Santa Catarina tem mais plantas nativas ameaçadas de extinção

Pesquisa aponta falhas na lista estadual e alerta para a necessidade de atualizar políticas de conservação da flora catarinense.
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Um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) indica que a lista oficial de plantas nativas ameaçadas de extinção no estado pode estar significativamente desatualizada. Desenvolvida entre 2022 e 2026, a pesquisa concluiu que diversas espécies da flora catarinense sob risco de desaparecimento não estão contempladas na relação vigente desde 2014.

O trabalho reuniu especialistas em botânica, taxonomia, genética e conservação da biodiversidade, que revisaram critérios técnicos, nomenclaturas e o enquadramento das espécies ameaçadas.

Estudo aponta subestimação das plantas nativas ameaçadas de extinção

Os pesquisadores analisaram 47 espécies da ordem Myrtales, grupo que reúne plantas como jabuticaba, pitanga, canela-de-velho e quaresmeira. O levantamento concluiu que 30 delas deveriam ser classificadas como ameaçadas de extinção, enquanto a lista oficial reconhece apenas cinco.

Segundo o estudo, isso representa uma subestimação de aproximadamente seis vezes no número de espécies ameaçadas desse grupo.

A equipe também identificou inconsistências na lista estadual, como nomes científicos desatualizados, erros de grafia, problemas taxonômicos e até a inclusão de espécies exóticas.

Pesquisa alerta para impactos das mudanças climáticas

Além da revisão da lista oficial, o estudo aprofundou a análise de três espécies raras e exclusivas da Mata Atlântica catarinense: Myrceugenia basicordata, Myrceugenia joinvillensis e Miconia ulei.

Os resultados indicam que essas plantas apresentam elevada vulnerabilidade em razão da fragmentação florestal e das mudanças climáticas. As projeções apontam redução de até 76% da área adequada para Myrceugenia basicordata e de até 97% para Myrceugenia joinvillensis, cenário que aproxima a espécie do risco de extinção.

A pesquisa também realizou os primeiros testes de germinação de sementes de Miconia ulei, demonstrando potencial para conservação em bancos de sementes e utilização em programas de restauração ambiental.

Com base nos resultados, os pesquisadores defendem a atualização urgente da lista de plantas nativas ameaçadas de extinção em Santa Catarina e a inclusão das espécies estudadas nas listas estadual e nacional, reforçando que esses documentos orientam políticas públicas, licenciamento ambiental, criação de áreas protegidas e ações de conservação da biodiversidade.

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