Seringueira – Versatilidade e lucro na mesma espécie

Publicado em 10 de junho de 2015 às 07h00

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h55

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Amauri Antonio de Mendonça

Engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura de Álvares Florence/SP

amauri.am@cati.sp.gov.br

Estima-se que no Brasil exista 50 milhões de árvores de seringueira (Hevea brasiliensis) “em produção”, sendo que, destas, 22 milhões estão no Estado de São Paulo. Calcula-se hoje que este Estado possua mais de 50 milhões de pés de seringueira, com uma área plantada em torno de 100 mil ha, respondendo por mais de 50% da produção nacional de borracha natural, seguido por Mato Grosso 25% e Bahia 14%.

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Possibilidades de rentabilidade com essa espécie

Partindo do princípio que a borracha é matéria-prima estratégica para mais de 40.000 produtos, incluindo mais de 400 dispositivos médicos (MOOIBROEK & CORNISH, 2000) a seringueira possibilita:

-A produção de látex que transforma-se em borracha;

-Bom retorno econômico por hectare, principalmente para pequenos agricultores;

-Característica típica de floresta tropical, protegendo o meio ambiente;

-Suas sementes produzem óleos vegetais;

-Suas floradas propiciam a apicultura;

-O preço da borracha tende à valorização, pois os plantios não acompanham o aumento do consumo;

-Sua madeira é nobre, podendo ser utilizada na fabricação de móveis;

-Melhora a qualidade do solo, pois as folhas e galhos que caem se transformam em matéria orgânica;

-Valorização da terra que, com o plantio, chega a dobrar de preço;

-As fábricas de pneus vêm substituindo os pneus convencionais pelos radiais, que consomem o dobro de borracha;

-Não há substituto sintético, e nem outras plantas, que possam produzir o látex com a qualidade e o preço que a seringueira produz.

 Seringueira - versatilidade e lucro na mesma espécie - Crédito Miriam Lins

Importância do planejamento na seringueira

A instalação da cultura deve obedecer as exigências agronômicas, como escolha do local e tipo de solo (frequência e velocidade dos ventos, fertilidade, declividade e profundidade do solo), escolha do(s) clone(s), aquisição de mudas de viveiristas idôneos, seleção das mudas para plantio, o plantio e condução devem obedecer as exigências agronômicas, evitando em todas as fases da cultura a competição com ervas daninhas, principalmente braquiárias.

Manejo ideal da floresta

Em primeiro lugar, o heveicultor deve acompanhar as atualizações tecnológicas para evitar ou minimizar erros. Além disso, a cultura deve ser mantida sempre livre de ervas daninhas, devem-se coletar os galhos de desrrama e tirar fora da área de trabalho, realizar adubação orgânica e/ou química, de acordo com a análise de solo, definir a frequência da sangria e acompanhar periodicamente a sangria (consumo de casca, profundidade e inclinação do corte e respeito a geratriz).

Também é preciso obedecer as recomendações técnicas para estimulação química, realizar inspeções de rotina para verificar a sanidade das plantas (folhas e ramos), realizando tratamentos fitossanitários, se necessário, realizar o tratamento fitossanitário no painel de sangria, obedecendo as recomendações técnicas e, de preferência, a alternância dos produtos.

Cultura complementar

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) pressupõem o convívio, numa mesma área, de espécies de valor econômico com espécies da flora nativa. As vantagens para a implantação desses sistemas se resumem no fato de que a área com essa ocupação passa a ter um retorno econômico e possibilita, também, a recuperação florestal de áreas destinadas principalmente à Reserva Legal (RL).

No âmbito do Estado de São Paulo, a Lei n.º 12.927, de 23 de abril de 2008, regulamentada pelo decreto nº 53.939 de 06/01/2009, possibilita a recomposição de reserva legal, com a utilização de espécies arbóreas exóticas intercaladas com espécies arbóreas nativas de ocorrência regional ou pela implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs)(Manual Técnico CATI N.º 72).

Subprodutos da seringueira:

àMadeira (fase final de ciclo da cultura) – utilizado nos diversos segmentos.

à Óleo vegetal (sementes) – substitui o óleo de linhaça na indústria de tintas e na produção de sabão e resinas.

à Torta (após a extração do óleo) – alimentação de bovinos, suínos e aves.

à Mel (aproveitamento da florada).

Infelizmente, esses subprodutos são produzidos em pequenas ou nulas quantidades, ainda sem interesse econômico no Brasil.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de abril/maio da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira a sua para leitura integral!

 

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