Aprosoja/MS dialoga com bolsa de Chicago e do Brasil

Com expectativa de lançar ainda em 2020 uma metodologia de precificação da soja brasileira em contratos futuros, com balizadores nacionais, o CME Group (Bolsa de Chicago) e a B3 (Antiga BM&FBovespa), abriram o diálogo para entidades representantes dos agricultores nesta quarta-feira (29)
Soja - Créditos: Shutterstock

Publicado em 30 de julho de 2020 às 10h44

Última atualização em 30 de julho de 2020 às 10h44

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Soja – Créditos: Shutterstock

Com expectativa de lançar ainda em 2020 uma metodologia de precificação da soja brasileira em contratos futuros, com balizadores nacionais, o CME Group (Bolsa de Chicago) e a B3 (Antiga BM&FBovespa), abriram o diálogo para entidades representantes dos agricultores nesta quarta-feira (29). A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), organizadora da reunião recebeu representantes das bolsas e do setor produtivo nacional e sul mato grossense a fim de buscar informações sobre esta fase de regulação do contrato futuro, que deverá seguir a linha já praticada pelo mercado americano.

“O Brasil se consolidou como um grande player exportador de grãos. E faz todo o sentido aplicarmos uma metodologia de precificação nacional, espelhado na conduta econômica americana que já possui um histórico bastante interessante”, explica o presidente da Aprosoja/MS, André Dobashi. “Nesta primeira conversa buscamos entender como funcionaria na prática ao produtor e fomos informados o processo de implantação está em fase de regulação e amadurecimento e que fazem questão da participação dos agricultores, isso é muito significativo para nós”, pontua.

Maior liquidez na comercialização e um processo mais eficaz, foram garantias e benefícios sugeridos pelo representante da B3, Louis Gourban. “A intenção é calcular a margem do agricultor em dólar e, sem seguida, converter para reais. Talvez isso traga algumas distorções no início, mas confiamos nos mercados de balcões e tradings para amenizar a situação”, sinaliza Gourban.

Assim que definidos os detalhes Gourban detalha que haverá um processo para informar os produtores rurais. “Vamos contar com uma campanha de marketing e propaganda, que trabalharão junto com um time educacional, para passar os detalhes aos agricultores”. Neste processo as bolsas contarão com o apoio da Aprosoja/MS.

Jorge Michelc, Vice-Presidente da Aprosoja/MS relata que a reunião foi um importante passo de conhecimento. “A composição dos preços de commodities como a soja e milho tem bases de preço em Chicago, compondo o preço final ao produtor esse preço em Bolsa, multiplicado pelo dólar e somado a prêmios dos portos. A criação de uma base de preços brasileira, a médio prazo, pode dar maior segurança ao setor e cria uma possibilidade de fortalecimento dos contratos de commodities sul americanos que produzem hoje 56% da soja mundial”.

Mercado Americano

A diretora da CME Group e representante da bolsa de Chicago, Susan Sutherland, apresentou durante a reunião alguns aspectos da agropecuária nos Estados Unidos. Entre eles os subsídios fornecidos pelo governo americano. “Em 2019, com a situação entre EUA e China, os subsídios eram maiores, por conta do decréscimo nas exportações. Mas nesta fase atual, com a China comprando, acreditamos que os subsídios podem diminuir”, explica Susan.

Fred Seamon, atual diretor sênior de produtos agrícolas do CME Group, destacou o papel do Brasil nesse cenário dos grãos, destacando que o EUA pode demorar a retomar o protagonismo. “Vai demorar para reparar os danos causados por essa briga comercial entre Estados Unidos e China, a ponto dos americanos se tornarem novamente o centro das exportações”.

Covid-19

Sobre a pandemia os americanos deixaram claro na reunião que os maiores impactos envolvendo o agronegócio, foi na indústria pecuária. “O Covid-19 teve impacto direto na carne. Houve fechamento de alguns frigoríficos, o que estimulou problemas no abastecimento. Como as indústrias ficam na mesma região, o vírus fez com que o processamento de carne caísse e isso estimulou uma mudança no mercado. Consumidores que antes exigiam qualidade, passou a demandar o que estivesse no supermercado”, finalizou Seamon, prevendo que as eleições americanas que se aproximam, não impactará nos valores dos grãos.

A reunião também contou com as contribuições da Roberta Páffaro, diretora para América Latina da CME Group, diretores da Aprosoja/MS e de entidades parceiras do Mato Grosso do Sul como Famasul, OCB, COAASGO e AMPASUL.

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