Enxofre é importante para a qualidade do algodão

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Publicado em 7 de janeiro de 2016 às 07h00

Última atualização em 7 de janeiro de 2016 às 07h00

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Na falta do enxofre, as folhas mais novas do algodão ficam amarelas, crescem menos e a produtividade tende a cair, pois a planta passa a ter menos clorofila

 

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Para a qualidade do algodão, só haverá resposta ao enxofre se a planta estiver deficiente. Segundo Ciro Antonio Rosolem, professor da Universidade Estadual Paulista ” Unesp Botucatu, se tal elemento estiver em falta, a planta produzirá menos, mas, em relação à qualidade da pluma, não se observa nenhum efeito particular.

“O que acontece é que existe a tendência de se usar produtos concentrados e pobres em enxofre, algo inaceitável nesta cultura. Principalmente no algodão, as altas produtividades constatadas exigem uma quantidade considerável de enxofre, pois ele é componente de uma série de proteínas e aminoácidos“, pontua o professor.

Na falta do enxofre, ele diz que as folhas mais novas do algodão ficam amarelas, crescem menos e tende a cair a produtividade, pois a planta passa a ter menos clorofila. “No algodão pode haver uma deficiência temporária, mas, se corrigida a tempo, a planta volta a produzir como antes, não gerando prejuízos à produtividade final“, esclarece.

Recomendações

Para saber a quantidade ideal de enxofre a aplicar é preciso fazer análise de solo. “Normalmente a análise de solo é realizada de 0 a 15 cm ou de 0 a 20 cm. Mas, para diagnóstico do enxofre, o ideal é que se faça de 20 a 40 cm. O problema é que pouca gente faz essa amostragem, e por isso não usa o indicativo adequado“, alerta Ciro Rosolem.

O professor acrescenta que o método tem que ser calibrado, ou seja, é preciso fazer vários experimentos em cada local e aferir os valores, pois cada região tem uma temperatura e um nível de chuva diferente. “Essa calibração foi feita apenas para o Estado de São Paulo e para o Paraná. Para o Mato Grosso e para a Bahia, que é onde o algodão está hoje, não existe essa calibração“, lamenta.

Um problema sério constatado principalmente no Mato Grosso é a deficiência de enxofre, que na verdade não é uma deficiência real, pois normalmente o solo está compactado, e a raiz fica muito superficial.

“Como o enxofre desce no solo de 40 a 60 cm, se a raiz ficar superficial ela não conseguirá alcançar esse enxofre lá embaixo. Dessa forma, muitas vezes tem-se enxofre no solo, mas a planta não tem acesso a ele por causa do problema de compactação. Nesse caso, será preciso mudar o manejo de solo“, explica Ciro Rosolem.

O caso acima gera um paradoxo, pois ainda que tenha o enxofre, o produtor acaba aplicando mais ainda, ao invés de alterar o manejo do solo, o que onera o custo da produção. “Quando me deparo com situações de deficiência de enxofre, a primeira coisa que observo é a compactação do solo e se a raiz está tendo acesso ao elemento“, pontua.

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Quando aplicar

A aplicação de enxofre pode ser feita na época da semeadura, um pouco antes, ou mesmo junto com a primeira cobertura. A recomendação é que o produto aplicado seja na forma sólida. Há, ainda, quem misture o enxofre sólido em solução e aplique na folha, com resposta positiva, mas, neste caso, a resposta é muito limitada.

“Ainda assim, a melhor maneira de aplicar, de fato, é no solo. Praticamente todas as fontes de enxofre disponíveis são eficientes, cada uma dentro da sua recomendação“, recomenda o professor.

O enxofre pode ser fornecido via gessagem, a forma mais clássica de todas. Pode-se, ainda, usar o superfosfato simples, o sulfato de amônia e alguns adubos formulados que agregam enxofre em sua fórmula. Além desses, há o enxofre elementar e o enxofre granulado, que têm a mesma eficiência, desde que se coloque a quantidade recomendada e que a raiz tenha acesso ao nutriente.

Custo

O enxofre não é um dos nutrientes mais caros. O que pode encarecer sua aplicação é o frete. “O gesso fica caro se for colocado como corretivo de solo. Como fonte de enxofre, usa-se menos, e por isso tem um custo reduzido. Já quando se usa um superfosfato simples, o produtor estará agregando fósforo à aplicação, e o sulfato de amônia o nitrogênio. Por isso o custo do enxofre não é um fator limitante“, avalia Ciro Rosolem.

Fique de olho

 

Com a lavoura estabelecida, se o produtor ainda detectar a deficiência de enxofre e o problema estiver na compactação do solo, nada poderá recuperar totalmente a produção. Nesse caso, recomenda-se uma cobertura com dose de enxofre solúvel, como o sulfato de amônia. E, para a próxima safra, o produtor deve tomar as devidas providências de manejo do solo.

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