Como o Brasil pode liderar revolução global dos pulses?

Representantes do Brasil participam do Global Pulse Confederation em Orlando debatendo segurança alimentar, pulses e sustentabilidade agrícola.
Brasil reforça protagonismo global no setor de pulses durante fórum internacional realizado em Orlando, nos Estados Unidos.

Publicado em 20 de maio de 2026 às 09h14

Última atualização em 20 de maio de 2026 às 09h14

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O Brasil pode liderar a nova revolução global dos pulses e assumir papel estratégico na segurança alimentar mundial. A avaliação foi apresentada por Marcelo Eduardo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses, durante participação no plenário da Global Pulse Confederation, principal fórum internacional do setor, realizado em Orlando.

Segundo Lüders, a presença brasileira no principal encontro global dos pulses reforça o avanço do país na produção de feijão, lentilhas, ervilhas e proteínas vegetais, além de consolidar o Brasil como protagonista no debate sobre segurança alimentar, sustentabilidade agrícola e estabilidade de mercado.

Brasil amplia protagonismo global no setor de pulses

De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses, o desafio atual vai além do aumento da produção agrícola. Para ele, o setor global de pulses ainda enfrenta forte volatilidade, alternando períodos de preços baixos para produtores e momentos de escassez e alta nos custos para compradores.

“O mundo começa a perceber que produzir mais, sozinho, não resolve o problema. Precisamos de coordenação de mercado, estabilidade e fortalecimento do consumo de comida de verdade”, destaca.

Durante o evento da Global Pulse Confederation, lideranças globais discutiram caminhos para ampliar a previsibilidade do mercado internacional de pulses e fortalecer cadeias sustentáveis de produção de alimentos.

Pesquisa e tecnologia impulsionam produção brasileira de pulses

O Brasil chega ao cenário internacional em um novo patamar competitivo. Atualmente, o país possui mais de 20 cultivares exportáveis de feijão e pulses, resultado de décadas de pesquisa conduzidas por instituições como a Embrapa e o Instituto Agronômico de Campinas.

Pesquisadores como Alisson Chiorato e Sérgio Carbonell contribuíram diretamente para o desenvolvimento de cultivares mais produtivas, adaptadas e competitivas no mercado global.

Além da genética, o setor brasileiro avança em áreas como rastreabilidade, agricultura regenerativa, uso de biológicos, gestão eficiente da água e produção de proteínas concentradas de feijão.

Nanofertilizantes ganham espaço na agricultura sustentável

Outro destaque citado por Marcelo Lüders foi o crescimento do uso de nanofertilizantes na agricultura brasileira. A tecnologia surge como alternativa para aumentar a eficiência no uso de nutrientes e reduzir perdas por volatilização e lixiviação.

Segundo ele, os nanofertilizantes representam uma nova fronteira tecnológica para a sustentabilidade agrícola, permitindo maior absorção pelas plantas e melhor aproveitamento dos recursos do solo.

“Na prática, é produzir mais aproveitando melhor os recursos disponíveis. Isso muda o custo de produção e também a lógica da sustentabilidade”, afirma.

Proteínas vegetais de feijão ganham mercado

Enquanto parte da indústria global investe em proteínas vegetais ultraprocessadas, o Brasil busca fortalecer proteínas baseadas em comida de verdade. Atualmente, já existem cultivares de feijão com até 30% de proteína, além do avanço de proteínas concentradas e produtos instantâneos voltados ao consumidor urbano.

O crescimento da demanda por alimentos saudáveis, funcionais e sustentáveis abre espaço para os pulses brasileiros no mercado internacional.

Consumo de feijão entre jovens preocupa setor

Para o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses, um dos maiores desafios globais será manter e ampliar o consumo de feijão, lentilhas e ervilhas entre as novas gerações.

Segundo ele, o setor precisa investir em educação alimentar, alimentação escolar, conveniência e reposicionamento dos pulses como alimentos modernos, nutritivos e acessíveis.

Nesse contexto, iniciativas como o Viva Feijão surgem como estratégia para fortalecer o consumo interno e ampliar a conexão do alimento com saúde pública e segurança alimentar.

Brasil pode se tornar articulador global dos pulses

Marcelo Lüders avalia que o Brasil vive um momento estratégico dentro do mercado internacional de pulses. Mais do que fornecedor, o país pode assumir papel de articulador global do setor, contribuindo para mercados mais estáveis, previsíveis e sustentáveis.

“Produtores, compradores, exportadores, pesquisadores e consumidores dependem da mesma coisa: estabilidade, demanda forte e previsibilidade. O Brasil tem capacidade técnica e produtiva para liderar essa transformação”, conclui.

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