Um estudo realizado no Brasil com bezerras leiteiras naturalmente expostas ao Cryptosporidium parvum identificou menor ocorrência e duração da diarreia neonatal entre os animais tratados com paromomicina, em comparação aos que receberam halofuginona. A pesquisa também registrou menor necessidade de terapias de suporte e maior peso corporal aos 14 dias de vida.
Publicado em agosto na revista científica Veterinary and Animal Science, o trabalho avaliou 70 bezerras Holandesas recém-nascidas em uma fazenda comercial de Descalvado (SP).
Estudo avaliou tratamentos para criptosporidiose em bezerras
Dos animais avaliados, 40 receberam paromomicina, princípio ativo do Parofor® Solução Oral, produzido pela Huvepharma e comercializado no Brasil pela Biogénesis Bagó. Outros 30 animais foram tratados com halofuginona.
Os tratamentos foram administrados durante sete dias consecutivos, entre o quinto e o 11º dia de vida das bezerras.
Durante o período experimental, os animais tratados com halofuginona apresentaram 4,93 vezes mais chance de desenvolver diarreia em comparação aos que receberam paromomicina.
O grupo tratado com halofuginona também registrou 3,4 vezes mais dias com diarreia e 1,93 vez mais dias com necessidade de terapia de suporte.
Diferenças foram observadas nas primeiras semanas de vida
Os resultados foram especialmente relevantes durante as primeiras semanas de vida, período em que a criptosporidiose costuma apresentar maior intensidade clínica.
Entre as bezerras tratadas com paromomicina, a incidência de diarreia permaneceu próxima de zero até o décimo dia de vida. Já no grupo que recebeu halofuginona, houve aumento mais precoce dos casos, com incidência superior a 60% entre o décimo e o 11º dia.
A criptosporidiose em bezerras é uma das principais causas infecciosas de diarreia durante as primeiras semanas de vida. A doença é provocada pelo protozoário Cryptosporidium parvum e pode comprometer a saúde e o desenvolvimento dos animais, além de aumentar a necessidade de cuidados e os custos de criação.
No Brasil, estudos citados pelos autores estimam prevalência média de 30,5% de Cryptosporidium spp. em bovinos.
“Os resultados mostram a importância de controlar a criptosporidiose não apenas considerando a presença do agente, mas principalmente seus efeitos clínicos sobre o animal. Reduzir a ocorrência e a duração da diarreia nas primeiras semanas de vida contribui para preservar a saúde e o desenvolvimento das bezerras”, afirma Bianca Santarosa, autora principal do estudo.
Tratamento também refletiu no desenvolvimento das bezerras
Além da ocorrência de diarreia, os pesquisadores acompanharam o peso corporal e a eliminação de oocistos de C. parvum nas fezes.
No início do tratamento, aos cinco dias de vida, os dois grupos apresentavam o mesmo peso médio: 42,9 quilos.
Nas semanas seguintes, porém, os padrões de crescimento foram diferentes. As bezerras tratadas com paromomicina apresentaram maior peso corporal aos 14 dias de vida, com diferença estatisticamente significativa em relação ao grupo tratado com halofuginona.
Pesquisa avaliou eliminação de oocistos
Os pesquisadores também identificaram diferenças nos padrões de eliminação de oocistos de C. parvum.
Entre as bezerras tratadas com halofuginona, houve um pico pronunciado de excreção durante o período de acompanhamento. Já os animais que receberam paromomicina apresentaram comportamento mais estável, com valores numericamente menores e menor variação em diferentes momentos da avaliação.
Segundo o estudo, o controle da diarreia neonatal tem importância que vai além do período imediato da doença.
Episódios prolongados podem provocar desidratação e desequilíbrio eletrolítico, comprometer o aproveitamento de nutrientes e afetar o ganho de peso. A condição também pode aumentar a demanda por mão de obra e tratamentos na propriedade.
Controle da criptosporidiose contribui para a saúde das bezerras
A fase neonatal é considerada importante para a trajetória de desenvolvimento dos animais. Por isso, estratégias capazes de reduzir os efeitos clínicos da criptosporidiose podem contribuir para preservar o desempenho das bezerras e a eficiência do sistema de produção.
“A fase neonatal tem impacto direto sobre a trajetória de desenvolvimento do animal. Por isso, estratégias que ajudem a reduzir a carga clínica da doença e a preservar o desempenho das bezerras são importantes não apenas para a saúde imediata, mas para a eficiência do sistema de produção”, acrescenta Bianca Santarosa.

