Palha de café é fonte de adubo

A casca de café pode ser proveniente do processamento do café via úmida e da etapa de beneficiamento, gerada em grande volume nas próprias fazendas cafeeiras.
Café - Crédito: Dalyse Toledo

Publicado em 21 de outubro de 2020 às 11h16

Última atualização em 21 de outubro de 2020 às 11h16

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Dalyse Toledo Castanheira

Doutora e professora – Universidade Federal de Viçosa (UFV) dalysecastanheira@hotmail.com

Café – Crédito: Dalyse Toledo

A casca de café pode ser proveniente do processamento do café via úmida e da etapa de beneficiamento, gerada em grande volume nas próprias fazendas cafeeiras. É uma importante fonte de nutrientes e sua utilização nas lavouras pode complementar o planejamento das adubações e, até mesmo, substituir fertilizantes potássicos minerais. Porém, seus benefícios ao sistema produtivo do café podem ser ainda maiores.

O uso de compostos oriundos de resíduos descartados por indústrias e por atividades agrícolas proporcionam uma perspectiva de sustentabilidade na agricultura, principalmente em função dos seus baixos custos e da maior conservação do solo.

A casca de café, quando aplicada na lavoura cafeeira, tem funcionado como uma técnica para o condicionamento do solo, visto que há uma melhoria das características físico-químicas e biológicas do solo, bem como devido à fração orgânica, uma disponibilização gradual dos nutrientes para as plantas. 

A sua aplicação sobre a superfície do solo, na projeção da copa do cafeeiro, possibilita redução das perdas de umidade e impede a compactação, além de que, em função da cobertura do solo, facilita o manejo de plantas espontâneas, seja pela capacidade alelopática ou por funcionar como uma barreira física.

Em lavouras recém-implantadas, uma observação importante é evitar que a casca seja depositada muito próxima ao colo das plantas, respeitando uma distância de 10 cm.

Pesquisas

Em uma pesquisa realizada na Universidade Federal de Lavras, verificou-se que a casca de café aplicada no cafeeiro promoveu o aumento no potássio do solo em relação à cafeeiros conduzidos com outros diferentes manejos.

Na figura a seguir, observa-se esse resultado, em que as plantas que receberam a casca de café são representadas pelo tratamento “CC”. A casca de café possibilitou um acréscimo de 73% de potássio em relação à testemunha – que não recebeu a casca.

Figura 01:  Potássio disponível no solo (K – mg dm-3) em cafeeiros cultivados sob cinco condicionadores de solo (casca de café (CC), composto orgânico (CO), gesso agrícola (G), polímero hidrorretentor (H) e testemunha (T)). Universidade Federal de Lavras, 2018.

Devido ao aumento no teor de potássio no solo, em função da aplicação da casca de café, destaca-se a importância da recomendação do seu uso como fonte complementar de nutrientes na adubação do cafeeiro.

Além disso, a pesquisa também indicou que houve uma redução da saturação por alumínio e da acidez potencial do solo, em função da utilização da casca de café.

Para o sucesso na utilização da casca de café, é imprescindível realizar a análise de solo, de modo que a recomendação do uso seja baseada nas características químicas e no equilíbrio dos nutrientes do solo.

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