Sistema Alerta Ferrugem reduz aplicação de fungicidas em 35%

Publicado em 21 de fevereiro de 2020 às 14h59

Última atualização em 21 de fevereiro de 2020 às 14h59

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Crédito: Leila Costamilan

O sistema Alerta Ferrugem, desenvolvido pelo Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), está entre as melhores ferramentas de monitoramento da ferrugem asiática da soja do mundo. São 248 pontos de coleta de esporos em aproximadamente 200 municípios paranaenses, uma rede que desde 2016 tem colaborado para retardar a primeira aplicação de fungicidas, reduzindo seu uso em cerca de 35%.

De acordo com o diretor técnico da Emater, Nelson Harger, o Paraná é o único Estado brasileiro com sistema de monitoramento com coletores instalados em rede. O coletor de esporos foi idealizado pelo engenheiro agrônomo Seiji Igarashi, professor aposentado da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

O equipamento é instalado em pontos estratégicos de propriedades rurais, denominadas Unidades de Referência, e detecta a presença de esporos do fungo Phakopsora pachyrhizi, responsável pela doença.

O gestor do Projeto Grãos da Emater, Edivan José Possamai, explica que onde não há uso do coletor a aplicação dos fungicidas é calendarizada. Ou seja, aplica-se o produto sem saber se o patógeno está presente na lavoura, implicando em aumento de custos de produção. Nesse sentido, o Paraná é referência mundial.

“Temos recebido demandas de outros estados, como Bahia, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que buscam entender e aplicar nosso sistema”, destaca. “O coletor tem produzido resultados consistentes nas safras do Paraná, dando subsídio aos profissionais da assistência técnica, que orientam nossos agricultores com informação segura”, diz o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento Norberto Ortigara.

Como funciona

O coletor é feito de PVC. Dentro dele há uma lâmina de microscopia com uma fita adesiva, que coleta os esporos – estruturas reprodutivas do fungo que circulam no ar. “Semanalmente, as lâminas são analisadas por extensionistas da Emater com a ajuda de parceiros de instituições de ensino superior e colégios agrícolas”, explica Possamai.

Os resultados são divulgados no site geoemater.pr.gov.br, grupos de whatsapp e programas de rádio, entre outros. Apesar da eficácia, os técnicos recomendam que, além do Alerta Ferrugem, os agricultores considerem o estágio da cultura e as condições climáticas para fazer a aplicação.

O produtor Laércio Dallavechia, de Mangueirinha, na região sudoeste, tem um coletor de esporos instalado em sua propriedade desde outubro de 2018. Toda semana, extensionistas da Emater levam as lâminas para análise. Depois, os resultados são divulgados pelo site e em grupos de whatsapp. “O coletor de esporos nos diz o momento adequado de usar o fungicida, evitando perda de produção e gastos desnecessários. Eu, como produtor, não consigo imaginar minha propriedade sem ele. No ano passado, se eu não tivesse feito a quantidade de aplicações que o sistema indicou, teria perdido minha produção”.

Controle

Em 2019, 50 coletores registraram a presença de esporos da ferrugem asiática. No entanto, não há identificação da doença nas plantas nos locais monitorados. A notificação da presença de esporos serve como alerta para os produtores redobrarem a atenção nas propriedades, mas não significa necessariamente a existência da doença a campo.

Os esporos são facilmente disseminados pelo vento, por isso a importância dos coletores. A ferrugem asiática provoca desfolha precoce, o que pode comprometer a formação dos grãos.

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