Oeste da Bahia começa a colher o algodão

A distribuição de chuvas fora do normal – com excesso no plantio e falta nos meses de fevereiro, março e abril – impactou na expectativa de produtividade e produção, de acordo com a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).

Publicado em 24 de maio de 2022 às 10h50

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h17

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Crédito Abrapa

Na semana passada, já havia máquinas começando a trabalhar, mas é a partir de agora que a colheita do algodão no Oeste da Bahia “engrena”, nos 303 mil hectares de lavouras ocupados pela cultura na região, na safra 2021/2022. A distribuição de chuvas fora do normal – com excesso no plantio e falta nos meses de fevereiro, março e abril – impactou na expectativa de produtividade e produção, de acordo com a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa). A redução esperada, até o momento, deve ser em torno de 10%, com produtividade variando entre 280 e 300 arrobas de algodão por hectare, contra 311 arrobas estimadas anteriormente, e produção de 530 mil toneladas de pluma (algodão beneficiado), ante as 588 mil toneladas originalmente aguardadas.

De acordo com o presidente da Abapa, Luiz Carlos Bergamaschi, esta safra ainda deverá ser remuneradora para os produtores. Os insumos foram adquiridos em patamares de preço anteriores à guerra entre Rússia e Ucrânia, e o algodão foi comercializado em valores superiores a US$0,80 por libra-peso. Cerca de 70% da safra 2021/2022 já foram vendidos.

Para 2022/2023, contudo, a situação é mais preocupante. “Os preços de fertilizantes chegaram a triplicar. Ainda assim, boa parte das aquisições foi feita em valores anteriores à guerra e acreditamos que mais da metade dos produtos demandados já estão nas propriedades”, afirma Bergamaschi.

Nesta safra, a boa notícia é que o bicudo-do-algodoeiro, principal praga das lavouras de algodão, se manteve em níveis baixos e sob controle. Já as lagartas helicoverpa e spodóptera apresentaram alguma resistência no final do ciclo, assim como a mancha de ramulária, mas sem grandes repercussões, segundo Bergamaschi. “O cotonicultor do Oeste da Bahia é muito vigilante e age prontamente no combate às pragas e doenças. A Abapa e seus parceiros, como a Aiba, a Adab, a Fundação Bahia e a Embrapa, trabalham diuturnamente no monitoramento, combate e na conscientização do produtor. Sabemos que temos de conviver com esses problemas. O desafio é deixá-los em níveis controlados”, conclui.

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