Leite orgânico

Vontade de fazer algo diferente, preocupação ambiental e busca por um estilo de vida mais ...
Pasto - Foto: Divulgação

Publicado em 31 de março de 2021 às 16h28

Última atualização em 31 de março de 2021 às 16h28

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Pasto – Foto: Divulgação

Vontade de fazer algo diferente, preocupação ambiental e busca por um estilo de vida mais tranquilo foram fatores que influenciaram Vinícius Soares a trocar a vida na cidade pelo campo. Atuando há nove anos e meio em indústrias de laticínios, o engenheiro agrônomo e gestor comercial encontrou nos produtos orgânicos um novo rumo para sua carreira e vida pessoal. 

No ano passado, Vinícius pediu demissão do emprego. Segundo ele, coragem é fundamental para buscar os objetivos e abandonar o que está trazendo infelicidade. “A gente precisa de coragem para mudar, encontrar o caminho. Eu desejo que todos encontrem seu caminho. A gente tem que ter rotas alternativas, buscar coisas diferentes para poder viver”, afirma. 

O agrônomo trabalhava em uma empresa de laticínios em Poços de Caldas, no Sul de Minas, há sete anos e meio, mas estava insatisfeito com a vida estressante e queria dar um novo sentido na carreira. “A vida que estávamos levando não era a que eu queria e vinha pensando em alternativas. A possibilidade de ir para a roça veio com a ideia dos produtos orgânicos e da experiência que tinha com leite”. 

Com a pandemia, surgiu a oportunidade do home office, então ele e a esposa, que é dentista, decidiram mudar de Poços de Caldas para o município de Piumhi, no Centro-Oeste do estado, onde está localizada a propriedade dos pais dele. 

A esposa dele, Virginia Cronemberger, por estar grávida não está atuando na área, mas pretende conciliar a vida no campo com o consultório odontológico na cidade. No Sítio Pontal do Araras, na região da Serra da Canastra, ele pôde colocar em prática um projeto que a família vinha planejando desde 2018. A produção vegetal e a pecuária voltada para o leite orgânico.   

Vinícius conta que, mesmo antes de largar o emprego, já estava empenhado nas ideias do seu pai, Vagner Soares, de trabalhar com produtos orgânicos. Assim, naquele ano, iniciou o cultivo de milho e a formação das pastagens orgânicos. Ele explica que a produção orgânica vegetal já está em fase de certificação.   

Em relação à criação de gado, o sistema implantado na fazenda para a produção de leite das vacas da raça Jersey é o pastejo rotacionado juntamente com sistema silvipastoril intensivo, que é a combinação de árvores, pastagem e gado. 

Os animais entraram no processo de transição para o modelo orgânico no ano passado. De acordo com Vinícius, o gado deverá receber a certificação de leite orgânico ainda em julho deste ano. Ele já se prepara também para produzir o primeiro queijo da região da Canastra orgânico certificado. Para isso, o agrônomo lançou a marca Faz o Bem Orgânicos. “Bem-estar é um dos pilares da Faz o Bem, queremos levar bem-estar para o animal, para as pessoas, para a comunidade e para nossos consumidores”, diz o produtor rural. 


Ele ainda tem outros projetos. Um deles é que o sítio se torne uma unidade demonstrativa ou fazenda escola do modelo de produção orgânica, com dependência mínima de insumos externos, baixo custo de produção, aliados à conservação ambiental. Certificação de leite orgânico 

A coordenadora técnica regional da Emater-MG, Alice Beatriz Soares, explica que para receber a certificação de propriedade de produção orgânica é indispensável seguir a legislação ambiental e trabalhista, além de realizar auditoria por meio de empresa contratada ou pelo Sistema Participativo de Garantia (SPG), quando grupos formados por produtores e outras partes interessadas se autocertificam. É necessário também preparar e apresentar um plano de manejo orgânico.   

Em relação à produção de leite, além de observar a legislação, a saúde e o bem-estar animal são requisitos fundamentais para conseguir a certificação. A técnica ainda observa que há necessidade de seguir alguns critérios no manejo do gado, como pastagem por seis horas por dia no período diurno, alimentação saudável, água limpa e bezerros mamarem preferencialmente na mãe. 

Alice Soares ressalta que o processo de conversão para a produção de leite orgânico dura um ano e meio. “ Um ano para conversão orgânica das pastagens e da produção de grãos e mais seis meses para adequação do rebanho ao manejo orgânico”, completa. 

Sistema Silvipastoril

No sítio, foi adotado o sistema silvipastoril intensivo com pastejo rotacionado e irrigado. Vinícius conta que há um ano implantou o sistema na propriedade com o objetivo de diminuir custos, proporcionar conforto aos animais e ter o próprio insumo orgânico. 

Ele ressalta que a atividade garante bem-estar ao gado e oferece aos animais a oportunidade de manter sua característica natural de pastoreio. 

De acordo com João Inácio Citton, técnico da Emater-MG, a silvicultura é um sistema que estuda o manejo de florestas, que podem ser naturais ou artificiais. As naturais, correspondem ao bioma brasileiro, como a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica. Enquanto as artificiais são o pinus, eucalipto, seringueira e paricá. 

No sistema silvipastoril há a integração lavoura-pecuária-floresta, ou seja, há a integração de árvores, pastagens e gado numa mesma área e ao mesmo tempo. O técnico ainda ressalta que o modelo é importante, pois diminui o desmatamento e fornece insumos para a propriedade. 

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