Quais as exigências no cultivo de tomates?

Publicado em 6 de fevereiro de 2020 às 08h03

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h44

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Autores

Ronaldo Machado Junior
Engenheiro agrônomo, mestre em Fitotecnia e doutorando em Genética e Melhoramento – Universidade Federal de Viçosa (UFV)
ronaldo.juniior@ufv.br
Herika Paula Pessoa
Engenheira agrônoma, mestre e doutoranda em Fitotecnia – UFV
herika.paula@ufv.br
Crédito: Shutterstock

O tomateiro é suscetível ao ataque de diversos patógenos e pragas durante o seu ciclo de produção. O controle químico é o principal método de controle empregado para reduzir os danos desses ataques.

A utilização inadequada de moléculas químicas para o controle de pragas e doenças, além do ônus financeiro para o produtor, também gera desequilíbrios ambientais pela redução de inimigos naturais e possibilidade de desenvolvimento de populações resistentes a essas moléculas e maléficos para o consumidor final, uma vez que aumenta a probabilidade da produção de alimentos com altos níveis de resíduos tóxicos.

A fim de minimizar os problemas advindos do controle químico e manter as populações da praga e patógenos abaixo do nível de dano econômico, tem-se utilizado o manejo integrado, com destaque para o método de resistência de plantas, o qual tem as vantagens de não provocar danos ao meio ambiente, não implicar em ônus adicional ao agricultor, ser de fácil utilização, em razão de não interferir nas demais práticas culturais e de normalmente ser compatível com outros métodos de controle.

Quem é ela

A resistência pode ser entendida como a capacidade do hospedeiro evitar ou atrasar a penetração e subsequente desenvolvimento do patógeno. A indução à resistência pode tornar as plantas mais resistentes à infecção de um patógeno por ativação prévia de seus mecanismos de defesa devido a algum tipo de estresse.

O estresse pode ser gerado por agentes indutores de origem biótica (patógenos avirulentos ou virulentos, como fungos, vírus, bactérias e extratos de plantas) ou abiótica (radiação UV, choque térmico, injúrias mecânicas ou compostos químicos, tais como fosfatos, micronutrientes, aminoácidos e derivados do ácido salicílico).

Atualmente, os programas de melhoramento do tomateiro têm como objetivo obter variedades resistentes a fatores bióticos e abióticos. Nas últimas décadas, esforços mútuos de programas de melhoramento públicos e privados identificaram e introgrediram genes de resistência a vários patógenos e pragas em híbridos comerciais.

Hoje, para que as cultivares comerciais apresentem uma melhor aceitação no mercado elas devem possuir um pacote mínimo de alelos de resistência, o qual inclui doenças fúngicas (pinta-preta, mela ou requeima, murcha-de-fusário 1, 2 e 3), doenças bacterianas (murcha bacteriana, cancro bacteriano, pinta-bacteriana), nematoides (das galhas), viroses (ToSRV, ToMLCV, TGVV, TYLCV, TSWV, TCSV, CSNV, GRSV) e artrópodes-praga (Bemisia argentifolli, Tuta absoluta, Tetranycus urticae).

Entretanto, as populações de patógenos e pragas estão em constante evolução, de forma que a resistência genética é quebrada em alguns ciclos, a depender do patógeno/praga. Por isso, os programas de melhoramento estão constantemente testando e avaliando materiais que continuem resistentes pelo menos a esse pacote básico de resistência.

Pesquisas

As principais etapas de um programa de melhoramento que tem por objetivo a resistência genética são: identificar fontes de resistência; incorporar estes genes em cultivares comerciais por meio dos métodos de melhoramento; traçar a melhor estratégia para que a resistência seja durável face à natureza dinâmica das populações patogênicas.

Para doenças com resistência oligogênica, os métodos mais simples de combinação ou transferência de genes permitem rápido avanço de gerações e obtenção de novos híbridos. Por outro lado, para doenças em que a herança de resistência é mais complexa, como resistência horizontal, poligênica, como a grande parte das doenças foliares, os cruzamentos são complexos e os avanços de gerações dependem de seleções dentro de populações de progênies, do tipo de seleção de plantas e seleção massal.

O melhoramento genético visando a resistência a pragas e doenças é uma estratégia essencial para viabilizar a tomaticultura moderna. A pressão de patógenos, insetos e fatores abióticos limita a produtividade da cultura.

O produtor, por sua vez, para garantir a produtividade de sua lavoura, se vê obrigado a lançar mão de produtos químicos para controlar esses fatores bióticos. O desenvolvimento de cultivares com pacotes de resistência atualizados para as principais pragas e doenças, atendendo as mais variadas demandas, como o surgimento de novas cepas e raças de patógenos, não só reduz os custos de produção pela redução da utilização do controle químico como também gera produtos com maior valor agregado devido ao menor resíduo de agrotóxicos.

Viabilidade

Embora a aquisição de sementes híbridas com pacotes de resistência amplos para os principais patógenos e insetos incremente os custos de produção, implantar a lavoura com esse material é vantajoso, uma vez que os custos com controle químico/biológico/cultural são reduzidos.

Além disso, o risco de perda de produção devido à pressão de patógenos e pragas é reduzido, e existe ainda a possibilidade de incremento no valor final do produto pela maior qualidade do mesmo e menor quantidade de resíduos químicos.

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