Uma pesquisa da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia identificou uma nova estratégia para fortalecer o controle biológico do percevejo-barriga-verde, uma das principais pragas do milho e de outras culturas de importância econômica no Brasil. O estudo demonstrou que a aplicação de um fungo benéfico altera os compostos aromáticos liberados pelas plantas de milho, atraindo uma vespa parasitoide que elimina os ovos do inseto.
Os resultados foram publicados no periódico científico Journal of Pest Science e apontam uma alternativa promissora para reduzir a dependência de defensivos químicos.
Como funciona o controle biológico do percevejo-barriga-verde
A pesquisa utilizou o fungo Beauveria bassiana, que coloniza a planta sem causar danos. Após a aplicação nas folhas do milho, os pesquisadores observaram que o microrganismo modificou a emissão de compostos voláteis da planta.
Entre as mudanças, houve aumento da produção de salicilato de metila, substância conhecida por atrair inimigos naturais de pragas, e redução da emissão de alfa-farneseno.
Essa alteração no aroma funciona como um sinal químico para a vespa Telenomus podisi, que localiza os ovos do percevejo-barriga-verde e deposita seus próprios ovos em seu interior, impedindo o nascimento de novos insetos e reduzindo naturalmente a população da praga.
Praga causa perdas de até 30% na produtividade
Os maiores prejuízos provocados pelo percevejo-barriga-verde ocorrem em áreas de Sistema Plantio Direto com rotação entre soja e milho.
Após a colheita da soja, o inseto migra para as lavouras recém-estabelecidas de milho, alimentando-se das plantas durante as primeiras semanas de desenvolvimento. Esse ataque inicial compromete o crescimento da cultura e pode provocar perdas de até 30% na produtividade.
Durante cinco anos, a equipe da Embrapa avaliou a interação entre o fungo benéfico, a planta e a vespa parasitoide para compreender como a ecologia química poderia contribuir para o controle da praga.
Próxima etapa será validar a tecnologia no campo
Até o momento, os experimentos foram realizados em condições controladas de laboratório. A próxima fase prevê testes em lavouras comerciais para verificar se os resultados obtidos podem ser reproduzidos em campo.
Caso a eficiência seja confirmada, a tecnologia poderá integrar um protocolo de Manejo Integrado de Pragas (MIP), combinando diferentes ferramentas de controle biológico para aumentar a eficiência no manejo do percevejo-barriga-verde, reduzir custos de produção e minimizar impactos ambientais.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, com colaboração da Embrapa Agroenergia e apoio de pesquisadores e estudantes especializados em micologia, semioquímica e controle biológico.



