Colheita dos EUA pressiona soja e milho e limita reação dos preços

Com safra americana robusta e chuvas favoráveis no Brasil, mercado vê pouco espaço para altas até janeiro; plantio da soja avança no ritmo normal e favorece janela do safrinha.
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O avanço da colheita nos Estados Unidos mantém a pressão sobre os preços da soja e do milho, apesar da retomada das compras chinesas de soja americana. No Brasil, o plantio da oleaginosa está em linha com a média histórica, e a previsão de chuvas até janeiro favorece a produção e a semeadura da safrinha de milho. Para a Biond Agro, a combinação de oferta elevada e clima favorável reduz o espaço para uma recuperação consistente das cotações nos próximos meses.

Na Bolsa de Chicago, a soja para novembro fechou a 1.260,50 centavos de dólar por bushel em 16 de outubro, com queda de 2,4% na semana. O milho para dezembro recuou 1,1%, para 474,25 centavos de dólar por bushel.

“A compra chinesa ajuda a limitar as perdas, mas não tem força para novas altas no mercado. Enquanto a colheita americana avançar e a safra brasileira mantiver boas perspectivas, a tendência é de pressão sobre as cotações”, avalia Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro.  

Qualidade da soja americana entra no radar

O USDA elevou de 123,4 milhões para 124,2 milhões de toneladas a estimativa de produção de soja dos Estados Unidos na safra 2026/27. A produtividade projetada, de 3,57 toneladas por hectare, é recorde.

Com a colheita ganhando ritmo, os primeiros resultados confirmam uma safra volumosa. A preocupação agora está na qualidade dos grãos: o excesso de chuva em Iowa provocou relatos de mofo e grãos brotados, embora ainda não haja indicação de impacto relevante sobre o volume produzido.

“Uma quebra de produtividade ou problemas mais amplos de qualidade poderiam mudar as expectativas. Por enquanto, porém, a oferta americana continua sendo o principal fator de pressão sobre os preços”, afirma Isabella .

Plantio no Brasil favorece a safrinha de 2027

A soja brasileira alcançou 15,6% da área prevista até 9 de outubro, ante 15,2% na média dos últimos cinco anos. A volta das chuvas no Centro-Oeste acelerou os trabalhos, com Mato Grosso à frente do ritmo nacional.

As projeções indicam precipitações regulares no Centro-Oeste e no Matopiba até janeiro, cenário que favorece o desenvolvimento das lavouras e uma colheita antecipada. Isso também abre espaço para o plantio do milho safrinha dentro da janela ideal. No Paraná, porém, o excesso de chuva tem dificultado as operações e provocado falhas de germinação e replantio.

“O plantio no calendário e a previsão de chuvas regulares favorecem a safra brasileira. Sem problemas climáticos relevantes, fica mais difícil sustentar uma alta da soja”, diz a analista.

Compras da China não compensam aumento da oferta

A demanda chinesa tem limitado parte das perdas, mas não neutraliza a pressão da colheita americana. A partir de janeiro, a entrada da soja brasileira deve ampliar a oferta, enquanto boa parte das compras chinesas nos Estados Unidos já terá ocorrido.

Nesse cenário, a Biond Agro vê espaço para altas pontuais, mas recomenda aproveitar eventuais recuperações em Chicago para fixar gradualmente parte da produção. Uma mudança mais consistente dependeria de problemas na safra americana, falta de chuva nas regiões produtoras brasileiras ou alterações na política comercial chinesa.

Milho tem oferta confortável e favorece armazenamento

No Brasil, a comercialização do milho segue lenta, com compradores cautelosos à espera do segundo turno das eleições e de condições mais favoráveis de crédito externo. A Conab projeta produção de 148 milhões de toneladas na safra 2026/27, acima dos 144,5 milhões estimados para o ciclo anterior.

Na B3, o contrato de março de 2027 estava R$9,15 por saca acima do vencimento de novembro, em 16 de outubro. A diferença favorece produtores com capacidade de armazenagem e sem necessidade imediata de vender.

“No curto prazo, não há um fator claro que sustente a alta do milho. A recomendação é acompanhar a curva da B3 e aproveitar eventuais recuperações para fixar preços aos poucos, especialmente para a safrinha de 2027”, conclui Isabella Pliego.

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