Características das cultivares brasileiras de maçã

Créditos Aires Carmem Mariga

Publicado em 15 de outubro de 2015 às 12h00

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h34

Acompanhe tudo sobre Clone, Colheita, Fruta, Hortifrúti, Maçã, Óleo, Rentabilidade e muito mais!

 

Marcus Vinícius Kvistschal

Frederico Denardi

Maraisa Crestani Hawerroth

Pesquisadores da Epagri

Créditos Aires Carmem Mariga
Créditos Aires Carmem Mariga

O Brasil conseguiu desenvolver, e apresenta ao consumidor brasileiro e internacional maçãs com características que agradam aos mais apurados sentidos. O País oferece variedades conhecidas em âmbito mundial pelo aroma e pelo sabor exuberantes, como a Gala, e pela crocância e suculência, como a Fuji. Mais de 90% da produção brasileira corresponde a estas cultivares.

As maçãs brasileiras são produzidas, de modo geral, em áreas acima de mil metros de altitude (no nordeste gaúcho, no planalto e no meio-oeste catarinenses e no sul paranaense), o que permite a obtenção de produção de qualidade.

A maturação da fruta normalmente mais estendida propicia o desenvolvimento de teores elevados de açúcar, assim como cor e sabor mais expressivos, além das técnicas de produção e o clima favoráveis favorecerem a armazenagem por mais tempo.

Créditos Aires Carmem Mariga
Créditos Aires Carmem Mariga

Predominância

Cerca de 93% de toda a maçã produzida no Brasil advém de duas únicas cultivares, que são os clones de Gala (os principais são: Galaxy, Maxy-Gala, Brookfield, Royal gala, Imperial Gala) e os clones de Fuji (principais: Fuji Suprema, Fuji Mishima, Fuji Brak, Fuji Standard).

Anna, Brucker do Brasil e Golden Delicious praticamente não se planta mais. Granny Smith é muito usada como polinizadora em pomares de Gala e Fuji, e alguma fruta é colhida para comercialização, mas em função da alta acidez os volumes são muito pequenos.

Parte das frutas de Granny também vai para a indústria de suco, para preencher a exigência de acidez mínima dos sucos brasileiros (pois Gala e Fuji não têm acidez suficiente).

Eva é muito plantada no planalto norte catarinense e Sul do Paraná, por ser de baixo requerimento de frio hibernal, ser resistente à mancha foliar de glomerella ” MFG (a doença mais grave nessas regiões mais quentes) e por ter maturação bem precoce (final de dezembro a início de janeiro nessas regiões). Isso permite a comercialização das frutas a um preço de venda bastante alto, por ser colhida na entressafra da Gala.

Confira:

ð Condessa também é plantada nessas regiões mais quentes, mas por ser suscetível à MFG tem restrições de plantio.

ð Princesa também é plantada nessas regiões mais quentes, e é muito usada como polinizadora da Eva.

ð Castel Gala é uma mutação espontânea de Gala que brota mais cedo e, por isso, é plantada também nessas regiões mais quentes.

ð Além dessas cultivares, tem-se alguns plantios de Daiane, mas por ser de alto requerimento de frio hibernal, tem limitado os plantios nas regiões do meio-oeste catarinense e algumas regiões do Rio Grande do Sul.

As novas cultivaressão de alto requerimento de frio hibernal - Créditos Aires Carmem Mariga
As novas cultivaressão de alto requerimento de frio hibernal – Créditos Aires Carmem Mariga

Rentabilidade

Atualmente, a cadeia produtiva da maçã tem se deparado com uma situação de baixa rentabilidade, principalmente em função da baixa disponibilidade e do alto preço da mão de obra, especialmente na colheita. Isso decorre em função dos volumes de maçãs que precisam ser colhidas em uma janela de tempo muito restrita, pois cerca de 93% desse volume advém de duas cultivares.

Isso tem gerado a necessidade de diversificação de cultivares de macieira no Brasil, de forma que o fruticultor tenha opções de cultivares com época de colheita diferenciada para, então, otimizar o uso da mão de obra disponível.

Novas opções

Já há diversas opções de novas cultivares desenvolvidas pela Epagri que podem ser utilizadas com esse propósito, como a SCS417 Monalisa e SCS425 Luiza (colheita em cerca de uma semana antes da Gala), SCS426 Venice e Daiane (colheita entre Gala e Fuji), e SCS427 Elenise (colheita tardia, após a Fuji).

Tanto os clones de Gala quanto de Fuji são de alto requerimento de frio e, portanto, não brotam bem nas principais regiões produtoras sem intervenções artificiais para superação da dormência (quebra de dormência com Dormex® e óleo mineral).

A Gala produz frutas crocantes, suculentas, com aroma bem pronunciado, de alto teor de açúcar e acidez baixa/média. A Fuji é característica pela polpa muito crocante e suculenta, e pelo sabor muito doce (sem acidez alguma).

Como a capacidade de armazenagem da Fuji é muito melhor que da Gala, geralmente no segundo semestre as frutas de Fuji comercializadas possuem qualidade melhor que da Gala. No cenário brasileiro, os clones da cultivar Gala representam 60% da produção, os clones de Fuji 35% e as outras cultivares, Daiane, Eva, Princesa, Condessa, Granny Smith, representam, juntas, 5% da produção.

O que as torna favoritas diante das demais? Principalmente o sabor (altos teores de açúcar e baixa acidez). Por isso, os clones de Gala são os que estão em maior ascensão no mundo. A aparência também tem contribuído muito com o surgimento de novos clones mais coloridos, a exemplo da Red Delicious, que ainda é uma das cultivares de maçã mais plantadas no mundo por causa da aparência.

Essa matéria completa você encontra na edição de setembro da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

 

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