliar a previsibilidade do mercado internacional de pulses e fortalecer cadeias sustentáveis de produção de alimentos.
Pesquisa e tecnologia impulsionam produção brasileira de pulses
O Brasil chega ao cenário internacional em um novo patamar competitivo. Atualmente, o país possui mais de 20 cultivares exportáveis de feijão e pulses, resultado de décadas de pesquisa conduzidas por instituições como a Embrapa e o Instituto Agronômico de Campinas.
Pesquisadores como Alisson Chiorato e Sérgio Carbonell contribuíram diretamente para o desenvolvimento de cultivares mais produtivas, adaptadas e competitivas no mercado global.
Além da genética, o setor brasileiro avança em áreas como rastreabilidade, agricultura regenerativa, uso de biológicos, gestão eficiente da água e produção de proteínas concentradas de feijão.
Nanofertilizantes ganham espaço na agricultura sustentável
Outro destaque citado por Marcelo Lüders foi o crescimento do uso de nanofertilizantes na agricultura brasileira. A tecnologia surge como alternativa para aumentar a eficiência no uso de nutrientes e reduzir perdas por volatilização e lixiviação.
Segundo ele, os nanofertilizantes representam uma nova fronteira tecnológica para a sustentabilidade agrícola, permitindo maior absorção pelas plantas e melhor aproveitamento dos recursos do solo.
“Na prática, é produzir mais aproveitando melhor os recursos disponíveis. Isso muda o custo de produção e também a lógica da sustentabilidade”, afirma.
Proteínas vegetais de feijão ganham mercado
Enquanto parte da indústria global investe em proteínas vegetais ultraprocessadas, o Brasil busca fortalecer proteínas baseadas em comida de verdade. Atualmente, já existem cultivares de feijão com até 30% de proteína, além do avanço de proteínas concentradas e produtos instantâneos voltados ao consumidor urbano.
O crescimento da demanda por alimentos saudáveis, funcionais e sustentáveis abre espaço para os pulses brasileiros no mercado internacional.
Consumo de feijão entre jovens preocupa setor
Para o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses, um dos maiores desafios globais será manter e ampliar o consumo de feijão, lentilhas e ervilhas entre as novas gerações.
Segundo ele, o setor precisa investir em educação alimentar, alimentação escolar, conveniência e reposicionamento dos pulses como alimentos modernos, nutritivos e acessíveis.
Nesse contexto, iniciativas como o Viva Feijão surgem como estratégia para fortalecer o consumo interno e ampliar a conexão do alimento com saúde pública e segurança alimentar.
Brasil pode se tornar articulador global dos pulses
Marcelo Lüders avalia que o Brasil vive um momento estratégico dentro do mercado internacional de pulses. Mais do que fornecedor, o país pode assumir papel de articulador global do setor, contribuindo para mercados mais estáveis, previsíveis e sustentáveis.
“Produtores, compradores, exportadores, pesquisadores e consumidores dependem da mesma coisa: estabilidade, demanda forte e previsibilidade. O Brasil tem capacidade técnica e produtiva para liderar essa transformação”, conclui.