AgrochemShow 2026 debate judicialização, gargalos regulatórios e nova configuração global do setor

Brasil registra avanço recorde de aprovações de defensivos e debate sobre pressão asiática ganha força.
Acompanhe tudo sobre AgrochemShow e muito mais!

O Brasil registrou em 2025 o maior número de aprovações de defensivos agrícolas e bioinsumos da história, em um cenário marcado pela ampliação da participação de fabricantes asiáticos no mercado nacional e pelo aumento da judicialização dos processos regulatórios. O tema será um dos principais focos da 17ª edição do Brasil AgrochemShow 2026, que acontece nos dias 3 e 4 de agosto, no Centro de Eventos São Luís, em São Paulo.

O encontro deve reunir mais de 1.500 expositores e visitantes ligados aos segmentos de agroquímicos, biológicos, tecnologia regulatória, logística, advocacia e mercado agrícola.

Levantamento da AllierBrasil, consultoria especializada em registro de produtos agrícolas com atuação no Brasil, China e Índia, aponta que o país aprovou 912 registros de pesticidas em 2025. Do total, foram 323 produtos técnicos, 427 formulados químicos e 162 biológicos, crescimento de 37,5% em relação ao ano anterior.

Aprovações de defensivos agrícolas avançam no Brasil

A evolução também é significativa no longo prazo. Entre 2006 e 2015, o Brasil aprovou 1.454 registros de defensivos agrícolas. Já entre 2016 e 2025, o número saltou para 5.442 aprovações, avanço de 274,3%.

Nos últimos cinco anos, o país liberou 3.344 registros, resultado 59,4% superior ao período anterior.

Apesar do volume recorde, especialistas alertam que o crescimento não significa maior agilidade regulatória. Segundo Flávio Hirata, engenheiro agrônomo, especialista em registro de pesticidas e sócio da AllierBrasil, o sistema continua burocrático, oneroso e sujeito a constantes mudanças de interpretação.

“O número crescente de aprovações não significa simplificação do sistema. O registro continua sendo burocrático, oneroso e sujeito a mudanças constantes de interpretação e exigências regulatórias”, afirma.

Morosidade e judicialização aumentam no setor

De acordo com a consultoria, o tempo médio para aprovação de produtos formulados químicos em 2025 foi de 63,4 meses, ultrapassando cinco anos. Já os produtos técnicos equivalentes registraram prazo médio de 67,4 meses.

“Atualmente, o principal desestímulo ao investimento no setor é justamente o tempo necessário para acessar o mercado. Em muitos casos, quando o registro é aprovado, parte da eficácia agronômica já foi comprometida ou o ingrediente ativo se aproxima de restrições regulatórias”, explica Hirata.

Hoje, cerca de 2.830 processos de registros de produtos formulados químicos aguardam avaliação no país. Desses, 397 estão protocolados há sete anos ou mais, incluindo 94 processos que esperam análise há mais de uma década.

O cenário ampliou a judicialização dos registros de defensivos agrícolas. Entre 2019 e 2025, os deferimentos obtidos via ação judicial cresceram 395% contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e 2.666% contra o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Somente em 2026, até 22 de abril, 47 avaliações toxicológicas foram aprovadas por meio de ações judiciais, segundo dados da AllierBrasil.

“O uso da judicialização deixou de ser exceção e passou a integrar a estratégia regulatória para acelerar o acesso ao mercado”, destaca o especialista.

Avanço asiático redefine o mercado de defensivos

Outro ponto central do debate será a crescente presença de empresas asiáticas no setor de defensivos agrícolas.

Segundo Hirata, o movimento representa uma reestruturação global da cadeia produtiva. “A China se consolidou como centro mundial de produção de pesticidas, enquanto o Brasil permanece como um dos maiores mercados consumidores do planeta”, afirma.

Nos últimos 15 anos, o mercado brasileiro registrou forte expansão de produtos pós-patente, crescimento de registrantes nacionais com fabricação terceirizada na Ásia e aumento da atuação direta de empresas chinesas e indianas no país.

Atualmente, a China domina grande parte da produção global de ingredientes ativos utilizados em defensivos agrícolas, enquanto a Índia busca ampliar sua participação no setor.

Entre os impactos observados estão:

  • pressão sobre preços de moléculas tradicionais;
  • redução de margens comerciais;
  • aumento da concorrência entre distribuidores;
  • maior investimento em serviços agronômicos;
  • crescimento de biossoluções e agricultura digital;
  • busca por formulações diferenciadas.

Além disso, o avanço asiático intensificou discussões sobre rastreabilidade, equivalência técnica, pureza de ingredientes ativos e segurança regulatória.

No Brasil, os produtos precisam passar por aprovações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Hoje existe uma preocupação crescente sobre dependência externa, logística global e segurança de abastecimento. Ao mesmo tempo, a maior concorrência também trouxe redução de custos para o produtor rural e acelerou a modernização do mercado”, conclui Hirata.

AgrochemShow 2026 reúne indústria, distribuidores e consultorias

Além dos debates regulatórios, o Brasil AgrochemShow 2026 deve reunir representantes da indústria química, empresas de logística, fabricantes de biológicos, consultorias regulatórias, distribuidores, revendas, agricultores, importadores e fornecedores internacionais.

O objetivo é discutir tendências de mercado, inovação, estratégias de acesso ao setor agrícola brasileiro e parcerias técnico-comerciais.

As inscrições para o evento estão abertas e podem ser realizadas pelo portal da AllierBrasil mediante doação de cestas básicas para a ONG Crê-Ser, de São Paulo. Em 2025, a iniciativa arrecadou 14 mil quilos de alimentos.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Da semente ao armazém: Tecprime redesenha futuro do agro

2

Viveiro Guatambu: qualidade e tecnologia em mudas frutíferas

3

AgrochemShow 2026 debate judicialização, gargalos regulatórios e nova configuração global do setor

4

Abelha mandaguari aumenta em até 67% a produção de café arábica, aponta estudo da Embrapa

5

Bayer integra fundo pioneiro de R$ 500 milhões em CBIOs para descarbonizar o agronegócio brasileiro

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

AgrochemShow 2026 judicialização, gargalos regulatórios

AgrochemShow 2026 debate judicialização, gargalos regulatórios e nova configuração global do setor

impacta-mais-2026-inovacao-climatica-economia-azul-sao-paulo

Impacta Mais 2026 debate inovação climática e economia azul em São Paulo nos dias 20 e 21 de maio

default

Open Field Day 2026 celebra 20 anos de inovação em sementes de hortaliças

Sérgio Pellizzer é CEO da Fazenda Conforto.
Fazenda Conforto

Conforto Experience reúne 1,2 mil convidados no Vale do Araguaia e consolida Fazenda Conforto como vitrine da pecuária brasileira