Floresta em Pé x Floresta Derrubada: como mostrar o valor da Amazônia Sustentável?

Descubra como a Teoria da Mudança pode ajudar a mostrar a viabilidade econômica da conservação da floresta e como organizações já utilizam essa ferramenta para alcançar objetivos sustentáveis na região
Acompanhe tudo sobre Amazônia, Florestas, Sustentabilidade e muito mais!
Crédito Unplash

Ana Paula Barbosa de Almeida
Analista de sustentabilidade aplicada na Fundação Espaço Eco

A ONU, no último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, publicado em abril de 2022, afirmou que 2025 é o limite para que a média das emissões de gases do efeito estufa comece a cair e seja evitada uma catástrofe climática.

O compromisso do Estado brasileiro é de restaurar 12 milhões de hectares até 2030, o equivalente a quase três vezes o tamanho do Estado do Rio de Janeiro, para que o País seja capaz de atingir a sua meta de mitigação às mudanças climáticas prevista no Acordo de Paris.

No entanto, o Brasil vem enfrentando cada vez mais desafios para alcançá-las. Até março de 2022, o Brasil não havia alcançado 1,0 milhão de hectares restaurados e, ainda mais preocupante, o desmatamento da Amazônia Legal em 2022 foi o maior dos últimos 15 anos, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Cientistas de diversas nacionalidades já entendem esse cenário e alertam sobre a aproximação ao “tippint point”, em que o ambiente amazônico estará irreversivelmente alterado.

Conservação ambiental

Resumidamente, o termo “Floresta em Pé” é referido como o modelo econômico que se estabelece por meio de iniciativas que fortalecem a bioeconomia de uma área florestal, com foco na conservação ambiental da flora.

Em outras palavras, se refere às atividades que estimulam a economia das populações locais utilizando a floresta como fonte de renda e, simultaneamente, conservando sua existência ao longo do tempo.

Mas, como podemos provar que a floresta em pé tem maior valor econômico que a derrubada? Para isso, a construção de um plano que consiga expor a viabilidade da manutenção da floresta do ponto de vista econômico é de extrema importância, e é nesse ponto que ferramentas como a Teoria da Mudança reforçam seu papel.

Desafios

Muitas organizações presentes no território amazônico já utilizam estas metodologias. Em 2021, o Fundo Vale, de fomento e investimento para geração de impacto socioambiental positivo, divulgou uma Teoria da Mudança para alcançar seus objetivos de 2030 que buscam, entre outras metas, soluções sustentáveis no território amazônico.

Outro exemplo é a Teoria da Mudança elaborada pela Idesam, ONG de impacto na Amazônia, que utilizou a ferramenta para revisar sua estratégia após os desafios pandêmicos da Covid19 e traçar um caminho com impacto relevante na região de 2022 até 2026.

A criação de modelos de negócio robustos e sustentáveis financeiramente é um dos maiores desafios de atividades de impacto, e é por isso que o uso de ferramentas como a Teoria da Mudança é de extrema relevância para comprovar que iniciativas de uso e preservação da floresta são economicamente, ambientalmente e socialmente viáveis.

A urgência amazônica demanda uma maior disseminação e uso de ferramentas para mostrar, na prática, que a floresta em pé vale mais que derrubada.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Titans do Agro: Conhecimento para decidir em tempos de transformação

2

Congresso SAE BRASIL 2026 debate formação de talentos para os desafios do Agro 4.0

3

Os 10 anos da Solubio

4

Potencial do trigo paulista é tema de painel no 11º Encontro da Cadeia Produtiva do Trigo

5

Bicos pulverizadores com sensor de clorofila aplicam maturadores de crescimento no algodão de acordo com o tamanho e necessidade de cada planta

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

ics

Inscrições para o Prêmio iCS de Economia e Clima são prorrogadas até o dia 2 de outubro

rios_cienciaufpr-2

Mais da metade das orquídeas pode estar ameaçada de extinção, diz estudo

Farmer in tractor preparing land with seedbed cultivator as part of pre seeding activities in early spring season of agricultural works at farmlands. Drone photo

Vazio sanitário: o intervalo entre safras que antecede uma nova lavoura

exportacoes-de-soja-para-a-china-1500x992 (Pequeno)

Exportações aos Estados Unidos crescem em agosto, mas acumulam queda relevante no ano