Responsável por impulsionar a produtividade no campo e contribuir para a segurança alimentar, a agricultura irrigada ocupa posição estratégica no desenvolvimento do agronegócio brasileiro.
Em Minas Gerais, onde a diversidade climática impõe desafios distintos às diferentes regiões do estado, a irrigação é uma ferramenta indispensável para garantir a estabilidade da produção.
Ao mesmo tempo, o aumento da demanda por água, os eventos climáticos extremos e a necessidade de conciliar crescimento econômico e preservação ambiental reforçam a importância de uma gestão cada vez mais eficiente dos recursos hídricos.
Iniciativa em prol do Agro
Para debater soluções técnicas e boas práticas que fortaleçam a gestão sustentável da água no campo, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) instituiu o Grupo de Trabalho (GT) Recursos Hídricos na Agricultura.
A iniciativa reúne profissionais e especialistas do setor com o objetivo de discutir, no âmbito do Conselho, os principais desafios da irrigação no estado e propor caminhos técnicos que conciliem produtividade agrícola e uso racional da água.
Um dos integrantes do GT, o engenheiro agrônomo e professor titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Edson Vieira, explica que o cenário atual exige uma nova forma de pensar o uso da água no campo.
“A agricultura irrigada tem um papel vital. Ela é um dos pilares da estabilidade econômica do setor rural e da nossa segurança alimentar. No entanto, a expansão da demanda por água e a maior variabilidade climática nos forçam a adotar práticas significativamente mais eficientes e sustentáveis”, destaca o especialista.
Segundo ele, a diversidade climática de Minas Gerais faz com que algumas regiões dependam de soluções técnicas específicas para evitar conflitos pelo uso da água. Nesse contexto, o planejamento hídrico é essencial para compatibilizar as necessidades da produção agrícola com a disponibilidade das bacias hidrográficas, preservando as vazões dos cursos d’água e garantindo o uso compartilhado desse recurso, um dos temas centrais das discussões do GT Recursos Hídricos na Agricultura do Crea-MG.
Tecnologia e planejamento para usar a água com eficiência
O uso racional da água começa muito antes da irrigação propriamente dita. Segundo o professor Edson Vieira, o planejamento envolve o conhecimento da disponibilidade hídrica, das características do solo, das necessidades da cultura e das condições climáticas da região.
A partir dessas informações, é possível definir o sistema mais adequado, dimensionar corretamente a infraestrutura e reduzir desperdícios.
“Sensores de umidade do solo, estações meteorológicas, sistemas automatizados de controle e até equipamentos mais simples, como os tensiômetros, permitem monitorar continuamente as condições da lavoura e indicar o momento adequado para irrigar”, detalha Edson Vieira.

Além de reduzir o consumo de água, essas ferramentas contribuem para aumentar a eficiência energética, diminuir os custos operacionais e ampliar a produtividade, tornando a irrigação mais precisa e sustentável.
Responsabilidade Técnica fortalece a sustentabilidade
Além da adoção de tecnologias, a gestão eficiente da água depende da atuação de profissionais habilitados desde a elaboração do projeto até sua execução e operação. Projetos de irrigação bem dimensionados e alinhados aos processos de licenciamento ambiental proporcionam maior segurança técnica ao produtor, facilitam a análise pelos órgãos competentes e contribuem para o uso racional dos recursos hídricos.
Nesse processo, a Responsabilidade Técnica, atribuição fiscalizada pelo Crea-MG, desempenha papel fundamental ao assegurar que sistemas de irrigação, barragens, estruturas hidráulicas e demais intervenções sejam projetados e executados por profissionais legalmente habilitados.
Para Edson Vieira, esse acompanhamento garante maior confiabilidade às soluções adotadas, fortalece a sustentabilidade da produção agrícola e contribui para que o desenvolvimento do agronegócio ocorra em equilíbrio com a preservação dos recursos naturais.
“A Responsabilidade Técnica é a principal garantia de que as atividades de irrigação, engenharia de barragens, captação e gestão hídrica serão executadas por profissionais legalmente habilitados e com competência comprovada. Ela assegura a rastreabilidade das atividades, define claramente os limites profissionais e protege a sociedade e o meio ambiente contra a atuação de pessoas não habilitadas”, ressalta o engenheiro.
Fiscalização e orientação ao produtor
Ao acompanhar de perto discussões como as promovidas pelo GT Recursos Hídricos na Agricultura, o Crea-MG reforça seu papel na fiscalização do exercício profissional e na orientação de produtores e gestores rurais sobre a importância de contratar profissionais devidamente registrados para projetos de irrigação e obras hídricas.
Essa atuação busca unir avanço técnico e responsabilidade para que a expansão da agricultura irrigada em Minas Gerais continue ocorrendo de forma segura, sustentável e alinhada à preservação dos recursos naturais do estado.
