Tecnologia NAC: N acetilcisteína para uma citricultura resiliente

A citricultura brasileira convive hoje com um dos maiores desafios de sua história: produzir de forma economicamente viável em um cenário de alta pressão por doenças, estresses climáticos e redução da longevidade dos pomares.

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 06h12

Última atualização em 9 de janeiro de 2026 às 08h18

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Autoria:

Dra. Simone Picchi
CiaCamp: Pesquisa e Desenvolvimento. Descascando a Ciência: organização e produção do conteúdo

A citricultura brasileira convive hoje com um dos maiores desafios de sua história: produzir de forma economicamente viável em um cenário de alta pressão por doenças, estresses climáticos e redução da longevidade dos pomares.

Nesse contexto, tecnologias que fortalecem a fisiologia das plantas ganham relevância estratégica. É nesse cenário que o N acetilcisteína (NAC) tem se consolidado como uma ferramenta promissora para uma citricultura mais resiliente.

Plantas mais fortes

O NAC é uma molécula antioxidante conhecida por atuar na regulação do metabolismo celular. Em plantas, seu uso está associado ao fortalecimento dos mecanismos naturais de defesa, à redução do estresse oxidativo e à manutenção da funcionalidade dos tecidos, especialmente em condições adversas.

Diferentemente de estratégias voltadas ao controle direto de patógenos, o NAC atua indiretamente, promovendo uma planta mais equilibrada, vigorosa e capaz de responder melhor aos desafios do ambiente.

O greening (HLB), causado por Candidatus Liberibacter spp., compromete a fisiologia das plantas ao afetar o floema, reduzir a fotossíntese e provocar desequilíbrios nutricionais e queda precoce de frutos, encurtando a vida produtiva dos pomares.

Diante disso, fortalecer a planta torna-se tão essencial quanto o controle do vetor e das fontes de inóculo.

Eficácia

Plantas tratadas com NAC apresentam respostas fisiológicas mais eficientes mesmo quando infectadas. A molécula atua em múltiplas frentes: contribui para o aumento da atividade antioxidante, reduz danos celulares associados ao estresse, melhora o funcionamento metabólico e auxilia na manutenção da integridade dos tecidos vasculares.

Como consequência, observa-se menor severidade de sintomas, maior teor de clorofila, melhor retenção de frutos e maior estabilidade produtiva.

Como funciona

Na prática, resultados de campo confirmam esse potencial. Em pomares comerciais de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, foram observados incrementos superiores a 200 caixas por área tratada em relação às áreas não tratadas na safra 2024/25.

Ao longo de cinco anos de avaliação (2021-2025), plantas com sintomas de greening tratadas com NAC, apresentaram aumento de 19,1 t.ha⁻¹ na produção, quando comparadas à testemunha.

Observa-se, em média, redução de até 50% na queda de frutos e cerca de cinco colheitas em áreas manejadas com NAC. Variedades precoces respondem mais rapidamente, enquanto as tardias apresentam ganhos consistentes ao longo do tempo, com menor incidência e severidade dos sintomas visuais da doença.

Em pomares em formação, o uso do NAC surge como um aliado para um manejo mais sustentável, contribuindo para plantas mais sadias, produtivas e longevas desde as fases iniciais de desenvolvimento.

A base científica sólida da tecnologia NAC é resultado de mais de duas décadas de pesquisa conduzida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), referência em ciência agrícola no país.

Exclusividade

A molécula é patenteada e licenciada exclusivamente à CiaCamp, teve sua aplicação viabilizada pela parceria com a Amazon AgroSciences. Essa integração entre pesquisa pública e iniciativa privada resultou em uma inovação brasileira que já promove maior produtividade, resiliência e sustentabilidade à citricultura.

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