Como monitorar e controlar a broca-do-café com eficiência

Crédito Miriam Lins

Publicado em 4 de outubro de 2017 às 19h27

Última atualização em 4 de outubro de 2017 às 19h27

Acompanhe tudo sobre Água, Armadilha, Beauveria bassiana, Biológico, Café, Coco, Colheita, Consorciação, Consórcio, Gestão, Larva, Óleo, Poda, Terreiro, Traça e muito mais!

Anísio José Diniz

Pesquisador – Transferência de Tecnologia da Embrapa Café

anisio.diniz@embrapa.br

 

Crédito Miriam Lins
Crédito Miriam Lins

A broca do café (Hypothenemus hampei) é um pequeno besouro (coleóptero) de cor escura brilhante. A fêmea fecundada perfura o fruto do café, normalmente na região da cora, faz uma galeria no seu interior, onde põe seus ovos, dos quais surgem as larvas que se alimentam das sementes (grão de café).

A evolução do ataque da broca começa a partir novembro, quando as fêmeas fecundadas saem dos frutos da safra anterior (onde se criaram ” remanescentes nas plantas ou no solo), para perfurar e se estabelecer nos frutos ainda jovens (estádio de fruto verde) provenientes da primeira florada do ano. Salienta-se que o ataque se acentua na fase de granação e maturação (janeiro a março).

Danos

Entre os prejuízos causados pela praga estão a queda prematura dos frutos no estádio de fruto verde; inviabilidade na produção de sementes; redução do peso dos grãos (sementes) diminuindo o rendimento do café coco/beneficiado (perdas de até 20%); depreciação do produto na *classificação por tipo (5 brocados/quebrados = 1defeito); e perda na qualidade da bebida devido à presença de grãos brocados.

A praga ataca tanto as cultivares das espécies de Coffea arábica, como as de Coffea canephora (café robusta/conilon).

Prevenção

As medidas de controle devem ser baseadas na execução de práticas que visam a redução das condições favoráveis à proliferação do inseto. Assim, devem ser adotadas como medidas preventivas: colheita bem-feita; derriça de todos os frutos da planta, se possível com repasse; podas, quando forem necessárias; redução de áreas de sombra; eliminação de lavouras de café abandonadas.

A condição de lavouras abertas, arejadas, com boa penetração de luz, diminui a umidade interna na lavoura, reduzindo o ambiente favorável à broca.O monitoramento da lavoura é fundamental, pois indicará o momento do controle da broca quando a infestação atingir o nível de controle (03 a 05%).

A adoção das boas práticas agrícolas e de gestão da propriedade poderão auxiliar o cafeicultor na prevenção e controle da praga. A presença de engenheiros agrônomos de instituições de assistência técnica e extensão rural torna-se fundamental para as recomendações e acompanhamento in loco.

A evolução do ataque da broca começa a partir novembro - Crédito Paulo Rebelles
A evolução do ataque da broca começa a partir novembro – Crédito Paulo Rebelles

Controle

Informações sobre os ingredientes ativos e produtos comerciais utilizados no tratamento fitossanitário do café estão disponíveis no Portal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ” Mapa no Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários (AGROFIT), que consiste num banco de dados para consulta pública sobre controle pragas (biológico, cultural e químico), ingredientes ativos, produtos formulados, relatórios e componentes de fórmulas registrados no Ministério da Agricultura, com informações dos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente.

Por exemplo, para ter conhecimento sobre os produtos utilizados para o controle químico da broca do café, siga as instruções:

ðClique no link:http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons

ð Clique em “produtos formulados“;

ð Selecione a indicação de uso “insetos“;

ð Selecione “café“;

ð Selecione “Hypothenemus hampei“;

ð Escolha “nome comum (I.A.)“;

ð Marque “todos“; e clique “consultar“. Aguarde alguns segundos para a publicação da relação dos produtos pelo Sistema AGROFIT.

Armadilha para monitoramento

No âmbito do Consórcio Pesquisa Café, o Instituto Agronômico do Paraná ” IAPAR tem desenvolvido várias pesquisas sobre as armadilhas para monitoramento e, entre os resultados dessas pesquisas, foi desenvolvida a “Armadilha IAPAR para o manejo da Broca-do-Café“.

Estudos realizados no IAPAR em parceria com a Emater-PR têm demonstrado a eficiência dessa armadilha não só para o monitoramento, como também para redução de danos causados pela broca do café, existindo a possibilidade de integrá-la com o uso do fungo Beauveria bassiana e de extratos de plantas e métodos tradicionais de manejo da broca.

Manejo

Recomenda-se o uso de no mínimo 25 armadilhas/ha, com espaçamentos de 20 m entrelinhas e entre plantas. As armadilhas devem ser fixadas em estacas a 1,20m do solo, no caso de café novo e no próprio galho do pé de café, no caso de plantas adultas.

As armadilhas poderão ser posicionadas no terreiro, durante a secagem do café, reduzindo a população que retorna ao cafezal.

Essa matéria você encontra na edição de outubro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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