Umidade no outono/inverno aumenta ataque de phoma em cafezais

Crédito Santinato&Santinato

Publicado em 12 de setembro de 2015 às 07h00

Última atualização em 12 de setembro de 2015 às 07h00

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José Braz Matiello

jb.matiello@gmail.com.br

Saulo R. de Almeida

Iran B. Ferreira

Engenheiros agrônomos da Fundação Procafé

 

Crédito Santinato&Santinato
Crédito Santinato&Santinato

Nos meses de maio-junho ocorreu um ataque anormal da doença causada por Phoma/Ascochyta em regiões cafeeiras no Sul de Minas, quando, em condições normais, não seria esperado.

A doença, pelo ataque dos fungos dos gêneros Phoma e Ascochyta, afeta folhas, ramos, botões e frutos, causando desfolha, seca de ponteiros e mumificação de florações e de chumbinhos, reduzindo a produtividade de cafeeiros.

Os fatores que favorecem e que estão ligados à gravidade da doença são: regiões de altitude elevada, ocorrência de frio e vento, umidade, falta ou excesso de adubação nitrogenada e carga baixa das lavouras.

Neste ano, mesmo regiões com altitudes mais baixas, porém com acúmulo de umidade, vêm apresentando altos níveis da doença. Assim, por exemplo, tem sido verificado forte ataque nas áreas próximas da represa, na Bacia de Furnas, no Sul de Minas, onde as altitudes situam-se entre 700 e 800 m, portanto, zonas baixas na região.

Ocorre que nessas áreas se forma uma neblina noturna, que se acumula sobre as lavouras, criando condições favoráveis ao ataque dos fungos causadores da doença. Um período mais úmido, com chuvas anormais, tem favorecido ainda mais o ataque.

Causas

Em visita a diversas propriedades na região da Bacia de Furnas, verificou-se que as áreas atacadas por Phoma/Ascochyta vêm constantemente apresentando problemas de baixa produtividade, se constituindo em áreas-problemas dentro das propriedades.

Nestas áreas, apesar do bom manejo das lavouras, idêntico ao das demais áreas, os cafezais-problema têm apresentado produtividade muito baixa, ao redor de 10 sc/ha. Outras observações feitas dizem respeito ao favorecimento da infecção na folhagem pela abertura do tecido foliar, provocado pelo ataque de lagartas e pelo posicionamento das linhas de cafeeiros, facilitando a infecção pelos fungos, sendo que o ataque é mais forte na face dos cafeeiros voltada para o sol da tarde, onde o molhamento foliar permanece por mais tempo.

Controle

Quanto às medidas de controle adequadas à situação de áreas-problema de Phoma/Ascochyta, encontramos as seguintes. Primeiro, deve-se procurar uma alteração na condição microclimática da lavoura. Assim, no caso de lavouras com plantas muito altas, deve-se decotá-las para reduzir a altura e permitir maior insolação e arejamento do ambiente dentro da lavoura.

Em casos de implantação de novas lavouras, sempre que possível deve-se alinhar no sentido leste-oeste, também para possibilitar melhor insolação na lavoura.

Segundo ” equilibrar melhor a dose de adubos nitrogenados, evitando excesso.

Terceiro ” usar um programa de pulverizações com fungicidas específicos nestas áreas, indicando-se uma a duas aplicações de inverno e duas na pré e pós-florada. Em áreas onde ocorre infestação de lagartas, verificar o que está desequilibrando esta praga ocasional e, quando necessário, associar inseticida específico nas aplicações de fungicidas.

Em novas plantações deve-se buscar o plantio de variedades mais tolerantes à Phoma, como – Catucaí amarelo 2SL e 20-15 cv 479, Japy e Palma 2.

 

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