Desempenho da soja em área de pousio, sucessão e rotação de culturas

Crédito Tiago Tamiozzo

Publicado em 26 de março de 2017 às 07h55

Última atualização em 26 de março de 2017 às 07h55

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A Fundação MT desenvolve, há nove safras consecutivas, um estudo sobre o desempenho da soja em área de pousio, sucessão e em rotação de culturas. “Estamos estudando o efeito do monocultivo de soja, da sucessão de culturas soja/milho, soja/brachiária e soja/milheto, e alguns tratamentos que contemplam esquemas de rotação de culturas“, relata Claudinei Kappes, pesquisador da Fundação MT.

Ele relata que a condição da fertilidade do solo é bem construída, pois a área já foi cultivada no sistema soja/milho por várias safras e o solo possui acima de 60% de argila.

“O solo é considerado muito argiloso e a sua fertilidade é muito boa. Instalamos o experimento na safra 2008/09 e por seis safras consecutivas não víamos nada de resultado, o que nos deixou até frustrados.O monocultivo conseguiu manter por seis safras consecutivas, níveis de produtividade de soja similares aos dos sistemas de sucessão soja/braquiária, soja/milho e soja/milheto, ou comquaisquer esquema de rotação adotado. Se eu quisesse apontar naquele momento uma conclusão ao público, não haveria diferença entre os sistemas“, lembra o pesquisador.

Ele explica que a soja em monocultivo manteve sua produtividade por seis safras porque o solo local possuía boa fertilidade, que associada com o elevado teor de argila, proporciona um poder tamponante muito alto.

Mudanças

Na sétima safra desse experimento, a equipe da Fundação MT investiu em uma pequena mudança. “Tínhamos adotado, por seis safras, uma cultivar de ciclo médio de 115 a 120 dias para fechar o ciclo. Na sétima safra resolvemos utilizar uma cultivar de soja superprecoce, com ciclo em torno de 100 dias, sem dessecar.Sabíamos que quanto mais precoce é a cultivar, mais exigente ela é em práticas de manejo de solo e sistemas de produção. Com essa alteração e ainda, associada a uma pequena falta de água em janeiro, aconteceu um boom no ensaio que fez uma diferença tremenda. Onde tínhamos o sistema de monocultivo, mantendo estabilidade produtiva, perdemos 30 sacas/ha em relação ao sistema de sucessão soja/milheto, soja/braquiária ou qualquer outro esquema de rotação de culturas. O declínio foi grande em função da falta de água, da cultivar e sem dúvida, devido ao próprio sistema de produção“, conta.

Na safra seguinte, 2015/16, o resultado se manteve, mas não tanto quanto na anterior.

Para Claudinei Kappes, a diferença, de agora em diante,será uma constante. “Mesmo chovendo bem, nessa safra e na safra passada, conseguimos perceber claramente a diferença visual que existe nomonocultivo em relação a quaisquer tratamentos com maior aporte de palhada.Na safra 2015/16 coletamos solo desse experimento e em parceria com a Embrapa Cerrados, analisamos alguns atributos microbiológicos, porque queríamos entender o que estava acontecendo, visto que a diferença em produtividade era grande nos tratamentos com e sem palhada, mas os atributos químicos eram semelhantes“.

Na análise, constatou-se que os atributos químicos eram muito semelhantes entre os tratamentos, mas quando avaliados os atributos microbiológicos do solo, os resultados foram totalmente diferentes. “Quando temos maior aporte de palhada no sistema de produção, seja por meio do milheto, da braquiária ou até do milho safrinha na sucessão, pós-soja há muito mais atividade biológica no solo do que no tratamento sob monocultivo de soja“, esclarece o especialista.

Foi avaliado também, na safra passada e nessa, a incidência de fitonematoides, e justamente nos tratamentos sob monocultivos, que apresentam menor atividade biológica no solo,são onde se encontram maiores níveis populacionais de fitonematoide. Isso ocorre porque muitos microrganismos do solo acabam sendo predadores de fitonematoides.Desse modo, o pesquisador diz que quando se tem maior atividade biológica no solo, a chance de ter problemas com fitonematoides é menor.

Claudinei Kappes, pesquisador da Fundação MT - Crédito Luize Hess
Claudinei Kappes, pesquisador da Fundação MT – Crédito Luize Hess

Benefícios

Segundo Claudinei Kappes, é muito perceptível o efeito benéfico do sistema de produção que aporta uma considerável quantidade de palhada. “Até mesmo o sistema de sucessão soja/milho safrinha, o qual é predominante no Mato Grosso,que pode não ser o ideal, tem sido muito melhor do que o monocultivo de soja. O milho safrinha deixa, após sua colheita, entre 7,0 e 9,0 t/ha de massa seca. Essa palhada, portanto,também proporciona maior atividade biológica no solo, o que ajuda a conviver com os fitonematoides e mantém a estabilidade produtiva das culturas que são inseridas no sistema de produção“, pontua.

Ele acrescenta que ainda não alcançou, nos tratamentos com rotação de culturas, recordes de produtividades. A média ainda é em torno de 60 sacas/ha, mas a técnica garante estabilidade produtiva mesmo em anos de falta de água, o que acaba ajudando em médio/longo prazo, deixando o produtor menos à mercê das condições adversas do clima.

“O sistema soja/milho safrinha do experimento é um pouco diferente do que é praticado no Mato Grosso, no que diz respeito à adubação. A adubação do milho safrinha aqui no Estado deixa a desejar ainda, pois é baixa, e a produtividade da soja que será plantada após esse milho pode ser afetada. Já a adubação que realizamos em nossa pesquisa é melhor, porque caprichamos no nitrogênio, fósforo e potássio, que atendem os níveis exportados nos grãos. Por oito safras esse sistema tem se mantido com níveis de produtividade de soja e milho muito satisfatórios“, orgulha-se o pesquisador.

O desafio, a partir de agora, será observar até quando os esquemas de sucessão de culturas vão aguentar. A equipe da Fundação MT também vai estudar se haverá ganho de produtividade da rotação x sucessão. “Observamos, também, que onde há a introdução da braquiária no sistema, o solo tende a ter uma qualidade microbiológica melhor“, conclui Claudinei Kappes.

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