Fixação de nitrogênio e aumento da fertilidade do solo

Fixação de nitrogênio e aumento da fertilidade do solo
Fixação de nitrogênio e aumento da fertilidade do solo

Publicado em 7 de novembro de 2019 às 12h54

Última atualização em 7 de novembro de 2019 às 12h54

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Autora

Krisle da Silva
Pesquisadora Embrapa Florestas
krisle.silva@embrapa.br
Créditos: Krisle da Silva

Nas matas do Estado de Roraima, onde o bioma é a Savana, existe uma árvore que só é conhecida por lá. É o pau-rainha, uma madeira de cor laranja, muito bonita e cobiçada. Resultados de pesquisas comprovam que, em breve, poderá servir para reflorestamento de áreas degradadas.

Essa árvore evita erosão e tem capacidade de fixar nitrogênio, visto que realiza simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio. A reportagem de capa vai mostrar que, além da importância ecológica, o pau-rainha também tem um alto potencial madeireiro, sendo empregado na fabricação de móveis, vigas, caibros, escadas, pisos e para fins medicinais, extração de corante e com bom potencial para produção de energia.

O pau-rainha é uma planta da família das leguminosas e seu nome científico é Centrolobium paraense. Esta árvore é encontrada em florestas conhecidas como “ilhas de mata”, no Estado de Roraima. As ilhas de mata são fragmentos de florestas em áreas de savana, comumente encontrada em Roraima.

Sua altura pode chegar a mais de 20 metros, com diâmetro de altura do peito (DAP) de até 120 cm. Sua madeira tem uma coloração laranja e seus frutos possuem uma câmara com espinhos, onde estão as sementes e uma ala. Sua madeira tem um alto poder calorífico.

Pelo Brasil afora

Por se tratar de uma espécie nativa, ela ainda não é cultivada comercialmente e atualmente no Brasil só é encontrada no Estado de Roraima. O pau-rainha vem sendo utilizado em Roraima de forma indiscriminada, o que constituí uma ameaça para a espécie.

Desta forma, estudos que visem à melhoria para a obtenção de mudas e o plantio em condições de campo são de fundamental importância para manutenção da espécie. O plantio de espécies arbóreas nativas, em um sentido mais amplo, constitui uma alternativa ecológica e socialmente sustentável, uma vez que aumentando a médio e longo prazo a oferta desses recursos vegetais na região, possibilita-se a extração racional da madeira e a geração de renda em propriedades rurais, tendo como consequência a diminuição da pressão antrópica sobre as florestas naturais.

Fixação de nitrogênio

Esta leguminosa estabelece simbiose com bactérias de fixadoras de nitrogênio, o que contribui para a melhoria da fertilidade do solo. A fixação biológica de nitrogênio (FBN) é um processo realizado por bactérias (conhecidas como rizóbios) capazes de capturar o nitrogênio que está presente no ar na forma de um gás (N2) e transformá-lo em amônia (NH3). Desta forma, a planta pode assimilar o nitrogênio, elemento essencial ao desenvolvimento vegetal.

O nitrogênio é um dos elementos mais importantes para o crescimento vegetal. É fornecido às plantas por meio de grupos bacterianos em um processo conhecido como fixação biológica de nitrogênio (FBN). Dentre essas bactérias, as mais utilizadas são os rizóbios, que se associam de forma específica a plantas leguminosas.

Esses microrganismos colonizam raízes com a formação de estruturas denominadas de nódulos, que conseguem captar o nitrogênio do ar e disponibilizá-lo às plantas. Esta interação é particularmente importante nos estágios iniciais de desenvolvimento vegetal.

Pesquisas

A Embrapa Roraima vem trabalhando com rizóbios associados a pau-rainha desde 2010. Foram isolados 178 rizóbios associados a pau-rainha, sendo que, destes, quatro se destacaram por serem mais eficientes em capturar o nitrogênio atmosférico.

Experimentos foram conduzidos em viveiros com a inoculação de bactérias em mudas e também em campo. A seleção de rizóbios eficientes em leguminosas arbóreas representa uma alternativa viável para introdução de mudas bem desenvolvidas e aptas às condições de campo.

De modo geral, essas bactérias aumentam o vigor das plantas devido ao fornecimento contínuo de nitrogênio, dispensando aplicações de adubos nitrogenados adicionais. Esta habilidade é altamente desejável na inclusão de espécies vegetais em programas de recuperação de áreas degradadas nativas, sobretudo aquelas que apresentam baixa fertilidade natural associada a baixo teor de matéria orgânica no solo.

O pau-rainha é encontrado em solos arenosos, com pH ácidos e de baixa fertilidade. As condições climáticas propícias para o cultivo são aquelas encontradas em Roraima, isto é, alta temperatura e pouca chuva.

Estudos conduzidos na Embrapa Roraima verificaram que esta planta na fase inicial não tolera muito sol, sendo necessário um sombreamento de 50% para a produção de mudas. As mudas podem ser levadas a campo aos 05-06 meses (~25 cm de altura e sete folhas).

Visando sua propagação, que pode ser uma alternativa para recuperação de áreas degradadas, a Embrapa desenvolveu um protocolo simples para a produção de mudas via sementes de pau-rainha, que pode ser realizado por qualquer pessoa que tenha interesse no plantio desta espécie.

O protocolo está disponível para download no site (https://www.embrapa.br/roraima/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1072810/producao-de-mudas-de-pau-rainha-centrolobium-paraense-tul)         

Versatilidade

O pau-rainha exerce diversas funções ecológicas que contribuem para a sustentabilidade do ambiente. Isso porque o pau-rainha, ao realizar a simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio, transfere parte desse nitrogênio para o solo por meio da deposição de suas folhas, melhorando a fertilidade nessas áreas, o que beneficia outras plantas. 

Esta planta pode ser utilizada para a recuperação de áreas, principalmente após a aprovação do novo código florestal brasileiro, que passou a cobrar a restauração e recuperação florestal nas áreas de proteção permanente e áreas de reserva legal com espécies nativas.

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